Não há mais mentiras nem verdades aqui, somente panis et circenses

E a Copa do Mundo que o Brasil já perdeu. Sim, com menos de dois meses para o início do grande teste para a Copa do (i)Mundo no Brasil, a famigerada Copa das Confederações, já podemos calcular os prejuízos.

O trânsito caótico por natureza em algumas cidades tornou-se ainda mais periclitante devido as “obras de mobilidade” que ao invés de melhorarem pioraram ainda mais o deslocamento. Empreiteiras contratadas abandonam as obras por falta de pagamento, novas licitações são realizadas, e os atrasos e investimentos só aumentam. Dinheiro, como prometeu o Molusco, não falta, o único problema é quem paga a conta é o povo brasileiro.

Enquanto algumas obras do Pac da mobilidade urbana causam mais transtornos do que soluções, os governos tremem diante da possibilidade de algumas (se não a grande maioria) fiquem prontas somente aos 48 min do segundo tempo. Resultado, os estrangeiros vão sentir na pele o que nós brasileiros passamos todos os dias. Horas e mais horas perdidas em engarrafamentos viários. Migrar para o transporte público, péssima ideia. A frota não cresceu no ritmo dos usuários, resultado, latas de sardinha ambulantes.

A resposta seria apostar nas bicicletas, mais baratas (sei), econômicas sem contar os benefícios para a saúde. O único problema é que não possuímos estruturas para este tipo de transporte. Ou as ciclovias são interligadas como na Colômbia, Holanda?

Os aeroportos podem parar

Não por causa das obras, que já deveriam ter sido realizadas há muito tempo, mas sim pela falta de investimentos em equipamentos para pousos e decolagens com tempo instável (chuva, neblina). A alegação feita pela Infraero é de que aeronaves que sobrevoam o território nacional não possuem o equipamento necessário para operar o sistema. Mais hein?? Companhias aéreas não propagam a ideia de terem a frota mais moderna do mundo?

Os atrasos freqüentes nos vôos de todo o país tem uma explicação. Quando se tem nevoeiro somente Guarulhos tem sistema mais preciso para pouso por instrumento, conhecido como “ILS categoria 2”.

Curitiba também tem, mas o engraçado que o sistema entra em manutenção coincidentemente na época de nevoeiro (o mais engraçado é que na mesma época serão realizados os jogos da Copa). Porto Alegre, Florianópolis e Confins não têm esse sistema. E sempre acabam fechados por causa de nevoeiro. Manaus, que tem uma localização extremamente estratégica e sempre tem nevoeiro, também não tem sistema ILS.

Sem contar os responsáveis por operar os radares e impedir um “apagão aéreo”. Controladores de voo são mal remunerados, apenas um controlador cuida de várias regiões do País e todos sofrem com a pressão do trabalho.

Vou de táxi…

Ao chegar a um lugar desconhecido a primeira opção, e a mais indicada, é a do táxi. Porém as coisas não são tão simples assim. Em algumas cidades, como exemplo Curitiba, faltam taxis para a população local, imagina na Copa? Tudo bem, há estudos para a criação de novas placas, aumentando assim a capacidade de transporte. Mas por enquanto não passa de uma discussão, nada concreto até agora.

O transporte público, saída mais lógica para o problema, não comporta o número de usuários diários. Em algumas cidades temos a opção de metrô, mas nem todas as cidades sede possuem esta alternativa.

Sem contar que menos de 1% dos taxistas fala outra língua, em alguns casos nem o português. Pense um estrangeiro, um alemão pedindo para o taxista levá-lo para seu destino?

Onde ficar?

A rede hoteleira, que não suporta nem sequer os turistas domésticos não criou novos leitos, nem sequer preparou seus funcionários para receber turistas estrangeiros (a maioria dos recepcionistas mal fala português, imagina outra língua).

Novos empreendimentos, prometidos pelas grandes redes hoteleiras nem sequer saíram do papel.

Onde vamos pelear?

Estádios ainda incompletos, obras faraônicas para ingleses, americanos, sul africanos, holandeses e muitos outros estrangeiros verem ainda não estão prontas, e em muitos casos nem saíram do papel.

As grandes arenas, palcos da competição que se aproxima, não tem suas obras em estado avançado, ou como em muitos casos, podem nem sequer ficar prontas a tempo. Caso fiquem será como o Engenhão, construído para o Pan Americano do Rio em 2007, e reformado a peso de ouro (com o dinheiro poderiam ser construídos outros dois novos estádios, sem contar em habitação, escolas, creches…) poucos anos depois (e recentemente interditado devido a problemas estruturais na cobertura do estádio).

Investimentos públicos altos em obras que se tornaram particulares. Como o caso do Itaquerão, presente do Molusco para seu time de coração, o Corinthians. Maracanã, o gigante de concreto, palco de outra Copa, pode cair nas mãos de um empresário conhecido por todos, Eike Batista. E o dinheiro público novamente vai para o ralo.

E se…

Deus nos livre, mas se tivermos um ataque terrorista? Apesar de vivermos em um País pacífico (sei) não podemos descartar esta hipótese. Onde seriam atendidos os feridos? Nos hospitais já sucateados?

Como impedir um ataque? A (des)inteligência da polícia não resolve pequenas questões como a do narcotráfico, ou mesmo o contrabando de cigarros. Como seria no caso de desarticular um grupo terrorista?

Para você que vibrou com a conquista do Brasil para realizar a Copa do Mundo de 2014, vibre também com a conta que ainda não fechou!

Por: Carlos Eduardo Kiatkoski

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