Mulheres de Plástico

Por Adamastor Euclides

No mundo atual já não sabemos distinguir o real do imaginário. Parte dessa culpa é dos cirurgiões plásticos e suas “milagrosas” técnicas de embelezamento. A pergunta é: o que é real e o que é artificial?

É muito difícil, ou melhor, quase impossível não
se deparar com uma mulher artificial atualmente. Seios, barriga, e até mesmo a paixão nacional, o patrimônio cultural brasileiro, a bunda, também vem sofrendo com as intervenções cirúrgicas.

Essas alterações da natureza não tornam a mulher mais atraente, mas sim mais artificial, mais plástica, uma verdadeira boneca inflável. A diferença no caso é a textura da pele e a expressão do famoso quadro o grito (pra quem nunca viu uma boneca inflável não recomendo, é assustador).

Uma rápida busca no Google (ele é meu pastor e nada me faltará!) pode-se ver a quantidade de clínicas especializadas em cirurgia plástica (aproximadamente 2.360.000 resultados), inclusive empresas especializadas em parcelamentos do procedimento. Assustador.

Não é incomum jornais estamparem em suas capas casos de mortes ocorridas depois de procedimentos cirúrgicos estéticos. Na América do Sul, países oferecem procedimentos mais baratos, mas os riscos são inversamente proporcionais, ou seja, são mais altos.

Para que então enxugar aqui, esticar ali, levantar acolá? Onde estão as verdadeiras mulheres brasileiras? As que não ligavam para a celulite, se bem que isso é quase uma lenda, as que não se preocupavam com o tamanho dos seios e tão pouco com a bunda (tudo bem que muitas escondem)?

Onde estão as divas das praias? Que usavam sem pudores e prescrição médica biquínis fio-dental? Inclusive acredito que esta peça esteja em extinção pros lados de cá. As que saiam para longas caminhadas pela areia, somente para expor seus corpos à análise de juízes afoitos?

É, as mulheres de verdade estão em processo de extinção mesmo, o que nos resta é uma nova geração preocupada em consumir, não importa o que. Desde a proteção de celular que viu em uma novela (sim, a do soco inglês que a delegata da novela das nove usa) até uma pequena intervenção, um novo nariz, quem sabe?

Homem que é homem gosta de uma celulite, pois mulher de verdade tem que ter celulite. É tão atrativa quanto uma cicatriz. O homem de verdade não liga para o tamanho dos seios, ele está mais preocupado com o tempo que vai levar para ir para a cama com a mulher e não tanto com o que está levando.

Engana-se a mulher que acha que homem gosta do papo, quem gosta de conversar é cabeleireiro. Outra lenda, “ele gosta do mim do jeito que eu sou”, ok filha, está na hora de rever esse seu conceito, no mínimo você faz o que outras não fizeram ainda.

Homens gostam da companhia da mulher, muitas vezes é melhor ter uma mulher engraçada, aquela que sempre te acompanha nos churrascos, adora tomar uma cerveja gelada, gosta (e entende) de futebol, que faz academia quando dá, come frango com a mão, é simpática, não liga pra grana, é desencanada e ninfomaníaca.

Essa é a expectativa masculina. Não uma boneca ambulante, uma manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência dos exercícios da academia.

A mulher pode até mesmo ser cheinha (o politicamente correto me impede de chamá-las de gordas) se for boa companhia, a gordura tem solução. Pode até mesmo surtar quando você inadvertidamente larga aquela cueca azul desbotada e com o elástico frouxo no meio da sala, chatice se resolve também. Agora, as mulheres fabricadas as centenas em uma sala de cirurgia, bem, para a futilidade ainda não inventaram um remédio.

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