Breve Crônica da (in)Eficiência

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Se você é uma pessoa muito sensível, não leia. Avisei!

50km separavam nosso hotel do Aeroporto. Era domingo, e precisávamos chegar às 7:00. Saímos 5h da manhã. Caminhamos uma quadra, e pegamos o ônibus 8 minutos depois. Descemos na esquina do metrô. Seguimos para a estação central. Seguimos de trem expresso para o aeroporto (mais 20 minutos). 6:10 estávamos no Terminal, e poucos e calmos passos depois, fazíamos o check-in com uma atendente simpática, que em menos de cinco minutos, chegou, ligou o computador, ajeitou a cadeira e abriu o balcão de atendimento. Tudo isso sem se preocupar, chatear, correr ou ter qualquer tipo de estresse. Tudo foi programado com uma pesquisa simples no Google às 4:50 da manhã. Tudo aconteceu como o previsto. Isto não é de outro mundo, e tudo isto poderia acontecer aqui. Eficiência significa segurança. Previsibilidade, planejamento, significa promover eficiência. Seria simples, se quiséssemos.

Mas, insistimos em fazer do jeito mais difícil – e caro! Uma hora esperando a van ontem a noite do aeroporto pro hotel no Rio. Hotel caríssimo. Mais quase uma hora esperando um check-in numa fila bagunçada, com atendentes nada prestativos ou educados. Precisávamos estar no dia seguinte (hoje), às 08:00 no aeroporto, que ficava a menos de 1km. Acordar as 7:00, tomar café e sair? Que nada: acordamos às 6:00, por sorte, pois a Polícia Civil fazia protesto em frente ao aeroporto. A fila de carros na frente do hotel denunciava o que acontecia adiante, a TV confirmava. O meu bom dia pro motorista da van não deu em nada. O mesmo abriu a porta do bagageiro e quase falou: te vira. Não precisou falar, eu entendi – e me virei. No aeroporto, uma bagunça, todo mundo xingando todo mundo pra estacionar. Não tinha mais Policiais, já haviam protestado (alertando quem chegava pra ter cuidado – não bastassem os arrastões e assaltos diários que passam mais na TV local que na nacional). Peguei as malas, no mesmo esquema “sevirol” e sem ver nem um dente ao menos do motorista. Desejei a ele um ótimo dia (ele deve estar precisando muito de um dia bom na vida, mesmo). No check-in, milagrosamente não havia fila. Havia, sim, um monte de funcionário da “Latão” sem a mínima vontade de estar ali. Falta de educação. Dois ficavam na entrada da fila para “dar informação” e quando pedi, não deram, só um “entra aí” (o mesmo “sevirol” do tiozinho da van). Ri. Entramos. O resto nem conto…1 hora no avião, aeroporto fechado no destino e esperando as “conexões chegarem”. Uma hora de atraso. E aquele péssimo humor de sempre da tripulação. Fiquei pensando: foi esse o destino que escolhemos.

É por isso que estamos pagando um alto preço (e vamos pagar ainda mais caro). Demos as costas uns para os outros, trocamos eficiência por “qualquer coisa tá bom”. E, como disse nossa nova amiga Astrid, a simpática atendente do bar do hotel que ficamos: “fodam-se os caralhos” (com um sotaque português acariocado), “é por isso que saí do Brasil”. Isso mesmo, fodam-se os caralhos!

Por: Daniel Pinheiro

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