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Vote ou Morra?

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Em 29/10/2016*

Prólogo:

Poderia começar esse texto com a seguinte frase: “aproxima-se a votação em segundo turno em algumas capitais, e o “debate” eleitoral chega ao seu fim, em um tom mais baixo que o esperado”. Além de ser óbvio e pouco criativo, condenaria minhas linhas introdutórias ao Continuar lendo Vote ou Morra?

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Se as águas, do mar da vida…

Sempre que procuro por vida inteligente na internet, acabo no mesmo site (claro que não estou falando só do DebatePronto!)

Deliciem-se com a matéria abaixo, mas também, não deixem de comentar algo.

Aliás, por falar em plantação, não sei porque me lembrei do tal do Bibinho. E por falar em Bibinho, não sei qual motivo me leva a ter a nítida sensação de que tudo isso não vai dar em nada, senão muita gente vai afundar junto. Gente, que inclusive, deve apostar em sua própria reeleição como deputado ou algo maior. Sei lá, não conheço muito da coisa, é só sensação mesmo. Afinal, não sei se é também impressão, mas algo não me cheira bem numa Assembléia que se preocupa mais em afastar a imprensa e votar em coisas muito importante, como “agentes políticos”, etc. Muito bonito tudo isso, e TODO MUNDO CALADO ou esbravejando SEM MOVIMENTAR NADA, ainda mais em ano eleitoral.

Afinal, estamos esperando a nossa vez para fechar tudo e apagar a luz?

Bom, mas, o assunto é outro, e muito bem tratado logo abaixo. Divirtam-se!

Daniel Pinheiro

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Plantações, novelas e boatos marcam sucessão no País

Por: Claudio Leal e Marcela Rocha

Fonte: Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br)

Nas férias dos congressistas, em Brasília, uma espécie de flor, por vezes confundida com cogumelo, brota nos corredores do Congresso, nas salas dos ministérios e nos jantares noturnos: a “flor do recesso”. Consiste no despetalar de boatos e informações desencontradas que alimentam a mídia enquanto os protagonistas (e suas verdades) vão às praias e paraísos outros.

Neste ano eleitoral, a primeira floração veio com a suposta candidatura do ex-governador mineiro Aécio Neves a vice de José Serra, validada por uma suposta estratégia tucana que traria uma suposta campanha imbatível. Supostamente, os jornais não deram a mínima para os insistentes desmentidos de Aécio: “Chance zero de ser vice de Serra”, declarou o líder mineiro, em entrevista a Terra Magazine (18 de janeiro), confirmando uma reportagem de dezembro :

– Eu reconheço e respeito a posição de alguns companheiros que gostariam de ver uma chapa composta pelo governador Serra e por mim. Mas, da mesma forma que respeito essa posição, é natural que eles respeitem o meu ponto de vista de que essa chapa não é adequada para nós vencermos as eleições.

Mas o leitor, o internauta e o radio-ouvinte ainda se deparam com especulações sobre o destino de Aécio, autodeclarado candidato ao Senado. Serra beija o colega mineiro no lançamento da pré-candidatura, em Brasília. Aécio vice? Das montanhas mineiras, ele estará com Serra. Aécio vice?

Primo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) entra como desdobramento da novela familiar e política – ou genérico. Versões: se Aécio quiser, ele vai ser vice de Serra; o PP se afasta de Dilma; Dornelles almoça com Dilma; Serra vai se encontrar com o provável aliado. A batalha pelo minuto e 20 segundos do PP no horário eleitoral é fermentada pelas alianças estaduais. Dornelles poderá ser vice de Serra? Sim e não. Nem sempre as novelas se orientam por um final pré-definido.

Cardeais tucanos como João Almeida, líder do PSDB na Câmara, não escondem a ordem da preferência: “O Plano A é Aécio. Se ele não quiser, o Plano B é Tasso Jereissati. O Plano C é Dornelles”.

Tasso e Aécio disseram “não”.

