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Não Confie em Ninguém (por: Daniel Pinheiro)

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Gostaria de começar este artigo de outra maneira. Aliás, gostaria mesmo que ele tivesse outro título. Jamais pensaria em chamar atenção contando uma mentira ou, apenas, sendo sensacionalista. Nem tampouco, teria a simples intenção de chamar atenção, não é nosso objetivo. Infelizmente Continuar lendo Não Confie em Ninguém (por: Daniel Pinheiro)

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O Governo e a Amazônia

A questão da Amazônia será eterna, por sua importância. O que não dá e para ficar parado, ou calado. Tudo bem que às vezes acho que a estratégia do Greenpeace é mais extrema do que deveria. Mas cada vez mais tendo a concordar que me parece o único caminho, pois parece impossível dialogar enquanto o interesse econômico for superior à luta pela sobrevivência de todos.

Boa sorte!

Daniel Pinheiro

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Investigação do Greenpeace implica grandes marcas na destruição na Amazônia e comprova que o governo brasileiro é sócio da devastação

Em: 31 de Maio de 2009

Fumaça proveniente das queimadas para limpar a terra para pecuária ou agricultura. O crescimento da pecuária é responsável pela maior parte do desmatamento do país e também a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa.

Investigações de três anos do Greenpeace sobre a indústria da pecuária brasileira revelam que marcas de fama mundial como Nike, Adidas, BMW, Gucci, Timberland, Honda, Wal Mart e Carrefour impulsionam, involuntariamente, o desmatamento da Amazônia. A pecuária brasileira é hoje o maior vetor de desmatamento no mundo e a principal fonte de emissões de gases do efeito-estufa do Brasil. O estudo do Greenpeace revela também que, nessa missão de devastação, a pecuária conta com um sócio inusitado, que tem entre suas atribuições zelar pela conservação da floresta amazônica: o Estado brasileiro.

O incentivo de sucessivos governos brasileiros ao desmatamento da Amazônia ganhou impulso durante a ditadura militar, nas décadas de 60 e 70. Mas até recentemente, a substituição de floresta por pasto era financiada por dinheiro público na forma de subsídios. No governo Lula, o Estado, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), transformou-se em sócio e investidor direto de frigoríficos que, segundo a investigação do Greenpeace, compram sua matéria prima de fazendas que desmatam ilegalmente, põem seus bois para pastar em áreas protegidas e terras públicas e utilizam mão de obra escrava.

O relatório A Farra do Boi na Amazônia rastreou, pela primeira vez, a ligação da carne, do couro e de outros produtos bovinos de fazendas envolvidas com desmatamento ilegal, invasão de áreas protegidas e trabalho escravo com marcas famosas como Adidas/Reebok, Timberland, Carrefour, Honda, Gucci, IKEA, Kraft, Clarks, Nike, Tesco e Wal-Mart.

“Marcas famosas de tênis, supermercados, automóveis e bolsas de grife devem garantir que seus produtos não estão envolvidos com os crimes praticados pela indústria pecuária brasileira”, disse André Muggiati, coordenador da campanha de pecuária do Greenpeace.“Práticas como essa põem em risco o futuro de uma indústria importante para a economia brasileira. Combatê-las é fundamental não apenas para o meio ambiente, mas também para aumentar a competitividade da pecuária nacional aqui e no exterior”.

A investigação do Greenpeace mostra que o governo Lula quer dominar o mercado global de produtos pecuários em geral e dobrar a participação brasileira no mercado internacional de carne até 2018. Para auxiliar a expansão do setor, o governo federal está investindo em todos os elos da cadeia de abastecimento – desde a produção nas fazendas até o mercado internacional. Em troca do financiamento público, o governo se tornou acionista de três gigantes da indústria brasileira de pecuária – Bertin, JBS e Marfrig, responsáveis por alimentar a destruição de grandes áreas da Amazônia.

“O governo Lula está cumprindo a profecia do General Garrastazu Médici, que dizia que a Amazônia seria ocupada pela pata do boi”, disse Paulo Adário, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace. “Ao financiar a destruição, o governo dá um sinal claro de que já fez sua opção pelo velho modelo desenvolvimentista de ocupação da região praticado pelos militares durante a ditadura, ao mesmo tempo em que tenta posar de bom-moço nos fóruns internacionais”.

Entre 2007 e 2009, as cinco maiores empresas da indústria pecuária brasileira, responsáveis por mais de 50% das exportações de carne do país, receberam US$ 2,65 bilhões do BNDES. Os três frigoríficos que receberam a maior parte do investimento público foram a Bertin, uma das maiores comercializadoras de couro do mundo; a JBS, a maior comercializadora de carne, com controle de pelo menos 10% da produção global; e a Marfrig, a quarta maior comercializadora de carne do planeta.

A expansão da pecuária no Brasil está concentrada na Amazônia. O maior incentivo econômico para esta expansão é a falta de governança. A frágil presença do Estado na região significa, na prática, terra e mão-de-obra baratas. O resultado é que a pecuária ocupa, atualmente, cerca de 80% de todas as áreas desmatadas na Amazônia. O país é o quarto maior emissor mundial de gases do efeito estufa, principalmente por causa da destruição da floresta.

“A expansão do gado na Amazônia está transformando a região num verdadeiro abatedouro de árvores, dificultando a habilidade do país em cumprir sua meta de reduzir em 72% o desmatamento até 2018”, disse Muggiati.

A publicação do relatório do Greenpeace se dá no momento em que a bancada ruralista está encabeçando uma ofensiva no Congresso Nacional para enfraquecer a legislação florestal brasileira e legalizar o aumento do desmatamento. “Não adianta bancar o líder nas negociações internacionais se, dentro de casa, o governo apóia o pacote de maldades do setor do agronegócio, que ainda opõe desenvolvimento econômico à proteção ambiental. É preciso olhar para frente e usar a atual crise climática como a melhor oportunidade de construir uma economia de baixo carbono para o Brasil”, completou Adario.

Durante as próximas duas semanas está sendo realizada em Bonn (Alemanha) a segunda rodada de negociações internacionais que vão culminar na conferência do clima da ONU, a ser realizada em dezembro, em Copenhague (Dinamarca), quando líderes mundiais devem fixar metas para reduzir drasticamente as emissões globais de gases do efeito estufa.