Quem disse que estudar não vale a pena? (por Daniel Pinheiro)

debatepronto…EU JÁ DISSE!

Já recebi diversas críticas por valorizar demais a inteligência. Não seja por isso, que venham as próximas críticas. Aliás, não estaria escrevendo não fosse o fato de eu apenas ter retomado o blog inspirado por amigos que apresentam uma inteligência fora do comum. Minha estratégia de vida, sempre foi simples: cercar-se do necessário. Por isso já disse que estudar não valia a pena, e certamente me arrependo. Claro, não é fácil conhecer a todos, e meu julgamento nunca é perfeito. Mas tenho amigos de todos os tipos, com toda espécie de inteligência, e isso que importa.

Pode parecer um ato extremamente egoísta. Acertou, é! Tento balancear meus círculos sociais medindo o potencial de contribuição das pessoas. É por isso que sou, assumidamente, sociopata, e fiz questão de reunir vários de nós em um grupo no Facebook chamado #SociopatasFC. Agora, decidi abrir um espaço no blog para trazer algumas coisas do nosso mundo para cá. Sim, do nosso. Aliás, será um péssimo sinal se você não foi convidado para o grupo, me conhece, e – terceiro terrível sintoma – continua a ler um artigo de alguém que já declarou ser extremamente egoísta, e cercar-se do necessário.

O sociopata reconhece não apenas em si, mas nos outros, as suas próprias necessidades. Costumo, na minha ignorância, ao estudar sociopatias ler muito sobre o lado perverso destes seres, que em meus cálculos, só se multiplicam, favorecidos pelo contexto atual.

Bem, o fato é que devemos voltar ao assunto principal: estudar. Recentemente, comentei com meu amigo Danilo Melo (que ao ler este post deve estar pensando porque é meu amigo) que uma de minhas frustrações foi não poder ter estudado – formalmente – coquetelaria. Aliás, só havia feito essa confissão para o barman do fabuloso bar Cão Véio (SP) que me desafiou, na noite em que estive lá, com alguns coquetéis, para testar meus conhecimentos. E fui bem (eu acho).

Fã de coquetéis clássicos, com meu nível social e de renda, na época não frequentava (nem imaginava quando poderia) lugares que oferecessem os melhores, bem feitos. Tentei estudar, mas foi em vão. Passei para o Mestrado e segui minha vida? Claro que não.

Um sociopata, egoísta por natureza e centrado em si, certamente seguiu seu próprio caminho. Li – muito -, pesquisei (não tínhamos internet) e tentei aprender o quanto possível. Apesar de só ter minha coqueteleira 10 anos depois, improvisava com copos alguns coquetéis e misturas. Com o tempo, frequentei bares, e continuei aprendendo. Valeu à pena! Dificilmente fui enganado em um bar, com um coquetel clássico.

Aliás, foi a coquetelaria que inspirou o meu estilo de cozinhar, não apenas por usar em minhas receitas o álcool, mas por saber que mais importante que a receita, esta a técnica e uma boa dose de concentração e (ins)piração. Me ajudou muito, também, quando comecei a progredir em vinhos. Me interessei por estudar – também para não ser enganado, nem me enganar. Hoje, coleciono uma quantidade de conhecimento que me é suficiente, e obviamente, aquilo que não sei, tenho acesso aos amigos necessários à consulta. O que vale para a cerveja, whisky… (confesso que, cachaça, ainda me saio melhor que meus contatos).

Ou seja, estudar me economizou muito em ressaca e frustrações. Tive um professor, de programação, que sempre falava: “não se envergonhe de trabalhar com um livro debaixo do braço”. Nunca esqueci esta – que foi na verdade a única lição do curso inteiro – e sigo sempre estudando, buscando saber mais. É uma atitude egoísta? Completamente. E das mais saudáveis.

Esta era a mensagem – se é que tinha alguma – de gratidão pelos acessos que dobram a cada dia aqui no Debatepronto. E este é, apenas, o terceiro artigo depois de nosso retorno.

Voltarei ao meu coquetel, que aliás, acabei de publicar a foto em meu perfil do facebook como um aperitivo para este artigo, mas segue abaixo. Um coquetel estudado, minha própria versão de alguma coisa… pelo menos, pude aproveitar o que tenho em casa. Aliás, deixo minha receita, logo abaixo. O nome, uma homenagem a um grande amigo e professor em meu Doutorado, que disse em seu primeiro dia de aula que íamos “ler até ter sangue nos olhos”. Enjoy!

SANGUE NOS OLHOS

1 pt Suco de Limão
3 pt Suco de Tangerina
1/2 pt Grenadine (Xarope de Romã)
3 pt Saquê
Açúcar e Gelo à Gosto

Esfrie a coqueteleira com duas pedras de gelo. Acrescente o açúcar, o suco de limão e de tangerina e o saquê. Na taça (ou copo) coloque gelo picado grosseiramente para mantê-la gelada, algumas rodelas finas de limão e despeje o grenadine por sobre o gelo. Misture rápido. Sirva lentamente.

P.S.: Peço desculpas pela qualidade da foto, que não destacou as cores ainda não misturadas, o vermelho e o laranja formando nuvens. Bobagem, porque isto está maravilhoso!

coquetelFoto: Daniel Pinheiro

 

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