Quando é da SUA conta! (Parte Final)

debatepronto

Começamos uma série de artigos sobre privacidade na internet, e desde o início o foco foi o famigerado mundo das redes sociais.

No primeiro artigo, “É da conta de quem?“, levantamos a questão da exposição, voluntária ou não, e portanto, da intenção. No segundo artigo, “A conta é mesmo de quem?“, a tentativa era provocar a reflexão acerca não apenas da intenção declarada, mas do direito a que se tem a conhecer as regras do jogo antes de entrar em campo. A exposição, portanto, pode ser intencional, uma escolha individual e uma representação de liberdade, se as condições para esta escolha permitirem que o indivíduo possa refletir antes de decidir.

Bem, retomado o fio da discussão, agora é hora de alguém pagar esta conta, e o escolhido foi… VOCÊ!

As redes sociais nada mais são que a representação das escolhas feitas por indivíduos como você que, supostamente, conhecem as regras do jogo. Apenas, muitos não refletem no poder potencializador que qualquer rede tem, muito menos suas consequências.

Li um interessante artigo que falava sobre a expansão das redes sociais, na mesma medida em que os riscos também são expostos. E aí, vamos ao lado aparentemente oposto de nosso artigo anterior, que no fim não é tão contrário assim…

Ora, quando desconhecemos as regras do jogo (seja qual for o motivo), e mesmo assim decidimos entrar, estamos sujeitos às consequências naturais, e neste campo, elas já são bem conhecidas. O problema é que, neste mesmo campo, começam a surgir não apenas os especialistas em “burlar” as regras do jogo, mas aqueles que, por escolha própria, estão à espreita da Chapeuzinho Vermelho que, mesmo na era digital, vai levar doces para a vovozinha sem saber do perigo que à espreita na floresta.

A Ana Maria, do artigo anterior, sabe que se for a praia com o pequenino biquíni certamente terá à sua espera alguns admiradores. Caberá a ela decidir sobre sua ida, pensar sobre os possíveis comportamentos, e proteger-se, se for o caso e achar necessário. Mas, a desprevenida e curiosa Chapeuzinho ignora todos os avisos, e sem conhecimento, caminha floresta adentro, onde os lobos famintos e aguardam-na salivando, à espera das guloseimas. Ah, e da vovozinha, claro. É, de fato, o comportamento nas redes sociais tem levado a consequências tão graves, que famílias tem sido atingidas por comportamentos inadequados e, muitas vezes, até não deliberados. Aplicativos que lhe expõem sem que você saiba ou cadastros impensados são os menores dos males. Lobos disfarçados sempre existiram. Inocentes Chapeuzinhos, não mais, há muito tempo.

Então, quem está errado? O Lobo que sempre foi Lobo, ou a Chapeuzinho, que não resolveu aprender e continua a por em risco a sua pobre vozinha?

De fato, nossa intenção não é achar culpados, mas provocar uma reflexão acerca do uso das redes sociais. O artigo mencionado acima, sobre os riscos da superexposição, menciona consequências aparentemente simples – mas que podem destruir sonhos profissionais de um candidato – na hora de uma contratação. Há poucos dias ouvia na rádio um comentário sobre o aplicativo Whatsapp (o qual, confesso, desconheço), que de importante ferramenta de trabalho passou a ser considerado, no mundo profissional, um desabono, dado o mau uso contínuo que as empresas tem detectado em seus funcionários. Posso imaginar o poder de estrago que uma ferramenta de comunicação deva fazer em um mundo onde todos acham que podem tudo.

Continuo a reafirmar minha posição contrária a censura e a defender a liberdade, desde que se permita à quem escolhe conhecer as consequências. De fato, é muito difícil que, em um país onde ao menos se consegue discutir o marco civil da internet de forma decente, se possa pedir que as pessoas sejam mais atentas ao uso das redes sociais. A tendência é estar cada vez correndo o risco à exposição em uma floresta sem lei. E, por consequência, a lidar com um mundo de descrédito, onde o máximo que conseguimos com um comportamento irresponsável é levar o lobo direto para a casa da vovozinha. Logo, se você não tem problema com isso, siga pela estrada afora…

Daniel Pinheiro

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