Ruídos (poesia)

O ranger da porta se confunde com o odor

Dos fétidos pedintes à porta da igreja

Que gemem suas dores e lamúrias

Confundindo o murmúrio das beatas em novena

Irritando o padre hipócrita que reza bêbado

Inebriado pelo amargo vinho barato e

Criticado por aqueles que o rivalizam

Mas não compreendem, pois tanto quanto ele

São hipócritas disfarçados em vestes nobres

Que nunca dignaram a ajudar aos pobres

Nem aos fétidos, que em seus mosteiros não param

Restando-lhes as beatas solidárias, que ainda rezam

Por seus filhos alcoólatras, drogados, estudiosos

Crianças felizmente tristes, nosso futuro

Que farão o governo do complexo caos

Incitando os clamores do povo, que em gritos

Clamam por ideologias concretamente abstratas

Fazendo ranger ainda mais as portas do poder

Que coage com os fétidos mendigos com seus porretes

Caceteando-lhes a cabeça, espancando-os como a animais

Fazendo-lhes sangrar até quase morrerem

Deixando-os mais fétidos, pobres e podres

Aumentando seus gemidos para que, eu,

Em minha redoma de mediocridade resista…

…à realidade

…à hipocrisia

…à intolerância

…ao clero

…ao povo

…aos deuses

(Daniel Pinheiro, agosto/2002)

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"Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas". (Sen. Pedro Simon)

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