Extra! Extra! (por: Daniel Pinheiro)

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Ao ler o título, o que primeiro lhe vem em mente? Se a resposta for – “nada” – ou você não teve uma boa infância, ou é muito novo. Raros eram os desenhos ou filmes que não faziam referência a um garoto ou jovem jornaleiro, anunciando a novidade e vendendo seu folhetim. Este, pra mim, é o retrato que marca a “verdadeira Era da Informação”.

Digo isso, pois conheço pouquíssima gente que, hoje, se atualiza. Pelo menos com coisas sérias. As pessoas sabem (fingem) de tudo, quando na realidade parece que não detém mais nada. Tem sido cada vez mais difícil encontrar uma conversa de bar interessante, ao ponto de esticar o pescoço da mesa ao lado para ouvi-la. Na verdade, já fui a lugares onde não se ouve nada, só um irritante barulho sinalizando chegada de mensagens, e olhos vidrados no telefone.

Teoricamente, a tecnologia deveria oferecer (e oferece?!) uma gama de possibilidades para se aprofundar o conhecimento. Porém, reconhecer uma boa informação não é tarefa nada fácil. Exige conhecimento, preparo, que poucos se interessam em ter hoje em dia.

Confesso que estou longe de me considerar – ou querer ser – um intelectual. Apenas, por natureza do trabalho e de minha infinita curiosidade, tento ler de tudo que é possível, de toda a natureza, espécie e qualidade, exercitando o meu cérebro, preferencialmente dos dois lados. No caso particular de ser brasileiro, (in)felizmente os últimos anos tem sido “esquizofrenicamente” complicados. Por qual motivo uso essa expressão?

No campo da política, um “diálogo” entre uma esquerda e direita que nunca existiram. Debates tão vazios quanto possível, ao ponto de, coxinha versus caviar ter sido o que de mais interessante surgiu nesse tempo. Além disso, são monólogos disfarçados de diálogo, o que justifica o uso da expressão; na ação política, agentes que governam para si mesmo em nome de um povo inexistente, novamente justificando a expressão; no campo moral, uma completa falta de senso, onde se trata como valor aquilo que realmente não é – novamente, justificando o que lhes falo.

Em breve perceberemos que informações úteis nos fez muita, mas muita falta mesmo, nos últimos anos.

E, qual o motivo me levou a escrever este texto, e hoje? Simples. Penso que amanhã, dia 01/12/2015, seja um marco de nossa ignorância e esquizofrenia. A economia e política vem dando sinais de completos fracassos, e a só aumentam as asneiras, e os comentários desnecessários. Mas, talvez, neste dia aconteça o inevitável, e até apareça um garoto gritando, ironicamente: “Extra, Extra… Nunca antes na história desse país nos f… tanto”.

Daniel Pinheiro

 

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