Sobre conhecimento, discernimento e bom senso

debatepronto

O nosso leitor Afonso Muller deu algumas ótimas sugestões de tema para o debate. O último deles, ouso escrever primeiro. A sua provocação era que escrevêssemos sobre “a importância do estudo (conhecimento) para a formação do discernimento (do certo e errado)”, e ousei começar por ela.

Há algum tempo penso em escrever, especificamente, sobre a importância em se estudar para alcançar o conhecimento. É preciso que eu deixe claro, para iniciar, que eu escrevo sob a seguinte perspectiva: estudo não significa conhecimento. Para alguns, sim, pois acreditam que o estudo pode responder exclusivamente pelo conhecimento. Eu apenas não concordo, pois não consigo agir de forma a determinar que o estudo traz conhecimento, simplesmente por acreditar que outras importantes variáveis estão neste processo, e é sobre elas que quero debater, e esta é a razão do texto.

No meu ponto de vista, o conhecimento resulta de um processo estruturado, o qual podemos resumir como estudo, mas também de sua aplicação prática na vida real – mesmo que no plano intelectual. Portanto, o estudo sem uso, para mim, não significa conhecimento.

Em continuação, penso que a informação sem debate, também não sobrevive, e simplesmente se perde em si mesma. Assim, o conhecimento também não é um conjunto estruturado de informações, mas depende das conexões dos debates. Neste ponto, os atores a quem se refere a discussão ou que participam dela, são igualmente responsáveis pelo conhecimento, e geralmente dão forma, além de conteúdo.

Sendo assim, as variáveis mais pessoais desta provocação – o discernimento e o bom senso – não são simplesmente fruto do conhecimento oriundo do estudo, mas de uma série de interconexões que se referem a um processo de estudo, aprendizado. Neste ponto, o debate torna-se fundamental, pois quanto mais elevado o nível intelectual, assim como as possibilidades de experimentações – mesmo que, admito para ser ainda mais provocativo, em nível utópico  – maior a possibilidade de relações de importância para aqueles que participam direta ou indiretamente do debate, ou ainda, para aqueles que se beneficiam de seu resultado.

Um processo formal de estudos apenas pode garantir um diploma, mas a experiência e à capacidade de colocar o conhecimento à prova pode elevar à um nível superior, seja de utilidade (no sentido mais brando que se possa dar a uma palavra tão mal falada na academia), seja de profundidade.

Assim, quando se deparar com uma discussão medíocre de um pseudo-intelectual, mesmo que diplomado, só me resta dizer: ignore. Este não aprendeu o básico do bom senso ou do discernimento, porque vive em seu mundo. Mas, lembre-se: talvez ele mesmo só aprenda sobre sua insignificância se você sair de sua zona de conforto, e provocar o debate.

Uma provocação não poderia terminar, portanto, sem mais um absurdo. Em tendo escrito isto, não apenas me coloco ao debate como afirmo categoricamente que o estudo me tirou parte da ignorância e da mediocridade, e bons e inteligentes amigos me ajudam, diariamente, a aprender a ter bom senso, a discernir.

Hoje, prezo sim por pessoas inteligentes, valorizo aqueles que falam corretamente sua língua, ou mesmo em não fazendo, não se preocupam em errar e perguntar como seria o certo. Estimulo todos aqueles, que como eu, querem sempre aprender algo, e acho que assim construímos a noção de bom senso, pelo equilíbrio social. Quando falo de inteligência, falo da soma de tudo isso, daquilo que pode nos fazer temer abrir um livro ou expor uma ideia. Se o certo ou errado depende dos acordos, é preciso, então, que todos entendam, em um nível razoável, qual é esse acordo.

Meu temos está, ainda, numa sociedade “fast food”, que consome a inteligência a partir de qualquer ponto de vista sem um debate. De uma academia que fomenta a formação de alunos que acreditam mais no Google do que uma tarde de leitura na biblioteca após uma manhã de debates em sala de aula. Empobreço, a cada minuto, em que aparecem mais certezas do que dúvidas no mundo.

Enfim, se há um consenso sobre bom senso, alguém me explique, pois decidi que a filosofia não é minha praia, e continuo buscando alguma forma de inteligência neste planeta. Além da minha, claro.

Daniel Pinheiro

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