Economia Hipócrita

Eu poderia, antes de propor a discussão, colocar mais umas 4 ou 5 notícias que saíram na grande imprensa de ontem para hoje. Poderia, também, expor uma lista de motivos pelos quais eu vou insistir em algo muito simples, o que também justificaria o título de chamada para este artigo. Vou fazê-lo por outro caminho…

Em 2011, quando a nossa querida equipe de marinheiros, os capitães da pujante economia brasileira, anunciaram medidas drásticas e necessárias para “proteger” a economia nacional da invasão das montadoras asiáticas, ao invés de a discussão ser outra, o que se viu foi um desespero em massa dos consumidores, para comprar carros a preços baixos que vinham, especialmente, da China, e de outra camada dos “novos consumidores” de carros médios e de luxo, que agora tinham acesso a veículos MUITO melhores e mais potentes, por um preço acessível – caso, principalmente, das montadoras coreanas.

Acontece agora, mais uma tentativa, considerando que todos os veículos anunciados (a meu ver, exceto a Captiva) são modelos com custo x benefício superior a qualquer outro fabricado até então pela indústria nacional.

Minhas conclusões?

1)      Alguém ganha muito dinheiro de alguém para praticar este tipo de boicote, e eu acho – e somente acho – que este alguém tem poder, e precisa apoiar que o apoia, ou seja, a grande indústria nacional.

2)      Este alguém – que pode ser um grupo – não apenas ganha muito, como não está – assim como ninguém nunca esteve – preocupado em exigir uma indústria nacional mais competitiva e investir, a exemplo dos coreanos, em uma educação tecnológica, por exemplo, decente ao invés de sucatear o ensino público e desvalorizar os professores. Do contrário, com a produção de aço e petróleo que temos, seríamos não somente grandes produtores e consumidores, mas teríamos carros decentes e baratos, desde a década de 1970.

3)      Sabe o que é pior? Desta vez, quem estava se dando bem era justamente o pessoal da “grande indústria velha nacional” (Fiat, Ford, VW e GM). A mesma que incentivou e ensinou os canalhas da economia a perseguirem os asiáticos há pouco menos de um ano. Tomem: bebam o próprio veneno. (nestas horas, sempre me recordo dos desenhos e filmes antigos que diziam: temos uma bomba, imaginem se ela cai em mãos erradas? Pois, então, caiu…). No fim, vamos f… mexicanos, brasileiros, e todos os demais.

4)      Além da imbecilidade coletiva, reina uma hipocrisia nem um pouco mascarada nestas terras, considerando que os impostos em QUALQUER SETOR da economia brasileira são imbecis, indecentes e imorais, do ponto de vista da cobrança e da aplicação, já que além dos valores abusivos, sua aplicação é mínima, como todos conhecem.

5)      Não merece crédito NENHUM no mercado internacional um país que só faz acordo quando o é conveniente. E, sim este foi um dos motivos para eu e umas 500.000 pessoas terem passado metade de suas vidas criticando um tal de EUA: tomar para si tudo de bom, quando e como lhe convier. Temos um sonho de pseudo imperialismo cá nestas terras, que outrora os mesmos que sonham com este império criticaram-no arduamente.

6)      Tenho dito. Conclua o restante, você, leitor. O tema foi só para puxar a sardinha para qualquer outra conclusão, já que cabe ao Governo Mexicano dar um safanão em mais uma “brasileirice” na economia…

Estamos de volta. Feliz 2012 (se puder!)

Daniel Pinheiro

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Brasil vai romper acordo automotivo com o México, diz jornal

Do UOL, em São Paulo

O governo brasileiro vai romper o acordo automotivo mantido com o México devido ao deficit crescente no comércio de automóveis entre os dois países, segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”.

Ainda segundo o texto, a ordem teria partido da presidente Dilma Rousseff, que estaria incomodada com a situação.

Com o acordo assinado pelos dois países, os carros mexicanos não são considerados como importados, ficando isentos da alta do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que vigora desde o mês passado.

Sempre de acordo com a reportagem, o acordo automotivo firmado em 2002 passou a ficar negativo para o Brasil em 2009. No ano passado, por exemplo, o México se tornou uma boa opção de compras de veículos para algumas montadoras estabelecidas no país, como a Fiat.

