Super Heróis Tupiniquins

Por: Carlos Eduardo Kiatkoski

Um super-herói é um personagem presente no imaginário de todos. Responsáveis por façanhas sem precedentes, todas em prol do benefício público. Sempre em uniformes extravagantes, muitos com a cueca por cima das calças, estes “super humanos” possuem muitas vezes uma dupla personalidade. A identidade secreta e seu halter ego.

Na infância acreditamos na existência desses “super humanos” e suas façanhas, à medida que crescemos nos esquecemos deles e tentamos expiar nossas expectativas em seres reais. Sejam eles pilotos de fórmula 1, atletas (jogadores de futebol em sua maioria) ou mesmo profissionais que correm riscos como ocupação, no caso de bombeiros e policiais.

Essa carência muitas vezes se explica por não podermos resolver todos os nossos problemas, e com isso procuramos nesses “heróis” uma válvula de escape para a vida real.

E quando estes heróis mostram que são tão frágeis como um humano qualquer não escondemos a decepção, como quando um dos maiores “super heróis” nacionais faleceu, Ayrton Senna, mas logo procuramos outro para esquecer os problemas.

Os brasileiros, talvez por sofrerem tanto na vida real, são os que mais procuram super heróis não ficcionais. A cada ano somos obrigados a suportar uma avalanche desses novos candidatos, ao menos é assim que Pedro Bial apresenta à massa televisiva a onda descontrolada de desocupados que se propõe a brigar por R$ 1 milhão.

Mas e os verdadeiros heróis? Aqueles que passam o mês com um salário mínimo, e mesmo assim conseguem sustentar uma família? E os policiais, despreparados e mal remunerados que arriscam a única vida que tem para servir e proteger a população?

Esquecidos em linhas de matérias jornalistas, ou notas de rodapé de noticiários, estes heróis não viram notícia diariamente. Ganham seu espaço, reduzido muitas vezes, em notícias velhas.

Não é a toa que o brasileiro vê em pessoas como o mineiro de Paracatu, Joaquim Barbosa um super herói que luta contra os corruptos e a injustiça, doa a quem doer. Ao contrário dos personagens de quadrinhos, Barbosa não tem uma identidade secreta, seu uniforme é um paletó e uma toga preta. Seus super poderes são a Constituição e os conhecimentos adquiridos em sua longa jornada como jurista. Os super vilões nada mais são que empresários e políticos, todos reconhecidamente culpados de crimes como a corrupção e formação de quadrilha.

Nosso herói negro estampa capas de revistas internacionais, ocupa o noticiário mundial, porém em seu País o governo o coloca como desafeto. Talvez por ter desmantelado um dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia no Brasil. Não que outros não tenham ocorrido por aqui, mas neste caso os processos não acabaram em pizza.

Outra super heroína, também vem de uma classe social mais baixa. Esta também não tem um uniforme extravagante, a altura de seus “super poderes”. A acreana de Breu Velho, pequena comunidade no seringal Bagaço, Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, ou apenas Marina Silva, é reconhecia dentro e fora do país. Seus super poderes são a luta pela defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável. Seu uniforme são roupas discretas como sua personalidade.

Nos cinco anos e quatro meses em que esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a ser vista também como gestora competente. Uma de suas conquistas, talvez uma das maiores da pasta até então, foi o Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, que contou com o esforço integrado de 14 ministérios.

Graças ao projeto, o ritmo de desmatamento da Amazônia caiu 57% em apenas três anos, passando de 27 mil km² para 11 mil km² ao ano. Mais de 1.500 empresas ilegais foram desmanteladas, com a prisão de 700 pessoas.

Como sempre acontece com os “super heróis” nacionais, o primeiro reconhecimento veio da mídia internacional. O jornal britânico “The Guardian” incluiu a então ministra entre as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta.

Sua carreira não parou por ai. Infelizmente forças maiores a fizeram desistir, mas não parar de lutar. A sua resposta aos seus arqui-inimigos foi a candidatura a presidência da República em 2010, quando provou ao mundo que os brasileiros querem mudanças.

Infelizmente nós brasileiros somos carentes. Não só de educação, segurança, saúde, mas também de personagens que transformem nossas vidas, como estes que citei. As eleições estão próximas. Os candidatos e suas “realizações” já são conhecidos, só não podemos nos esquecer disso.

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