Diante dos torcedores – da imprensa e da política -, o senador Francisco Dornelles assume a filiação à escola Tancredo Neves: “Não há política sem boato, sem lenda, sem história. Quando eles ganham força própria não adianta confirmar nem desmentir”.

E o plano D?

Terra Magazine apresenta algumas das guerras de versões jorradas na imprensa. Flores marcadas para murchar em junho. Outra vez Tancredo: quando o mar bate na rocha, é preciso saber o que é mar e o que é espuma.

FLORES MINEIRAS

O PT de Minas Gerais firmou a imagem de que está enfraquecido. Os jornais narram uma batalha infinda por nada. A legenda fez suas prévias sabendo que o vencedor seria aquele que cederia sua candidatura a Hélio Costa, o candidato do PMDB. Nasceu com a mesma previsibilidade do corte da cabeça de Ciro Gomes (PSB) na sucessão presidencial.

O ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, Fernando Pimentel, venceu o pleito consciente de que seria preciso compor com o PMDB, para não envenenar as articulações nacionais. Em primeiro lugar, a candidatura Dilma. À imprensa, as negociações com o PMDB são iluminadas para não desagradar as bases mineiras. Derrotado nas prévias, o petista Patrus Ananias conhece o jogo decifrado pelo senador Wellington Salgado (PMDB): “Já está tudo acertado. Podem até fazer um charme, mas no final vão entrar na nossa limusine”.

Após a vitória, Pimentel garantiu, em sua primeira conversa com jornalistas, que não iria “abrir mão do palanque único”. Ou seja, já sinalizou o acordo com o PMDB. “Tudo será resolvido com a boa política mineira”, afirmou o ex-prefeito de BH. Mas o baile prossegue: Pimentel será candidato? O PT arriscará a aliança nacional de Dilma? Pimentel vai esperar suas intenções de voto crescerem nas pesquisas?

No segundo colégio eleitoral do País, Fernando Pimentel só causará estranheza se fizer questão de sua candidatura a governador e atrapalhar a campanha de Dilma, da qual é coordenador. Minas não deve estar onde nunca esteve.

FLORES CARIOCAS

O rebolation eleitoral do Rio de Janeiro é protagonizado pelo casamento de Fernando Gabeira (PV) e César Maia (DEM). Como padrinhos, os pré-candidatos à presidência Marina Silva e José Serra. A Zona Sul vê desconforto, mas Gabeira, desde o início, não sentiu nenhum. Mil e uma notas sobre os benefícios da aliança, os conflitos éticos de Gabeira, as restrições de Alfredo Sirkis… Cimentada a aliança, tudo ficou assim como na canção “Cadeira vazia”, de Lupicínio Rodrigues: “Vou te falar de todo coração/ Não te darei carinho nem afeto/ Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto”.

Agora surge um novo drama lupiciniano. Que não existe. Gabeira apoia Marina ou Serra? O PV decidiu: ele é somente de Marina. O rebolation das notas públicas não esconde a verdadeira finalidade da candidatura Gabeira: fortalecer a campanha do paulista José Serra no Rio de Janeiro.

Cesar Maia, candidato ao Senado, apoia Serra. Em nenhuma entrevista, Gabeira nega sua preferência pelo ex-governador de São Paulo. Mineiro de Juiz de Fora, ele também elogia Marina. Indicado pelo PSDB do Rio para ocupar a vice, o ex-deputado federal Márcio Fortes peca por expressar a mais verde sinceridade: “Gabeira anda com ele”. Ele é Serra.

FLORES BAIANAS

Dizia o ex-governador Octávio Magabeira (1886-1960) que “o baiano é capaz de gastar 100 para o outro não ganhar 10”. Mas andam exagerando no domicílio eleitoral do Senhor do Bonfim. Para puxar a escada dos concorrentes, as plantações se intensificam no processo de escolha do candidato ao Senado, na chapa do governador Jaques Wagner (PT).