As importações de carros do México tiveram alta de quase 40% em 2011, superando os US$ 2 bilhões. O deficit comercial ficou um pouco abaixo de US$ 1,7 bi, já que o Brasil exportou US$ 372 milhões.

Segundo dados da associação de concessionários de veículos, Fenabrave, em 2011, o México ficou no terceiro lugar no ranking de principais origens de importações brasileiras de veículos, com participação de 13,8%, atrás de Coreia do Sul, com 19,2%; e Argentina, com 44%.

A medida deve ser oficializada nos próximos dias com a volta da presidente e dos ministros do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e das Relações Exteriores, Antônio Patriota.

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Carros mexicanos provocam rombo de US$ 1,5 bi na balança brasileira

02 de fevereiro de 2012 • 20h13 •  atualizado 20h27

Fonte: Portal Terra

O acordo automotivo entre Brasil e México provocou um rombo de R$ 1,55 bilhão na balança comercial brasileira apenas com a importação de automóveis de passeio. Em 2011, o Brasil vendeu para o México pouco mais de US$ 512 milhões de carros, mas gastou US$ 2,07 bilhões na compra de automóveis mexicanos.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgados nesta quinta-feira à Agência Brasil, em 2011, no âmbito do acordo automotivo, o Brasil exportou para o México US$ 1,81 bilhão em veículos e autopeças e importou dos mexicanos US$ 2,51 bilhões, gerando saldo foi negativo de US$ 696 milhões.

Os números reforçam a preocupação do governo brasileiro com o acordo automotivo em vigor, a ponto de o governo admitir, inclusive, o fim dos benefícios fiscais. Firmado em 2002, o acordo permite importações de automóveis, peças e partes de veículos do México com redução de impostos. Os detalhes das negociações com os mexicanos não foram divulgados. A secretária de Comércio Exterior (Secex), Tatiana Lacerda Prazeres, apenas confirmou nesta quarta-feira as articulações em curso. “[O assunto] está em discussão no governo”, revelou ela, sem detalhar a proposta em discussão.

Dados preliminares do governo mostram que, nos primeiros anos de vigência do acordo, o Brasil registrou saldo positivo no comércio de automóveis com o México. Mas, nos últimos anos, o saldo tem sido negativo para o Brasil.

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Montadoras reagem a possível fim de acordo com o México

03 de fevereiro de 2012 • 09h30 • atualizado às 10h11

Fonte: Portal Terra

O cancelamento do acordo de livre comércio de produtos automotivos com o México gerou forte reação entre o empresariado do setor e do governo mexicano, informou o jornal Valor Econômico nesta sexta-feira. Já entre as autoridades brasileiras, alternativas como a simples revisão do acordo foi uma das medidas propostas. Representantes das montadoras pretendem se reunir com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, nesta sexta-feira.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Sérgio Nobre, o acordo de livre comércio é prejudicial ao País. Já um alto executivo ouvido pela publicação afirmou que se confirmada, a medida afetará as decisões de investimento das empresas na quantidade e na qualidade dos produtos e que o temor de mudanças nas regras poderia levar as companhias a reduzir o interesse no Brasil e dar prioridade ao crescente mercado asiático, informou o jornal.

Entenda

Firmado em 2002, o acordo de livre comércio de produtos automotivos permite importações de automóveis, peças e partes de veículos do México com redução de impostos. Dados preliminares do governo mostram que, nos primeiros anos de vigência do acordo, o Brasil registrou saldo positivo no comércio de automóveis com o México. Mas, nos últimos anos, o saldo tem sido negativo para o Brasil.

Em 2011, o acordo entre Brasil e México provocou um rombo de R$ 1,55 bilhão na balança comercial brasileira apenas com a importação de automóveis de passeio. No ano passado, o Brasil vendeu para o México pouco mais de US$ 512 milhões de carros, mas gastou US$ 2,07 bilhões na compra de automóveis mexicanos. Pelo déficit, o governo do Brasil estuda romper o acordo. Uma das ideias é evitar a imposição de tarifas de importação para as compras mexicanas até 2013.

