E agora, Joseph? (por: Daniel Pinheiro)

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Fazer qualquer tipo de previsão sobre a política brasileira, a essa altura do campeonato, é mais difícil que usar um polvo para prever o resultado de partidas esportivas. O cenário é tão confuso e cheio de elementos que desafiam da inteligência ao bom senso, que tornou-se simplesmente impossível saber o que pode acontecer amanhã. Prever algo neste campo, portanto, definitivamente não é nosso objetivo.

Do ponto de vista das possibilidades institucionais, no entanto, temos alguns caminhos que foram sendo desenhados. Todos, sem exceção, de forma torta. Vamos a alguns deles…

  1. Impeachment da Presidente Dilma: desejo de alguns, sonho de outros, o impeachment começou a ser cogitado justamente após a derrota do grupo concorrente nas últimas eleições. Depois, tomou corpo graças à incompetência do atual governo em manter acordos e costurar alianças internas para a chamada governabilidade. Some-se a isso a confusão institucional provocada pelas ações da Operação Lava a Jato, que desestabilizou de cargos loteados a amizades, quebras de laços pessoais, dentro dos diversos poderes. O clima favoreceu o fortalecimento do PMDB, o eterno coadjuvante, que se somados os cargos e barganhas, ganham mais que os atores principais. Resultado: o verdadeiro caos e a falta de um mínimo de articulação interna, somada à implacável caça ao Cunha, permitiram que o processo caminhasse. Não parece que vingará até o fim, mas dará muita dor de cabeça. Se tiver êxito, teremos um governo Temer. Vantagens? Provavelmente, com o apoio do empresariado e uma aparente facilidade em criar laços (entre favores e habilidades pessoais) algo acontecerá, principalmente no campo da economia, esquecido pelo atual governo nos últimos 700 dias (ou mais) ao que parece. Desvantagem? A mais óbvia é que este é o objeto ao qual os apoiadores do atual governo se referem como golpe. No dia seguinte, é capaz de esse aparente ar de governabilidade e a tão sonhada estabilidade institucional a qual necessitamos tanto caia por terra com uma enxurrada de ações para derrubar o “novo” governo. Além disso, tem peso forte o argumento de que um governo do PMDB atrapalharia em muito as investigações da Lava Jato, com seus caciques implicados nos mais diversos escândalos de corrupção – assim como boa parte de nossos políticos.
  2. Renúncia da Presidente Dilma: a renúncia, um caminho alternativo e quase impensável para muitos dos apoiadores do atual governo, parece a menor das possibilidades. Só ocorreria partindo de um grande acordo de bastidores, o que seria uma desvantagem óbvia: haveria algo de muito podre no Reino. A julgar pelas ações da Chefe do Executivo, é improvável que ocorra, mas em acontecendo, mitigaria parte da oposição a um possível governo Temer, bem como daria um fôlego maior ao PT para eleger Lula em 2018. Vantagem para alguns, desvantagens para outros.
  3. Realização de novas eleições: aqui, abrimos campo para as duas possibilidades. Caso seja realizada por vontade do governo, como um grande acordo (maior ainda que a renúncia) como aventam alguns, e possível que a partir de janeiro de 2017 tenhamos algo acontecendo em Brasília, com um menor desastre institucional que as opções anteriores, e um “ar” menos torpe do que seria democracia, na aparência. [Atualizado em 05/05, 19:18] Mas, assim como na opção anterior, só seria possível após um grande acordo. Além do mais, quem seriam os candidatos? Porém, é possível que novas eleições se dêem a partir da cassação da Chapa Dilma-Temer, e tudo depende do resultado do atual processo de impeachment. Está claro que o judiciário está “cozinhando” a cassação, mas que há chance de aumentar esse fogo em breve (ou apagar de vez a chama). Caso ocorra desta forma, sabe-se lá como e quando teremos um governo, abrindo perspectivas caóticas nos próximos capítulos. Ou não.
  4. Tudo fica como está: pessoalmente, acho uma das possibilidades mais concretas, atualmente, de acontecer. Não desejo isso, encontra-se no campo dos meus pesadelos mais sinceros, mas os últimos fatos apontam para isso. Caso aconteça, que os processos – de impeachment, cassação e tudo que vier – não continuem a simplesmente parar o país, e que o governo comece a trabalhar, e executivo e legislativo façam o mínimo pela nação, antes que cheguemos ao fundo do poço – que está longe, mas a queda vai doer muito. Acho que este (ficar como está) seria o maior golpe à real democracia, e consolida o discurso que democracia é somente a representação por voto: e se você votou em corrupto, incompetente, cale-se, pois o voto é a única expressão desta democracia.

Bem, eis os primeiros desenhos que posso colocar por aqui. Tenho outras opiniões – já mudei algumas, inclusive enquanto escrevia. O cenário pode mudar a qualquer momento, a qualquer minuto. É uma emoção que eu não gostaria de ter. Não se trata de uma brincadeira, não se trata de bandeira política: trata-se de valores de uma nação sendo jogados pelo esgoto numa briga pelo poder.

Não sairemos desta mais fortes, tenho certeza. Se sairmos, já estamos no lucro. Todavia, mantenho meu passaporte comigo e muito bem cuidado.

Fica o DESAFIO: mandem suas opiniões para publicarmos.

Daniel Pinheiro

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