Onde nos perdemos? (Por: Daniel Pinheiro)

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Todas as montadoras optaram por uma estratégia interessante: colocar os preços de seus carros em disparada, obviamente para as alturas. Não fosse o fato de os terem aumentado constante e substancialmente nos últimos anos, agora culpam o dólar (se alguém quiser contribuir, com dados sobre o aumento de preços, e não me deixar falar bobagem sozinho – ótimo, pois não tenho os dados nem vou pesquisar).

Hoje, relendo algumas das matérias que “justificam” o aumento de preços, essa culpa atribuída ao dólar me fez refletir: primeiro, por quê então não deixar os chineses (ou quem quiser vir) sem os altos impostos que quase os expulsaram? É muito fácil operar num mercado como o Brasil, sem competição alguma. Independente da quantidade de empresas que por aqui operem, todas – sem exceção – entram num jogo de variáveis conhecidas (custo Brasil, incerteza cambial, consumidor tolo) onde parece que o determinante de preço pouco tem a ver com equações, mas somente com comportamento – pelo menos neste mercado.

Se simplesmente voltarmos no tempo, talvez para alguns seja fácil explicar: a Ford lançou o EcoSport no Brasil sem preço ou carro. Era a única opção SUV (que eu gosto de chamar de FrankenSUV – um Fiesta remontado com carroceria quadrada e mais alta). Acontece que o desejo do mercado por estes tipo de carro era tão grande que muitos foram ao pré-lançamento e, mesmo sem carro, disseram o quanto pagariam (pois não havia uma “tabela”). Em seguida, a Ford precificou. Assim, um carro de baixo custo de produção e alto valor de mercado salvou o ano – e alguns anos, – da Ford (quiçá tenha salvo a presença da marca no país). Hoje, temos até algo “bonitinho”

Mas, feliz proprietário de EcoSport daquela época, não se sinta ofendido: você não fez bobagem sozinho! Ano após ano, vários consumidores só pioraram esta história. A Honda, talvez, nunca tenha sentido nem um gosto amargo, pois até hoje seus operadores devem rir muito do quanto pagamos – felizes – por seus carros, medíocres (mas melhores que 90% do que aqui é vendido, acredite).

Os únicos carros com preços honestos aqui, talvez, sejam do ramo de luxo, ou de segmentos superiores. Ou eram. A (aparente) facilidade de crédito, fez a corrida ao “ouro” aumentar, e muitos optaram por carros cada vez mais completos e luxuosos. Logo, para manter a distância dos carros médios, os carros de luxo passaram a subir. Os carros “debaixo” da pirâmide baratearam para atrair consumidores? Claro que não, ficaram ainda mais caro. Chega a ser ridículo ver carros 1.0 com alguns acessórios na faixa dos R$40-50mil (ou mais ridículo ainda vê-los sairem dos pátios).

Enfim, me pergunto: onde nos perdemos? Como deixamos isso acontecer? Simples. Montadoras elegem políticos, por estas bandas, desde sempre. Mandam no mercado em que operam, desde muito tempo. Governos não enfrentam montadoras por razões óbvias. Assim, caberia ao consumidor – pobre tolo (ou pobre e tolo) – tentar usar o mínimo de racionalidade, e não emoção, ao comprar um carro. Já era, estamos estragados. A bomba vai estourar, e ou teremos uma massa de trabalhadores na rua (e os carros continuarão caros, sem vender, não há volta), ou alguém está apostando num milagre.

Daniel Pinheiro

P.S.: Este texto não deve ofender ninguém, é só uma provocação. Tabelas com os preços de carros – e justificativas para tal – assim como qualquer informações para complementar o debate serão muito bem vindas. Ou continuaremos a ser, assim como já disse: tolos.

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