Os Opostos se Atraem (por: Daniel Pinheiro)

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A vitória do candidato de centro-direita na eleição presidencial da Argentina, o empresário Mauricio Macri, causou certo alvoroço em terras tupiniquins nas últimas horas – e certamente será “assunto” nas redes sociais nesta segunda-feira. Já são claras manifestações de esperança, euforia e, até mesmo, parece quase certa uma nova derrota do “populismo social” por estas bandas.

É preciso, no entanto, provocar algumas reflexões bem pontuais. A primeira delas, e particularmente a que eu prefiro, é que grupos conservadores tem frisado a vitória do “conservadorismo sobre o populismo”, comparando o então Kirchinerismo ao Lulismo ou PTismo (Nota: socialismo, comunismo e outros ismos também são percebidos em discursos mundo virtual adentro…).

O fato é que os governos que perduram por bandas Argentinas e pelo lado de cá demonstram mesmo certo apelo social, doses cavalares de populismo, e pouco sucesso no campo econômico, e fomentam o jogo de “a culpa é do outro” que é uma estratégia comum nesse campo. Tais características simplesmente acentuam a descrença nos governos, marcados por claros sinais de corrupção e descontrole social, somando-se a um cenário de pouca credibilidade da economia dos países, fazendo com que grupos mais conservadores, apareçam e ganhem força, o que explica, por exemplo, a crescente popularidade de Jair Bolsonaro, antes figura tida apenas como uma caricatura de uma tímida direita brasileira. Surge, por estas bandas, também o Partido Novo, com claras propostas e bases na direita, numa tentativa de criar, de alguma forma, oposição política ao que vem sendo tomado como “política do senso comum” nas últimas décadas. Se lograrão êxito?  O tempo dirá.

A segunda reflexão é a que menos prefiro: mudam-se as peças, mas o jogo é o mesmo. A Argentina poderá nos responder, em tempo, se esta mudança será real, ou será apenas a troca de peças. Pessoas sérias por aqui (e não cutucadores de redes sociais) terão, pelo menos, dois anos para analisar o nível de mudança para o povo argentino e avaliar até que ponto precisamos mudar. Acho, e é minha opinião, que sim, precisamos mudar. Afinal, foi a própria turma do “Lulismo” que martelou o discurso de necessidade de mudança para se manter a democracia, e que agora não quer largar o osso. O único problema é que, por aqui, ou se muda radicalmente (caindo nos poucos que ainda são esquerda, mas não mostram segurança nenhuma, ou no único de Direita, mas que ainda engatinha e precisa se fortalecer na sociedade), ou nos manteremos nos domínios do quarteto nada fantástico: PT, PSDB, PMDB e PP, com as migalhas trocadas com seus parceiros, e a conivência dos demais atores.

E, por fim, antes de comemorar (ou odiar) a vitória do Macri na Argentina, considere o tamanho daquele, e deste país. Pois, qualquer que seja o nosso próximo grande líder (e de fato precisamos muito de um líder, senão o poço que cavamos ficará ainda mais profundo) não é com ele que devemos nos preocupar: é com a formação do Congresso, e principalmente, com a mudança já no próximo ano, na imensidão de prefeituras nesse país. Se liga, cabeção!

Daniel Pinheiro

 

 

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