Deu no Estadão!

Amigos, o texto a seguir de autoria do ilustre Miguel Reale foi publicado em 02 de fevereiro do ano passado no Jornal O Estado de São Paulo, ‘Estadão’ para os íntimos. Não, não fiz nenhuma pesquisa nos arquivos da redação, apenas recebi o texto por e-mail e confesso que embora não seja de jeito nenhum telespectador desse tipo de programete, senti sim uma pontinha da orelha sendo puxada e então percebi que o sucesso deste gênero de entretenimento está diretamente ligado à nossa absoluta falta de critério em selecionar o que assistimos e mais ainda, ao que permitimos que seja assistido pelos nossos.

Definitivamente o tal do BBB a exemplo de Faustões e Gugus, lá em casa têm audiência zero, muito mais pela antipatia que o formato do programa conquistou entre nós do que por avaliarmos mais pormenorizadamente os efeitos nocivos do ‘reality’ na educação dos meus filhos e na formação de seu caráter. E aí confesso que o mesmo cuidado de seleção não é dispensado ao saldo da programação. Tomando por base o que nos é divulgado a título de índices e números atingidos pelo programa, devo deduzir que um cuidado ainda menor é observado pelo restante da nossa sociedade e daí o que vemos como resultado é uma perigosa deterioração de valores fundamentais à formação de uma sociedade mais justa, ética e com limites. Assim, se no tempo da vovó, mostrar as vergonhas em horário nobre era inadmissível, no tempo de nossos pais passou a ser questionável, hoje é comum e amanhã será nada, pois quanto mais pouca vergonha melhor. E nessa balada vamos acabar achando bem normalzinho ‘deputado’ com castelinho de 60 milhões e outras sacanagens afins. Um grande abraço a todos, Raul.

Big Brother Brasil

Autor: Miguel Reale Júnior (*)

Programas como Big Brother indicam a completa perda do pudor, ausência de noção do que cabe permanecer entre quatro paredes. Desfazer-se a diferença entre o que deve ser exibido e o que deve ser ocultado. Assim, expõe-se ao grande público a realidade íntima das pessoas por meios virtuais, com absoluto desvelamento das zonas de exclusividade. A privacidade passa a ser vivida no espaço público.

O Big Brother Brasil, a Baixaria Brega do Brasil, faz de todos os telespectadores voyeurs de cenas protagonizadas na realidade de uma casa ocupada por pessoas que expõem publicamente suas zonas de vida mais íntima, em busca de dinheiro e sucesso. Tentei acompanhar o programa. Suportei apenas dez minutos: o suficiente para notar que estes violadores da própria privacidade falam em péssimo português obviedades com pretenso ar pascaliano, com jeito ansioso de serem engraçadamente profundos. Mas o público concede elevadas audiências de 35 pontos e aciona, mediante pagamento da ligação, 18 milhões de telefonemas para participar do chamado “paredão”, quando um dos protagonistas há de ser eliminado. Por sites da internet se pode saber do dia-a-dia desse reino do despudor e do mau gosto. As moças ensinam a dança do bumbum para cima. As festas abrem espaço para a sacanagem geral. Uma das moças no baile funk bebe sem parar. Embriagada, levanta a blusa, a mostrar os seios. Depois, no banheiro, se põe a fazer depilação. Uma das participantes acorda com sangue nos lençóis, a revelar ter tido menstruação durante a noite. Outra convivente resiste a uma conquista, mas depois de assediada cede ao cerco com cinematográfico beijo no insistente conquistador que em seguida ridiculamente chora por ter traído a namorada à vista de todo o Brasil. A moça assediada, no entanto, diz que o beijo superou as expectativas. É possível conjunto mais significativo de vulgaridade chocante? Instala-se o império do mau gosto. O programa gera a perda do respeito de si mesmo por parte dos protagonistas, prometendo-lhes sucesso ao custo da violação consentida da intimidade. Mas o pior: estimula o telespectador a se divertir com a baixeza e a intimidade alheia.

O Big Brother explora os maus instintos ao promover o exemplo de bebedeiras, de erotismo tosco e ilimitado, de burrice continuada, num festival de elevada deselegância. O gosto do mal e mau gosto são igualmente sinais dos tempos, caracterizados pela decomposição dos valores da pessoa humana, portadora de dignidade só realizável de fixados limites intransponíveis de respeito a si própria e ao próximo, de preservação da privacidade e de vivência da solidariedade na comunhão social. O grande desafio de hoje é de ordem ética: construir uma vida em que o outro não valha apenas por satisfazer necessidades sensíveis. Proletários do espírito, uni-vos, para se libertarem dos grilhões da mundialização, que plastifica as consciências.

