Sociedade Virtual e (des)Informação: Desafio Debatepronto

Comecei a acessar a internet exatamente no mesmo ano em que entrei na universidade. Em 1996, chegava à Natal o acesso público, via provedores, à grande rede mundial. Naquela época, já conhecia o poder da conectividade acessando à BBS com meu super hiper Fax Modem de 9.600Kbps (depois de “torrar” junto a uma placa-mãe que resolveu incendiar-se “espontaneamente”, virou um 14.400Kbps e, por fim, 28.800Kbps). Eram tempos em que a rede tinha um sentido básico: conectar-se.

O significado de criar conexões, até então, significava criar laços. Lembro que a maior sala de “bate papo” virtual tinha, então, um pico de 40 acessos numa noite (sem raios e trovões no Brasil). Em poucos dias o pico foi para 100, 120, milhares… o site da Xuxa (sim, a dos baixinhos), acredito que um dos primeiros sites brasileiros de entretenimento/”populares” trazia uma meia dúzia de informações mal distribuídas, e virava febre. As pessoas se empolgavam cada vez mais com a novidade. Lembro da primeira lista de e-mails que entrei (sim, lista de e-mails): era um fórum que debatia o fim do mundo, teorias de conspiração, dentre outras coisas. Achei muita loucura. Não o papo, mas era loucura conversar sobre o fim do mundo com alguém que eu não via. E se fosse ele o responsável, e só quisesse saber do meu plano para impedir?

Procuro demonstrar, neste início, um cenário que talvez alguns conheçam – mas, muitos, não puderam nem ter acesso. Fui privilegiado, com certeza! Sou de uma geração que viu muita coisa interessante começar – e terminar! Quando falo interessante, não julgo se é bom ou ruim. Acho que cada um tem o direito de julgar aquilo que é bom ou ruim. Mas, algo tem me chamado atenção nos últimos tempos, e tem a ver com meu papo com gente do mundo todo há uns 15 anos atrás: alguém está nos vigiando!

O Google o faz descaradamente. Mande um e-mail para alguém, e pronto: em pouco tempo uma onda de anúncios com assuntos “relevantes” surgirá para você. É a “inteligência” trabalhando em seu favor. Acesse um site, procure uma geladeira. Sabe qual a probabilidade de, em menos de um dia, receber dezenas de e-mail marketing convenientes com vários anúncios de geladeira?

Trabalhar esta inteligência, desta maneira, para mim não apenas é válida (sim, você fez a conta no Google… leu o contrato?) mas, como também, representa todo anseio de uma geração que, já 15, 20 anos, sonhava com isso: pode ter informações, usar de maneira dinâmica, explorar seu potencial.

Por outro lado, me preocupa o aumento significativo de pessoas com uma “ignorância” real, que nem o mundo virtual é capaz de explicar. Com o excesso de informações, basicamente qualquer coisa no mundo virtual vira uma verdade absoluta, especialmente, nas mãos de quem não tem o que fazer – ou, não sabe. E, pior, para quem tem péssimas intenções, ter muita informação e pouco leitor qualificado é um prato cheio. Até as agências de notícia, algumas que prestaram bons serviços por longos anos, sem internet, caem na tentação de espalhar qualquer coisa que pareça interessante.

Em um mundo de curtir e compartilhar, penso que precisamos ocupar espaço nessa sociedade virtual. Chamo os amigos do Debatepronto a um desafio: lotear estes terrenos! Vamos?

Desafio do mês: Sociedade Virtual e (des)Informação

Para quem não conhece, o Desafio Debatepronto é simples: lançado o tema, um pequeno contexto com um ponto de vista, fico no aguardo do seu texto. Você prepara um texto e envia para: daniel.m.pinheiro@gmail.com e nós publicamos! Simples, assim.

Que tal?

Daniel Pinheiro

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