CONSUMISMO X CONSUMERISMO: O belo. (Por: Paulo Rink)

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental!”

A lendária frase, atribuída a Vinicius de Moraes, é a mais pura manifestação de culto ao belo. O poeta, pronunciava-a, naturalmente, em referência a beleza da mulher carioca e, por extensão, a brasileira. Na sociedade contemporânea nada é mais cultuado que o belo.

O belo corpóreo das academias, o belo das possantes máquinas, as roupas e os adereços pessoais. O belo é algo quase transcendental, algo como uma atribuição de valor, seja num produto, num animal ou nos humanos.

Aquele que é rotulado como “feio” é de certa maneira e, com ares xenófobos, descartado. Claro, que a parte feia reagiu. Frases surgiram como um antídoto para combater tal malvadez. Uma tentativa, quase frustrada, de reverter os maléficos danos colaterais. Assim, nasceu a indústria do belo, com um poderio avassalador. Culturas e cultos, ao belo, foram criadas, mantidas e levadas à adoração popular.

Mas o belo tem seu lado perverso. É em nome do “belo” por exemplo, que o Brasil desperdiça quase 30% de tudo o que é produzido de hortifrutigranjeiros. Mesmo num país onde boa parte de seus filhos quase nunca têm o que comer, ou, quando têm suas refeições são insuficientes em termos calóricos.

É nos hiper ou mega mercados que o belo se expõe. Mais, precisamente, no setor de hortifrutigranjeiros. Ali são criados, exclusivamente, ambientes de hedonismos. Não se trata, óbvio, de qualidade de saúde mais sim de ser “vendável”.

Tudo tem que estar belo e, se possível, parametrizado. As cenouras devem ter, todas, os mesmos tamanhos e as mesmas cores. Assim, sucessivamente, para todos os vegetais. Uma pena que a ficha da mãe terra ainda não caiu e ela continua a produzir em escalas de tamanhos desiguais.

Os que não se encaixam neste padrão de beleza vão, quase em sua totalidade, ao lixo. Foi pensando nisso, que um grupo de famosos chefs de cozinha paulistano, resolveu ir à luta e mostrar que não é bem assim.

Numa “colheita” nos lixos das feiras foram recolhidos alimentos que, supostamente, não teriam valor comercial. Estavam “feios”. Depois de tudo, devidamente, preparado foram servidos aos nobres, deliciosos pratos nos finos restaurantes, tudo acompanhado de bons vinhos e deliciosas champanhes. Um luxo retirado, por ironia, do lixo.

Segundo a ONU, as grandes emigrações no mundo globalizado se dão pelas guerras, pela escassez de água e de… alimentos.

Como pode uma sociedade que se auto intitula de “humana” jogar ao lixo 30% de sua alimentação em nome do belo e do vendável?

Eis uma das mais terríveis faceta da sociedade capitalista. A perda dos valores, a não compreensão entre o certo e o errado e o modismo exacerbado.

Paulo Cesar Rink.

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