Carta Aberta ao Deputado Pastor Sargento Isidório – Por: Carlos Kiatkoski

debatepronto

*carta enviada ao Sr. Deputado Estadual em seu e-mail.

Ilmo. senhor Deputado Estadual,

O senhor deveria cuidar de seu rebanho e não do que se passa na televisão. Como um Deputado suplente das Comissões de Direitos Humanos e da Comissão Especial da Promoção da Igualdade pode querer processar uma emissora por exibir um beijo entre pessoas do mesmo sexo? O senhor sabe do que se tratam
estas Comissões? Tem ideia do são Direitos Humanos ou mesmo Promover a Igualdade? Pelo visto vossa excelência não tem a menor ideia. Neste caso, o senhor deve retirar-se de tais comissões no futuro, uma vez que as Comissões Especiais já se encerraram ao fim da Sessão Legislativa.
Nobre deputado, o senhor como representante público deveria se incomodar com os gastos públicos realizados pelo Governo do seu Estado, com a miséria que afeta seus eleitores (sei que o senhor também compôs a Comissão Especial de Combate a Fome e, deveria ao menos, saber melhor que eu a respeito disso). O senhor, excelência, deveria questionar seus pares com os gastos e investimentos neste evento que se aproxima, a Copa do Mundo da Fifa no Brasil.
Senhor deputado, o que me incomoda neste país, e também deveria lhe incomodar excelência, é ver dinheiro público sendo gasto com Estádios e obras para um único evento de menos de 30 dias. É ver pessoas morrendo de fome, sofrendo com a seca. Cidadãos morrendo em filas de hospitais por falta de leitos  e não apenas por falta de atendimento médico, mas também pela falta de medicamentos.
Me incomoda, deputado, ligar a televisão todos os dias e ver a criminalidade tomar conta de nossas ruas. Ver a polícia agir com truculência, ver dependentes químicos serem tratados como marginais e não terem tratamento digno e adequado. Me incomoda, e muito, excelência ver as políticas de saúde de nosso país, as políticas de saneamento básico e educação.
Senhor deputado, políticos-religiosos como o senhor, mais preocupados em instalar uma teocracia e deixarem de lado a verdadeira razão pela qual foram eleitos, legislar em prol do povo, me incomodam demais.
E mesmo assim, vossa excelência, não saio por aí acionando o Ministério Público para que investigue pastores que pedem a senha do cartão do fiel ou então para os pastores que incitam o ódio dos fiéis aos homossexuais. Não cobro da Justiça para que julgue o pastor que não compareceu ao evento pelo qual recebeu fortunas. Não senhor. Vou as urnas e lá demonstro minha insatisfação. Vou a porta de uma de suas igrejas e questiono seus fiéis, ovelhas que balem o sermão do dia. Vou a rua e abraço um semelhante, apoio seu relacionamento com um igual. Sim, pastor-deputado, sou a favor do “casamento gay”, ou como prefiro chamar, união civil estável. Porém, excelência, não sou homossexual e tão pouco sou homofóbico. Sou cristão, pai de família e por seguir um dos principais ensinamentos de Jesus, mestre dos mestres – “Amai-vos uns aos outros como vos amei” – não prego o ódio, mas o repúdio a pessoas como o senhor que tomam atitudes como essas nos dias de hoje. Ainda mais constando em seu currículo a Comissão Especial de Inserção da Igualdade.

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