(*) Miguel Reale Júnior, advogado, professor titular da Faculdade de Direito da USP, membro da Academia Paulista de Letras. Fonte: O Estado de São Paulo, 02 de fevereiro de 2008.

(O TEXTO NÃO ESTÁ COM OS PARÁGRAFOS EM SUA DIVISÃO ORIGINAL, POR TER SIDO REFORMATADO DURANTE A EDIÇÃO DO POST NO BLOG. PEDIMOS DESCULPAS AO AUTOR).

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Para reflexão, nossas boas vindas!

Interessante para reflexão, isenta de paixões, sobre alguns pontos que merecem nossa atenção, sobretudo no que diz respeito aos rumos que as coisas estão tomando hoje. Pra nossa geração o que aconteceu ontem, naquele período, infelizmente não ficou registrado nos anais da história com a devida fidelidade, posto que tal obscuridade interessa a ambas as partes, já que ambas tiveram no desenrolar desse período seu lado de médico e seu lado de monstro. Então é evidente que pra nós cada parte conta seu lado médico e acusa o lado monstro de seu oponente, daí que “o desvirtuado e corrosivo ‘ouvi dizer’” acaba inevitavelmente fazendo parte de nossa fonte de pesquisa.

Não se pode admitir um retrocesso de 30, 40 anos, mas urge a necessidade de discutirmos uma alternativa a esse modelo de “avanço” que aí está e que definitivamente não serve aos propósitos de uma nação que se pretende democrática, desenvolvida e de primeiro mundo.

Hoje ouvi pelo rádio duas noticias que me despertaram profunda preocupação, embora não me tenha causado nenhuma estranheza, mas somos assim, estamos diante do caos, mas não nos preocupamos com ele até que alguém nos esfregue a porcaria nas fuças.

Bem, vamos às noticias:

1- Uma pesquisa, se não me engano do IBGE, revela que no Brasil 17 milhões (pasmem, 17 milhões) de crianças e jovens adolescentes em idade escolar estão fora das escolas e das que estão na escola a grande maioria não domina os princípios mais rudimentares de matérias básicas como português e matemática e um montante ainda maior não domina conhecimentos elementares compatíveis com as séries em que estão, numa cidadezinha do interior do Alagoas esse montante é de 99%, ou seja, apenas 1% dos alunos regularmente matriculados nesta cidade dominam os conhecimentos compatíveis com suas respectivas séries.

2- O governo brasileiro arrecadou em 2008 mais de 1 trilhão de reais (pasmem outra vez, 1 trilhão de reais) em impostos. Isso comparado aos índices de produtividade do país significa dizer que de cada R$ 10,00 que nosso suado trabalho produziu, a voracidade da máquina pública consumiu R$ 4,00!

Diante disso não precisa ser nenhum gênio da ciência política pra entender que este modelo de “avanço” político, social e etc e tal, não nos interessa e que, portanto é preciso reagir.

Porém, o que nos chama mais a atenção é que na década de 70 o filósofo, intelectual e pensador contemporâneo Pelé, quando fez seu milésimo gol, e ao contrário de certos charlatões por aí ele fez mesmo mais de mil gols, ele já profetizava “cuidem das criancinhas” e aquele governo e aquela sociedade não tratou de cuidar. O que tivemos a partir de então foi nas décadas seguintes uma explosão de miséria, violência e criminalidade que nos trouxe ao caos reinante de hoje.

Muito bem, ocorre que mais uma vez nós enquanto sociedade estamos nos omitindo diante do absurdo quer seja o alardeado na notícia 1, quer seja o constatado na noticia 2.

Ocorre, portanto que a falta de honestidade do Estado no trato do erário e a nossa inércia já estão gerando uma população de 17 milhões de desvalidos, dos quais a esmagadora maioria não terá num futuro bem próximo, muitas alternativas que não a marginalidade e o ‘engrossamento’ do caldo da miséria e contra isso, nisso nosso atual governo é mestre, surgirão as medidas de inclusão. E quais serão? Além dos programas eleitoreiros que oficializam a compra de votos por parte da situação, os tais bolsa isso e aquilo, criaremos também cotas nas universidades pra quem não conseguiu aprender ler e escrever, quer seja porque o ensino que lhes foi ofertado era de péssima qualidade ou porque sequer eles tiveram acesso a esse ensino ainda que ruim?

