A conta é mesmo de quem? (Continuação)

privacidade

 

Fonte da Imagem: http://goo.gl/XKTWr1
(Créditos no site a Reinaldo, do "O Globo")

Biquini de Bolinha Amarelinha

(Celly Campello)

Ana Maria entrou na cabine
E foi vestir um biquíni legal
Mas era tão pequenino o biquíni
Que Ana Maria até sentiu-se mal
Ai, ai, ai, mas ficou sensacional

Era um biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho
Mal cabia na Ana Maria
Biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho
Que na palma da mão se escondia

Ana Maria toda envergonhada
Não quis sair da cabine assim
Ficou com medo que a rapaziada
Olhasse tudo tim tim por tim tim
Ai, ai, ai, a garota tá pra mim

Era um biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho
Mal cabia na Ana Maria
Biquíni de bolinha amarelinha tão pequenininho
Que na palma da mão se escondia

Ana Maria olhou-se no espelho
E viu-se quase despida afinal
Ficou com o rosto todinho vermelho
E escondeu o maiô no dedal
Acabou toda folia
Da mocinha da cabine
Mas quem é que não queria
Ver a moça no biquíni ????

———————————————————–

A escolha da música foi inspirada em um comentário recebido – acreditem em minha hipocrisia! – no Facebook, algoz de nossa exposição (e exposição literal) do artigo anterior.

“Redes sociais podem ser um ótimo veículo para o que é belo, para o debate aberto de ideias ou mesmo para o humor. É pena isto acontecer com pouca frequência, pois encontraria mais prazer em me expressar na rede, tenho apreço pela interação, mesmo com quem discordo das ideias, acho super saudável. Confesso, no entanto, que parece um monólogo a maior parte do tempo, na real, tenho achado bastante maçante. Agora com relação ao grau de exposição da vida pessoal, assunto monótono, pelo menos para mim,…bem…, cada um escolhe seu traje de banho e a praia que frequenta…” (Prof. Ana Paula Pereira.)

O comentário, além de bastante lúcido, vai ao centro da questão: a escolha. A música, complementa o meu pensamento, e esta segunda parte de minha provocação. Ora, se a Ana Maria é livre para escolher seu biquíni, quem é que não quer ver a moça nestes trajes, como finaliza a música?

Sou tão contrário a qualquer forma de controle e censura quanto disposto a lutar para que se deixem claras as regras do jogo – ou do uso da praia.

Quando qualquer um se expõe a deixar os seus dados em algum lugar, suas opiniões, ou até mesmo, a despir-se de sua privacidade, o faz por escolha própria. Ao frequentar uma praia como o Facebook, a Ana Maria sabe que tem muita gente que espera a moça de biquíni. Obviamente decide ir, também, porque tem seus interesses próprios.

Mas, vamos supor que a desinibição da Ana Maria tenha um limite. Será que ela iria frequentar tal praia se soubesse, por exemplo, que fotos com os mais diversos closes circulariam livremente por aí? Talvez. Mas certamente, pensaria mais em alguns detalhes de seu biquíni. Quando se expõe os argumentos e intenções de um lado, ou melhor, as regras do jogo – entrou, é fotografada, como no caso – o outro tem uma escolha mais qualificada. Pelo menos, em partes.

O quanto um usuário do famigerado Facebook – a quem tomamos de exemplo no artigo anterior, ou do Google – este sim, um implacável farejador de informações – conhece das “regras do jogo”. Bom, lhe faço uma rápida pergunta: quantos contratos de privacidade (aqueles em que você precisa concordar para criar a conta ou a cada vez que é alterado) você já leu?

O que o Google, Facebook, e diversos outros sites, aplicativos, enfim, a praia da internet está ali, a nossa livre escolha e uso, dentro de critérios, claros, de como nos é oferecido. Falta atenção e aprender é usar. É uma praia que vai quem quer, com a roupa que quer, e pode entrar ou sair a qualquer hora. Mas não pode reclamar das consequências. Se alguém lhe avalia, você permitiu. Mesmo sem você saber. Você foi a praia. Estava no contrato. Que você aceitou.

Sorria, você e a Ana Maria estão sendo filmados, fotografados, acompanhados, avaliados…

Daniel Pinheiro

3 opiniões sobre “A conta é mesmo de quem? (Continuação)”

  1. Belo texto! A maioria das pessoas sequer tem conhecimento sobre as praias onde pisam. Por mais que sejam ferramentas gratuitas, os usuários de diversas “praias” pagam um preço caríssimo para utilizar de ferramentas sociais: a própria privacidade. Muita gente utiliza a internet e nem tem ideia de como ela funciona.

    Aqui tem uma pesquisa sobre o Facebook e sua relação com a depressão: http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2011/03/28/peds.2011-0054.full.pdf+html?maxtoshow=&hits=10&RESULTFORMAT=&fulltext=facebook&searchid=1&FIRSTINDEX=0&sortspec=relevance&resourcetype=HWCIT

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