Tempo Não É Dinheiro (por Daniel Pinheiro)

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AVISO: Este artigo contém doses cavalares de ironia, sarcasmo, e um desequilíbrio propositalmente absurdo entre verdades e mentiras. Se não gosta disso, leia só por curiosidade mesmo.

TEMPO NÃO É DINHEIRO…

…tempo, é tempo. Pura e simplesmente. O uso do tempo, o bom e adequado uso, isto sim, tem o potencial de transformá-lo em dinheiro. Ou não. E nos últimos anos, o que eu mais vejo é a capacidade de transformar o tempo em custo.

Há pelo menos 15 anos me interesso pelo tema “negociação”. Consequentemente, dediquei parte de meus estudos – acadêmicos ou não – a processos decisórios, tomada de decisão e liderança. Reluto publicar sobre isso, porque não acho que tenha tamanha competência para falar sobre, mas hoje resolvi arriscar-me. Sendo assim, o que eu trago é algo bem simples e particular deste universo que eu gostaria de falar: reunião.

O famigerado monstro chamado “reunião” tem, nestes anos que me dedico a observar certos comportamentos, consumido boa parte deste recurso, tão precioso, que é o tempo. Ouso dizer que em 15 anos raras (e meus chefes, me perdoem – ou não!) foram as reuniões em que saí com a sensação de que, pelo menos, 10% do tempo não fora desperdiçado. Ou seja, 90% do tempo dedicado nestas reuniões eram simplesmente dispensáveis, do ponto de vista da eficiência.

Boa parte dos clamores contra o parágrafo anterior, certamente virão de pessoas que consideram que as reuniões são necessárias por questões inerentes ao relacionamento interpessoal (ou justificativas similares, as quais confesso a preguiça em descrevê-las em pormenores) ou, simplesmente, por questões relativas ao controle. O fato é que, quanto mais evoluímos em tecnologia, mais parece que retroagimos em segurança. E não falo de segurança física, mas sim, moral.

As reuniões passaram a ser um instrumento de coação – ou coerção – moral necessária para a insegurança de líderes que se portam como chefes por só saber o significado de liderança na leitura de livros de auto-ajuda ou de manuais de gestão. Estes, tornam os encontros menos produtivos que qualquer limite aceitável. Há, ainda que, em nome da produtividade, usam dinâmicas mirabolantes a pretexto de extrair “o melhor de sua equipe”. Muitas vezes, se encarceram em fábulas de sua própria arrogância, quando tem sob seu comando uma equipe, por exemplo, de pragmáticos e eficientes funcionários, que lhe dariam qualquer coisa que os pedissem, em 5 minutos ou em um formulário bem estruturado em um sistema que lhes permitisse lhe responder de uma praia qualquer na Tailândia (ou do ônibus, em meio ao engarrafamento – tanto faz, a resposta viria, e isso que deveria importar!).

Cruel? Talvez. O fato é que, reunião para legitimar insegurança tem sido a ferramenta principal de gestores, e principalmente, de muitos que neste momento devem estar em seu notebook, tablet ou celular, em meio ao nada, lendo este artigo e confabulando horrores quanto ao que escrevi. Só lhes digo: perda de tempo. Preocupe-se, sim, em rever seus objetivos. E pare de fazer reuniões para planejar próximas reuniões (sim, já participei de várias destas, e é uma das coisas mais idiotas do mundo!). Faça um favor para si mesmo, e pense o quanto você, seus colegas e sua organização poderia ganhar com um pouco mais de objetividade. Afinal, por mais que digam que o cafezinho é legal, no fundo, muita gente tá mesmo a fim de ir pra casa e abrir uma cerveja bem gelada. Saúde!

Por: Daniel Pinheiro

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