Copa do (i)Mundo x Educação Imunda

Estádio em lugar de escola.

Paulo Rink

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Um povo que não (re)conhece “suas prioridades” frente a seus governantes perde o direito de reclamar sobre qualquer assunto, e receber aquilo que lhe é dado. Isso mesmo!

Quer reclamar? Fale com o seu vereador, deputado, senador… eles se elegeram e recebem MUITO dinheiro para trabalhar para você. Então, exerça o seu direito, ou continue a ser ignorante. Literalmente!

Daniel Pinheiro

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Projeto de privatização do Maracanã prevê demolição de escola pública “modelo”

Por: Vinicius Konchinski

Do UOL, no Rio de Janeiro

O projeto de privatização do Maracanã prevê a demolição de uma das melhores escolas do Rio de Janeiro. A Escola Municipal Friedenreich, que fica ao lado do estádio, foi considerada a sétima melhor instituição pública de ensino para alunos de 1ª a 5ª séries do Estado. Porém, por causa da concessão do complexo esportivo do Maracanã, deve ser posta abaixo.

A demolição consta na lista de obras que terão de ser feitas pelo futuro administrador do Maracanã para tornar o estádio e seus anexos um “grande centro de entretenimento”, conforme plano do governo do Rio. Segundo esse mesmo plano, o que hoje é a escola será transformado em duas quadras para aquecimento de atletas anexas ao ginásio do Maracanãzinho. Já o que será dos alunos que estudam ali não se sabe.

“Estamos perplexos”, resumiu Carlos Sandes Ehlers, pai de Beatriz da Costa Ehlers, aluna da Friedenreich. “Tenho uma filha que estuda aqui e outra que já estudou. A escola é considerada modelo, mas o governo simplesmente diz que vai demolir.”

Carlos é professor, mas leciona em escolas privadas. Segundo ele, a Escola Friedenreich tem recursos que mesmo escolas particulares não dispõem. Ela oferece aulas de artes, música, inglês e uma estrutura completa para seus alunos. Mesmo assim, ele não sabe dizer até quando tudo isso estará à disposição de sua filha e outros 400 estudantes do Rio.

Desde 2007, quando a cidade sediou os Jogos Pan-Americanos, rumores sobre a demolição incomodam estudantes e seus pais. Naquela época, disse Carlos, já havia sido cogitada a retirada da escola da área do Maracanã, mas nada ocorreu.

Em 2010, quando o Maracanã entrou em reforma para a Copa do Mundo, o assunto novamente veio à tona. Carlos e outros pais de alunos chegaram a procurar o Ministério Público em busca de mais informações a respeito da obra. No início deste mês, foram informados pelo promotores que, segundo ofício enviado pela Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro, a reforma do estádio não afetaria a escola.

Menos de um mês depois, entretanto, a minuta do edital de concessão do Maracanã à iniciativa privada confirmou a intenção do governo de demolir a Friedenreich. Embora o documento ainda possa sofrer alterações já que está em consulta pública, ele inclui a área da escola em um projeto essencial para que o Maracanãzinho possa sediar jogos de vôlei da Olimpíada de 2016. Isso porque, sem quadras de aquecimento, o ginásio não atende exigências olímpicas.

“Para receber Copa e Olimpíada, o governo faz de tudo. Mas o que a população precisa mesmo é educação, não de jogo de futebol”, critica Carolina Martins Araújo, mãe de Juliana Araújo Ribeiro, aluna da Friedenreich. “Educação não é prioridade para o governo.”

Carolina é contra a demolição da escola, mas condena ainda mais a falta de informações. No projeto de privatização do Maracanã, estão previstas a demolição de outros equipamentos púbicos como o Parque Aquático Júlio Delamare e o Estádio de Atletismo Célio de Barros. No caso dos centros esportivos, entretanto, já está garantido que eles serão reconstruídos em uma área próxima a de hoje. No caso da escola, nada foi definido.

A própria diretoria da Escola Municipal Friedenreich desconhece o projeto de demolição. Procurada pelo UOL Esporte, a diretora Sandra Russomano disse que não foi comunicada oficialmente de nada.

A Secretaria Municipal de Educação também informou ao UOL Esporte desconhecer o assunto. Só adiantou que, “caso receba a informação, vai estudar a melhor solução para alunos e funcionários.”

Apesar da secretaria não ter sido comunicada da demolição, o governo informou que já está tratando do assunto com a Prefeitura. Em nota, ele declarou que “os alunos podem ficar tranquilos quanto a ter todas as suas aulas.”

Járdila Gonzaga até tenta ficar tranquila, mas não consegue. Ela estudou na Friedenreich. Hoje, tem dois filhos que estudam lá. Sem saber o que será da educação dos dois, ela cobra explicações. “Essa escola tem quase 50 anos. Agora, simplesmente vai ser demolida? E todo mundo que estuda aqui?”

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