Quanto vale?

O acirrado debate que se estende ao longo dos últimos anos acerca dos chamados direitos individuais, principalmente em se tratando das chamadas “minorias”, ou melhor, de parcelas da população – que acabam se tornando, juntas, maioria – com pouca representatividade ou poder político.

Muitas polêmicas giram em torno da necessidade de projetos e propostas mais “includentes” (ou, menos “excludentes, quiçá!), que permitam maior acesso das pessoas a determinados bens. Podemos citar dois exemplos claros: as cotas e o nivelamento dos cargos e salários para as mulheres. Ambos os casos dão e já deram inúmeros desdobramentos, que parecem debates e discursos ideológicos aparentemente sem fim.

Porém, raramente nos questionamos o porquê disso. Para alguns, a respostas vão nos remeter à bibliografias longínquas e distantes, outros vão bater na tecla da igualdade, dos fatores históricos de repressão e exclusão, da eterna luta de classes, e por aí vai. Mas… Por que negros? Por que mulheres? Por que índios?

O problema não é o que eles fazem, até porque não existe “eles”, somos nós que fazemos e sofremos isso, sim a sociedade, os seres humanos, o capital, as nossas relações. Paradoxalmente, são escolhas individuais, tomadas pela coletividade, que tomam corpo de preconceito ou de um processo excludente, no curto, médio e longo prazo.

Não conseguimos entender a fragilidade da sociedade que perdeu a noção de coletivo. Não há uma preocupação sincera com o outro e, ao que parece e pode ser, sinceramente, muito pior, o cuidado com o próximo só ocorre se tiver um rótulo, uma classificação de distinção: se for negro, pobre, mulher, homossexual, entre outras taxonomias de ser humano – criadas e dadas por eles mesmos.

Devemos nos preocupar mais com todos nós – COM TODOS! – independente da representatividade política ou qualquer outra variável. A solidariedade não é um sentimento, não é uma posse ideológica, nem ao menos uma postura social.

É difícil continuar a crer no descolamento da classe “ser humano”. Qualquer mulher não merece sofrer agressão, simplesmente porque ela é um ser humano; um cidadão negro não merece ser segregado, pois ele é ser humano; e assim por diante.

Acreditamos na necessidade das políticas e movimentos de inclusão, ao menos, para que o debate não seja esquecido. Não se critica pelo viés ideológico ou pela postura político-populista, muito pelo contrário, eles em uma sociedade politicamente insalubre, são políticas necessárias. Porém, entendemos essa reflexão como cabível a todos aqueles que buscam explicações morais para a nossa conduta.

Por: Marco Ferrari

Colaborou: Daniel Pinheiro

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