Síndrome do Unicórnio (por: Daniel Pinheiro)

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Sejamos sinceros: unicórnios existem? Por mais que o “não” pareça a resposta mais óbvia, faça um exame de consciência e se pergunte de novo: “unicórnios existem”? Repita o exercício e você perceberá que, a cada momento, criamos um unicórnio. O impensável, o inimaginável, é uma ambição tão grande, que tornamos quase que um hábito transformar utopias, fantasias, em realidade.

Na década de 1990, quando a computação tomava fôlego, avançando para a casa das pessoas, e especialmente nos anos de 1995-1996 quando a internet começou a conectar indivíduos no Brasil com o mundo, aquilo que chamávamos de mundo tornou um espaço cada vez menor, em sua imensidão. Essa hiperconectividade parece nos ter aproximado de uma forma, tão veloz, que não percebemos mais algumas fronteiras. Assim foi com a realidade: derrubamos de maneira fácil e irresponsável as fronteiras entre o real e o imaginário. Na minha opinião, o grande problema não está na derrubada deste muro que separa o real do imaginário, cavalos de unicórnios. Está no fato de que trouxemos para a sala um unicórnio, tirando-o do seu espaço de sonho – e colocando-o no meio da sala, oras!!!

O fato de eu transformar um inocente cavalo cornudo em possibilidade real não é algo bizarro, por si. É muito pior quando pensamos que fazemos isso todos os dias. Nas universidades, tenho visto se discutir muito menos realidade e muito mais utopias. Nas ruas, idem. Nas redes sociais, pessoas se fantasiam tanto, a ponto de assumirem que o unicórnio é a única possibilidade plausível, e que cavalos – poxa, são apenas meros cavalos!

Assim, esse mundo de unicórnios, contado e recontado de geração para geração, parece tomar formas. Só, que não estou vendo nenhuma criatura capaz de se entender nesse mundo de fantasia, e o que mais me parece, é que o dono da via láctea chamou todos os malucos do universo para uma festa, e eles se encontraram na Terra.

Daniel Pinheiro

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