Depois da desistência do ex-afilhado de ACM, o senador César Borges (PR), Wagner pediu ao PT para debater o nome mais viável. De cedo, o ex-ministro da Defesa Waldir Pires demonstrou o desejo de concorrer a uma vaga do Senado. Esbarrou no petista ungido pelo governador e pela bancada na Assembleia Legislativa, o ex-secretário de Planejamento Walter Pinheiro.

Em 2008, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) abandonou sua candidatura à prefeitura de Salvador para apoiar Pinheiro, que estava mal nas pesquisas (perderia para o PMDB). Como retribuição, ele se comprometeu a não entrar no vespeiro do Senado, em 2010. Compromisso firmado no gabinete de Wagner. Agora, Pinheiro entrou na disputa. Quer a preferência. Lídice, até o momento garantida na segunda vaga do Senado, pode dividir o apoio da militância petista com um companheiro de chapa eleitoralmente menos competitivo.

Outro concorrente de Pinheiro numa provável disputa interna pela candidatura a prefeito de Salvador em 2012, Nelson Pelegrino sentiu-se livre para submeter seu nome ao partido na sucessão senatorial. Quer o passe daqui a dois anos. Na instância definitiva, quem decide a escalação é o governador, como esclarece o presidente do PT baiano, Jonas Paulo.

Porém, inúmeras flores nascem no asfalto. E na imprensa. Nas colunas de notinhas, Waldir é o preferido de Wagner. Maldade. Os dois lados riem fundo. Pois há um mês circulava que Wagner não queria ouvir falar do nome de Waldir. Ambos sustentam conversas respeitosas, mas, sem enganos, o governador não esconde a simpatia por Pinheiro. O que não o impede de repetir, adiante, o mineiro Magalhães Pinto: a política é nuvem.

O PMDB, liderado no Estado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, é apontado por petistas como o ervanário das notícias desencontradas, para tumultuar as decisões do rival. Geddel não quer a candidatura de Waldir, ao lado de Lídice, porque arriscaria ainda mais a campanha do senador César Borges (PR) – o qual, segundo o PSDB, já perde nas pesquisas para o ex-aliado ACM Júnior (DEM).

COGUMELOS GAÚCHOS

O PSDB anuncia: o PP gaúcho vai apoiar a reeleição de Yeda Crusius e a candidatura José Serra. Crescem as chances de Dornelles ser vice de Serra – os jornalistas se antecipam. No mesmo dia, o PP desmente: sem aliança proporcional, não há acordo. “Se dependesse de mim, eu recomendaria que fizesse (a aliança)”, declarou Serra, em visita ao Rio Grande do Sul. E, se dependesse de Dilma, o PP se aliaria ao PT, apesar do veto da executiva pepista.

No eterno retorno brasileiro, Paulo Maluf janta em 24 de abril com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra. Em honra da aliança Serra-Dornelles. Uai, o Maluf? Como especialista em passado, ele disse à Folha de S. Paulo: “Se eu pudesse ser um conselheiro, eu diria (a Serra): ‘olha, pensa de maneira séria’. Porque ele (Dornelles) adiciona tempo (de TV) e adiciona voto. E tem mais: é um candidato com um passado nota dez.”

Até parece conversa de Maluf.

Sem Tirar de Dentro (por Daniel Pinheiro)

Há muito venho tentando me redimir de meu passado sombrio como ilustre escritor desconhecido, e não mais ser tão irônico ao que escrever. Claro, dentre as vantagens de ser desconhecido, está o fato de que ninguém ao ler este texto possa imaginar a dimensão das bobagens que escrevi. Para não deixar no ar, só afirmo o que sempre tento explicar: nem tudo o que escrevo ou sobre o que opino reflete o que penso, mas sim, o que gostaria de pensar para que os outros possam pensar. Muitas vezes, sou propositalmente cínico, incoerente, ou absolutamente partidário de algo, apenas para ver se isso incomoda alguém.

O fato é que, assistindo de camarote virtual (vulgo Twitter) tenho visto surgirem os mais nobres “opinalistas” sobre todos os assuntos. Alguns, figuras ilustres. Outros, desconhecidos. Como eu.

