2014: O ano que nunca existiu

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Geralmente deixaria para escrever no final deste ano. Mas, como já deixo claro no título, este ano não existiu, e não existirá, pelo menos para nós, brasileiros. Sabe-se lá porque devassa cultural, herdamos e repetimos insistentemente dois comportamentos bastante nocivos: “começar” o ano após os festejos de carnaval, e rezar para qualquer feriado virar uma semana livre.

Não bastassem estes motivos – que já nos perseguem todos os anos – a pseudo liberdade adquirida para se viajar loucamente consumiu também as energias – e o suado dinheirinho e alguns pontos dos cartões – daqueles que se largaram mundo afora em uma aventura de compras e gastança. Aos que preferiram ficar pelo país, amargaram os caros preços do turismo nacional.

Quando tudo parecia ter começo, eis que vem o novo fim: a Copa do Mundo. Mais um mês sem que o ano desse as caras por aqui. Você pode pensar: mas no intervalo entre o carnaval e a copa, nós…? Nós, nada. Nos dedicamos ao pessimismo em relação a Copa ou a cega arrogância de que seria bom para nós. Seria, mas precisaríamos ter aproveitado mais. Não bastasse, a desgraça alemã que recaiu sobre a pífia e mesquinha seleção canarinho, fechou com chave de ouro as possibilidades de sairmos da letargia com ânimo renovado. O filho pródigo, o preferido, deu sinais de quem realmente é: um velho cansado, que fora amamentado nos covis da loba CBF e que de lá, só fica pior – e mais mal educado!

– Agora vai! – pode pensar o desavisado. Ledo engano, meu caro. Ninguém vai a lugar nenhum. Assim como previ no começo do ano, repito, aqui, minhas palavras: teremos neste ano o processo eleitoral mais sujo e covarde de todos os tempos. Isso ocorrerá em nome de coisas que nos farão acreditar serem boas por si (e não por sua aplicação e essência), como a democracia, a liberdade, a mudança. Todas elas, falseadas em discursos prontos, como sempre, mas com um agravante: falácias replicadas sem reflexão nenhuma por um exército de pessoas dos mais variados credos políticos, e que apenas seguem a manada.

Então, não vai! Será um debate improdutivo, cansativo. Ganhe quem ganhar, nós perderemos. Aliás, já perdemos, jogando fora um ano inteiro, improdutivo, em que cavamos somente mais um degrau de nossa rasa cova. Até mesmo aquele que ganhar, só poderá mover-se em 2015, mesmo que tenhamos mais do mesmo. O que aliás, teremos de qualquer forma.

E que todas as entidades – escolha a sua – em que possamos acreditar em sua existência tenha piedade de nós, porque 2015 pode querer vingar-se. E o castigo será cruel.

Daniel Pinheiro

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