Inércia: Princípio ou Fim (por: Daniel Pinheiro)

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Quando adolescente, nunca tive problemas com as aulas de Física ou Matemática. Ao contrário, sempre me saí bem com disciplinas com base no cálculo ou na lógica. Ao escolher fazer Administração no vestibular, porém, em alguns meses toda a minha habilidade com números parecia desaparecer, e dar lugar a um outro tipo de conhecimento, típico das ciências sociais aplicadas. A partir daí, nada do que eu havia estudado em Física, por exemplo, parecia fazer sentido ou utilidade. Isso me gerou certa revolta, típica da época, pois poderia ter me dedicado muito mais a outras coisas: como ao “nadismo” por exemplo – ao invés das horas dedicadas às fórmulas e cálculos que tomavam folhas e folhas do caderno.

Foi, só depois de um tempo na faculdade – e de um erro ao ler o formulário de matrícula – que caí em uma disciplina de análise de dados, algo como uma estatística avançada para a graduação, que retomei o gosto pelos números na administração, mas levando-os para outro patamar. Acho que por isso, sempre fui averso à finanças, mas comecei a me interessar por pesquisa aplicada, utilizando métodos quantitativos. Não aplicar, não planejar, não calcular, mas ler estes dados, me parecia uma forma de aplicar a mesma lógica que, outrora, me era algo comum.

Mesmo assim, me faltava algo. Parecia ter me resolvido somente com a Matemática, mas a tal da Física continuava a não ter sentido. Veio o Mestrado, o Doutorado, e até bem pouco tempo, não via sentido nenhum no que estudara, somente lampejos na música, na compreensão básica da mecânica e no cálculo para frear antes do radar e não levar multa. Fora isso, o sentimento ainda era o de ter jogado tudo fora. Onde eu poderia, por exemplo, aplicar as Leis de Newton, que fui obrigado a decorar, fazendo o que eu faço hoje? Vejamos o que diz a Wikipedia (em Latim, pro post ficar chique):

Lex I: Corpus omne perseverare in statu suo quiescendi vel movendi uniformiter in directum, nisi quatenus a viribus impressis cogitur statum illum mutare. (Inércia)

Lex II: Mutationem motis proportionalem esse vi motrici impressae, et fieri secundum lineam rectam qua vis illa Imprimatur. (Dinâmica)

Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi. (Princípio da Ação e Reação)

Vejam só, que por um acidente, descubro que a política brasileira hoje, segue rigorosamente as Leis de Newton. Podemos observar, por exemplo, o caso Cunha x Dilma como algo assim: Lei III: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em sentidos opostos.” Ou, ainda, quem vai negar que o PMDB (e alguns outros) nos últimos anos não foi algo assim: “Lei II: A mudança de movimento é proporcional à força motora imprimida, e é produzida na direção de linha reta na qual aquela força é aplicada.” Ou, por fim, quem não diria que o nosso país (não)anda exatamente assim com seus ativistas de sofá: Lei I: Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele”.

Sinceramente, para explicar esse Caos que vivemos, só mesmo estudando muito. Haja paciência!

Por: Daniel Pinheiro

 

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