Sendo assim, pouso em solo infértil para falar de algo que, creio, entendo patavinas, mas simplesmente quero falar: a capacidade política de nossos representantes políticos.

Gosto da definição de política mais simples, algo como, “o exercício do poder”. Mas, antes, ocupar-me-ei das descrições “wikipédicas” para o termo, que segue:

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Wikipedia (Política – Aristóteles)

Política (em grego Πολιτικα, em latim Politica), é um texto do filósofo grego Aristóteles de Estagira. É composto por oito livros (I: 1252a – 1260b, II: 1261a – 1274b, III: 1275a – 1288b, IV: 1289a – 1301b, V: 1301b – 1316b, VI: 1317a – 1323a, VII: 1323b – 1337a, VIII: 1337b – 1342b) e não existem dúvidas acerca da autenticidade da obra. Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre. Ao mesmo tempo, Aristóteles compôs para Alexandre duas obras de caráter político que se perderam: Os colonos e Sobre a monarquia.

Na filosofia aristotélica a política é a ciência que tem por objeto a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na pólis) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis). O objetivo de Aristóteles com sua Política é justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão. Por isso mesmo, a política situa-se no âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam o conhecimento como meio para ação.

Segundo o filósofo:

“Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política” (Pol., 1252a).

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Opa! Sou um descuidado, e acabo por começar como qualquer “opinalista”, expondo o primeiro achado cibernético sobre o tema, correto? Pode ser. Ou posso começar exatamente por onde deveria, pelo filósofo que, como citado no texto, tinha por objetivo “investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão”. Paro por aqui, trazendo o segundo achado “wikipédico”, fazendo mais uma vez a romaria dos “opinalistas”:

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Wikipedia (Política)

Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa).[1] Nos regimes democráticos,a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.

A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “polis”, nome do qual se derivaram palavras como “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas européias modernas através do francês “politique” que, em 1265 já era definida nesse idioma como “ciência do governo dos Estados”.[2]

O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-Estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.

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Avancemos um pouco mais. A definição, sim, está relacionada com aquela, da própria obra de Aristóteles, pois remonta uma origem etimológica de seus tempos, e tem em seu significado a organização da vida coletiva. Ora, sou um defensor da coletividade em tempos em que o individualismo é um meio de sobrevivência, e como candidatíssimo a “opinalista” barato, ouso citar o fato de que boa parte da soberba de nossos políticos de hoje (e não ouso classificá-los como cidadãos, nem de hoje nem de ontem) vem de sua honrosa pretensão em descolar o sentido de política da noção de coletividade.

Os polítcos de hoje, a exceção de poucos, sequer escondem sua preferência pelo poder. Salvo engano, tempos (não longínquos) atrás, o nosso agora ex-governador Roberto Requião expressou sua relação íntima com o poder, sua necessidade de poder. Reafirmo que não sou partidário de coisa alguma, mas, de todos as coisas que ouvimos neste nosso dia-a-dia de vida em grupo, essa não foi das piores. Ao contrário: escutar um político falando de sua paixão* pelo poder é algo quase que impensável, em um mundo onde o marketing do “bom moço” ou da “boa moça” domina o cenário da luta pelo voto. Então, parabéns Requião.

(*Nota: tão logo publicamos, Requião corrigiu o que havíamos exclamado como paixão, com a seguinte nota pelo Twitter: Vc esta equivocado. Para mim poder é instrumento de mudança não paixão. Aproveito para, então, esclarecer a opinião e reiterar, assim como fiz pelo Twitter, os parabéns por ver um político assumindo que poder faz parte da política, como muitos não fizeram. E isto, continuo, não significa que sou partidário de suas ideias, ou tenho alguma simpatia por seu partido, também esclarecendo, já que alguns estranharam o fato de eu tê-lo parabenizado, publicamente, e por duas vezes, tanto no blog quanto no twitter).