Uma coisa é certa, se ontem não estava bom, e não estava, hoje não melhorou, quando muito se não piorou, então do texto abaixo é preciso pinçar do todo alguns pontos que nos conduzem a tais reflexões, mas comparar aquela realidade com esta me parece pouco produtivo e quanto à contribuição de Caetanos, Chicos e Gils, eu particularmente acredito que estas foram muitos mais culturais do que políticas, porque nesse ponto acho eles foram tão enganados quanto nós e pode ter certeza que e quem recebe bolsa família, pode ter certeza que não ouve nem a pau Chico, Caetano e Gil. E mais, este senhores bem ou mal, isso é uma questão de ponto de vista, já fizeram a sua parte estão velhinhos, outros mais jovens que sigam promovendo sua revolução, mas o que esperar de uma geração que está sendo formada ao som de “Seu guarda eu não sou vagabundo…” ou “Vem que vem que vem quicando…”? É, esses que vão se catar mesmo!

Um abraço,

Raul.

Para os que não sabem de nada e para os que fingem não saber !!

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DITADURA MILITAR ????

( Jornalista PAULO MARTINS – GAZETA DO PARANA)

Está aí uma ditadura pior do que aquela que hoje insistem em apelidar de
‘ditadura militar’. Como nos dias de hoje, naquele período fui também um
crítico. Não lembro de ter sido perseguido, como insistem em afirmar que era
o hábito da época aqueles que, por falta de argumento para uma retórica
razoável, apelam sem disfarces para o desvirtuado e corrosivo ‘ouvi dizer’.
Que ditadura era aquela que me permitia votar ? Que nunca me proibiu de
tomar uma cervejinha num desses bares da vida após as vinte e três horas ?
Ou num restaurante de beira de estrada ?
Que ditadura era aquela que (eu não fumo) nunca proibiu quem quer que seja
de fumar ? Que ditadura era aquela que nunca usou cartão corporativo para as
primeiras damas colocarem até botox no rosto ou para outros roubarem milhões
de reais do povo brasileiro ?
Vi, sim, perseguições, porém contra elementos de alta periculosidade à
época, como o eram os Zés Dirceus, Zé Genoino, Dilma Roussef – a Estela –
Marco Aurélio Garcia, Diógenes, o assassino do Capitão Schandler, como os
que colocaram bombas em lugares públicos, como aquela no aeroporto de
Guararapes, cujo resultado foi a morte de gente inocente, ações de
subversivos que desejavam implantar no Brasil um regime comunista, e para
tal seguiam planos de formar nas selvas o que hoje, na Colômbia, chamam de
FARCs.
Que ditadura era aquela que permitia que a oposição combatesse o governo,
como ocorria com deputados como Ulisses Guimarães, apenas para se citar um
nome?
Que ditadura era aquela que jamais sequer pensou em proibir a população de
usar armas para se defender, como hoje criminosamente pretendem ?
Que ditadura era aquela que em nome da democracia, jamais admitiu invasão de
propriedades e jamais sustentou bandidos com cestas básicas em acampamentos
e jamais impediu a policia de agir, como a ditadura de hoje ?
Que ditadura engraçada aquela que chegou a criar até partido de oposição!
Curiosa essa democracia de agora, em comparação ao que chamam de ‘ditadura
militar’, ‘democracia que permite que ladrões do dinheiro público continuem
ocupando cadeiras no parlamento e cargos no governo e tolera até mesmo um
presidente alegar que ‘não sabia’, para fugir de sua responsabilidade para
com a causa pública.
Que ditadura militar era aquela que jamais deu dinheiro de mão beijada para
governantes comunistas, amigos de presidente, como ocorre com a ditadura de
hoje e, contra a qual não nos permitem sequer contestação ?
Que ditadura era aquela que jamais proibiu a revelação das fuças de bandidos
em foto e TV como ocorre na ‘democracia’ de hoje, numa gritante e vergonhosa
proteção do meliante, agressor da sociedade ? Escuta telefônica, eis mais
uma ação da ‘democracia’ de hoje e proibida à época ‘daquela ditadura
militar’.
Ah…é verdade…Aquela ditadura proibia casamento de homem com homem, sexo
explícito na TV alcançando crianças, proibia a pouca vergonha e não dava
folga para corruptos que eram cassados quando prevaricavam, sem permitir que
a sociedade fosse punida com a permanência no palco da corrupção dos
delinqüentes, que hoje fazem CPIs para tapearam a sociedade e se escalam às
mesmas como raposas cuidando do galinheiro.
Caetano Veloso está quieto em relação a essa ditadura que hoje aí está.
Apostasia de ‘seu ideal’? Na época lançou a música ‘É proibido proibir’.
Hoje se cala.
Quem ele ajudou a promover, junto com Chico Buarque, Gilberto Gil e outros,
está no poder.
Que pelo menos altere o nome da música para os dias de hoje para: ‘É
permitido proibir’. E que vá se catar!!!

"Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas". (Sen. Pedro Simon)