De Volta à Escola (por: Eduardo Arruda)

Como já fizemos neste blog alguns comentários sobre educação, gostaria de dedicar duas linhas a apresentar nosso novo colaborador: o Administrador Público, Eduardo Arruda. Não somente por fazer parte de uma das turmas a qual lecionei, mas por sempre debatermos de forma clara e coerente alguns temas da realidade, incentivei-o a colaborar conosco justamente por acreditar ser uma dessas tais “mentes jovens” que podem nos trazer um pouco mais de luz à algumas questões da atualidade. O texto abaixo reflete esta expectativa, e retoma, inclusive, questões que trazemos à esta grande mesa que é o Debatepronto desde o seu início.

Boa leitura

Daniel Pinheiro

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De volta à escola

Aproveitando que o ano letivo começou, é sempre bom pensarmos e refletirmos sobre o porquê da educação não avançar como deveria. Problemas salariais dos professores, estrutura física e etc. Mas Rubem Alves vai além: “as escolas deveriam se dedicar menos ao ensino das respostas certas e mais ao ensino das perguntas inteligentes”. O comodismo da decoreba, para ambas as partes (professores e alunos), acaba anulando e restringindo a construção do conhecimento, que deve ser feito de maneira colaborativa e dinâmica, o que na maioria das vezes não é. E não é preciso recursos materiais para dinamizar uma aula ou ter a colaboração, por mais diversa que seja de cada um dos membros de uma sala de aula. O resultado é que temos sempre “mais do mesmo” e raramente há alguma inovação e descoberta significante.

Com a decadência do sistema público de ensino, cresceram exponencialmente as redes de ensino particular pelo país. Por mais diverso que possa ser o método de ensino aplicado, o foco principal destas redes é a aprovação nos vestibulares de universidades públicas. Em contrapartida, o governo federal detectando essa realidade, implanta uma política pública de cotas para negros, índios e alunos de escola pública. Não seria mais fácil reformar a educação de base, dando condições de um aluno de escola pública chegar com condições iguais para um vestibular?

Segundo relato de pessoas que já estudaram em escolas públicas nas décadas de 70 e 80, a qualidade das escolas públicas era superior. Haviam disciplinas, por exemplo, como Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação Moral e Cívica (EMC). Em alguns colégios eram ofertadas disciplinas de educação para o lar: as meninas aprendiam a bordar, costurar, cozinhar. Os meninos aprendiam marcenaria, técnicas de pequenos reparos, prática da agricultura. Ou seja, aprendiam a serem cidadãos. Quando se formavam, tinha cabimento receberem um diploma, pois aprenderam como lidar com a vida e a sobreviver. O que será então que aconteceu com a educação?

O que vemos hoje em dia são pais “advogados” dos filhos e “juízes” das escolas e dos professores. Por mais que faltem sim melhores salários e estrutura adequada para o aprendizado, é preciso refletir sobre essa “nova escola” que temos nos dias de hoje. De quem é a culpa?

A responsabilidade pode até ser do poder público, da direção das escolas. Mas a culpa é de todos nós que só buscamos a escola para dela tiramos proveito (aprendizado). Ninguém se dá conta que assim como hospitais, praças, presídios, prefeitura, postos de saúde, a escola também é um prédio público e somos nós os indivíduos que devem zelar e cuidar para que ali seja um templo sagrado do saber. Infelizmente o “prático” sempre acaba vencendo o “complexo” e nessa guerra para ver quem vence, as pessoas optam pelos heróis que trazem a questão da educação na ponta da língua, sensibilizando as pessoas que sentem com a falta de uma escola de verdade.

E falando em praticidade, a nossa bandeira não poderia ser mais direta: ORDEM E PROGRESSO. Ora, se para ter progresso precisamos de ordem, há que se fazer alguma coisa para ordenar e colocar as coisas no devido lugar. E não são os eleitos que farão isso, porque dependem desse círculo vicioso para manter-se no poder. Somos cada um de nós, com nossas pequenas atitudes. ATITUDE! Vamos voltar às escolas e contribuir para mudar essa realidade. Agora não como alunos, mas como cidadãos!

Por: Eduardo Arruda Costa
Administrador Público

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