E, parabéns também a todos que o criticaram e usam isso contra o próprio. Significa que, pelo menos, uma das premissas políticas estamos seguindo, se queremos um dia alcançar um mundo democrático: o debate. Apesar de cheio de “achismos” e de “opinialismos”, o cenário político brasileiro, em 2010, sofrerá, no bom sentido, seu maior abalo: a quantidade de “opinialistas”, misturados a “profissionais” do ramo, farão circular o maior debate da história das eleições brasileiras, pelo Twitter. Ajudado pelos veículos “tradicionais” da imprensa, que beberão e muito desta água, os “opinialistas” e os “profissionais” promoverão a maior troca de informações sobre os mais diversos assuntos. Há quem diga que isto será um prato cheio para os profissionais de marketing, que irão ter batalhões à postos para rebater a tudo que não favoreça ao seu cliente. E tenham a certeza de que, do outro lado, um outro exército estará pronto para, em um sincronismo impensável, responder à altura. E assim será, meus nobres amigos: o twitter ficará “ilegível” nos meses e dias próximos ao exercício plenamente parcial de nossa cidadania: o dia do voto!

E, neste dia, descobriremos que de nada valeu o debate, a “pseudodemocracia” criada pelo Twitter, e por sua vez, buscada por nós. No final, serão os opinalistas, profissionais e marketeiros os protagonistas da política que só quer o poder, e nunca, a real preocupação com a vida feliz do cidadão. Infelizmente, o próprio cidadão não sabe que o é, ou esquece para comprar uma bandeira, uma estrela, uma ave, um escudo, seja o que for; em uma militância sem rumo, em uma escolha de cartas marcadas, em um redistribuição de um poder que nunca foi nosso.

Fica o aviso, mais que batido, de um “opinalista” que torce por um mundo melhor, mais justo e mais democrático: vote consciente. E assuma o que fez.

Por: Daniel Pinheiro

Carregar o Peso? (por Carlos Kiatkoski)

Podem falar o que quiserem. Mas continuo a defender a geração cara pintada. Ok. Era um bando de adolescentes que saiam as ruas para “protestar” com os rostos pintados como quem vai à guerra, com gritos de ordem e músicas inflamadas contra o governo corrupto, mais ao menos faziam isso. Hoje no máximo o que se vê é uma reunião para se ir ao shopping paquerar, ou quando muito, os protestos se limitam ao playground do condomínio. Onde esta a juventude desse país? Zumbis, nada além disso. Seus cérebros pertencem à televisão, assim como a sua vontade.

Com tantos meios de comunicação a disposição e eles só usam isso pra fofocar no msn, vasculhar a vida alheia nos sites de relacionamento (orkut, facebook, twiter), ferramentas essas que mobilizaram milhões de pessoas em abril deste ano na Moldávia, um país menor que Curitiba, e levou a uma sucessão de protestos contra supostas fraudes nas eleições.

No entanto aqui as coisas funcionam diferente. Enquanto políticos da base aliada, principalmente o PT, se escondem atrás de jornais, ou então fazem discursos fora dos microfones para que possam candidatar-se novamente nas próximas eleições e não sofram com isso nenhuma espécie de represálias por parte de candidatos opositores ou mesmo para que seus eleitores não os castiguem nas urnas.

Cenas como essas são lamentáveis, mas ocorrem em nosso país. O pior é que essas cenas já fazem parte de nosso cotidiano, ou seja, tornou-se comum e logo caíram no esquecimento. A grande mídia logo encontrará outros acontecimentos para pautar as discussões nas rodas de amigos. O futebol vai tomar espaço cada vez maior nas conversas na mesa do bar, e a política, bem, essa fica para as próximas eleições.

Sinto-me, de certa forma, responsável por todas essas maracutáias que estão acontecendo em nosso cenário político atual. Isso por que não faço uso de um dos maiores poderes que possuo, o voto. Vou queimar meu título em sinal de protesto. Vou arcar com as conseqüências de tal ato, mas diferentemente dos senadores, vou encarar meu carrasco com a cabeça erguida sabendo que fiz a coisa certa e não tenho medo de ser punido por isso.

Estou cansado de espernear, já estou rouco de tanto gritar. Já basta!!!!

Carlos Eduardo Kiatkoski