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Anfavea diz considerar importante manutenção de acordo Brasil-México

Governo estudaria mudança que pode mexer com importação de carros.

Atualmente, veículos vindos do país norte-americano não pagam taxa.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou que “considera importante” a manutenção do acordo entre Brasil e México que permite que carros produzidos no país norte-americano sejam trazidos sem a cobrança de taxa de importação.

O governo estaria avaliando mudanças nessa regra, que passou a valer em 2000. A secretária de Comércio Exterior (Secex), Tatiana Lacerda Prazeres, afirmou na última quarta-feira (1º) que “(a suspensão ou o rompimento do acordo) está em discussão no governo”, mas não detalhou a proposta que estaria sendo analisada.

O México é a terceira principal origem de veículos importados vendidos no país e os carros vindos de lá também estão isentos do aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que começou a valer em dezembro passado. Ou seja, concorrem de igual para igual com os veículos nacionais.

A mudança no acordo entre os dois países, assim como a alta do IPI, faria parte de uma estratégia para conter a entrada de carros produzidos no exterior e que já representam quase um quarto do total vendido no Brasil. Uma das ideias seria evitar a imposição de tarifas de importação para as compras mexicanas só até 2013.

A Anfavea destacou que “acordos internacionais de comércio, a exemplo do Acordo Brasil-México, são dinâmicos e podem ser atualizados, ampliados e ou ajustados em sua abrangência e condições”. Segundo a entidade, o comércio automotivo de veículos e peças entre os dois países movimentou US$ 4,3 bilhões em 2011, volume que representa 47% do fluxo comercial entre eles.

Terceiro no ranking

Em 2011, o México ficou no terceiro lugar no ranking de principais origens de importações brasileiras de veículos, com participação de 13,8%, atrás de Coreia do Sul, com 19,2%; e Argentina, com 44%, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Apenas em dezembro, porém, o percentual mexicano foi de 20,2%, enquanto a fatia da parceira de Mercosul Argentina foi de 41,5% e a Coreia do Sul correspondeu a 13,5%.

O acordo atual entre Brasil e México permite fluxo de automóveis, peças e partes de veículos sem incidência ou com redução de tarifas de importação. Pelos dados preliminares do governo federal, nos primeiros anos, o Brasil registrou saldo positivo no comércio de automóveis com o México. Mas, nos últimos anos, passou a registrar dados negativos. Atualmente, montadoras no Brasil têm usado o acordo para complementar suas ofertas no país, com modelos mais sofisticados ante um parque fabril nacional mais voltado a veículos compactos populares.

Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico” publicada nesta quinta (2), a decisão de romper o acordo automotivo com o México já teria sido tomada pelo governo, devendo ser anunciada nos próximos dias. A anulação respeitaria os termos acertados com o país e que exigem uma comunicação prévia de 14 meses.

Os modelos atualmente trazidos do México são Chevrolet Captiva, Dodge Journey, Fiat 500, Fiat Freemont, Ford New Fiesta, Ford Fusion, Honda CR-V, Nissan March, Nissan Tiida, Nissan Versa, Volkswagen Jetta e Volkswagen Jetta Variant.

6 opiniões sobre “Economia Hipócrita”

  1. Quando da privatização tucana, os vermelhos provocaram um baita “bafafa”. É famosa a foto da revista VEJA em que um executivo tem seus fundilhos chutado por um “sindicalista” Agora DM (dima metralhadora), privatizou aeroportos brasileiros e os vermelhos ficaram em absoluto silêncio. O que mudou nos púrpuros?

  2. É Paulo Rink, para os púrpuros (sensacional essa definição) vale a máxima “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço!
    Eles são muito cara de pau!!!!

  3. Vamos lá, já que há debate, estamos no debate…
    Apesar de eu concordar que os métodos dos vermelhos não são nada satisfatórios, hei de fazer uma ressalva, ainda não feita pela imprensa marrom – nem pela verde, vermelha, branca, que eu tenha lido – deixando claro que faço não pelo PT, mas por mim. Não caiam na armadilha de comparar as privatizações, como a Grande Mídia redonda como o globo quer… e é isso que eles querem, desarticular o inarticulável. A privatização dos aeroportos é, a meu ver, uma das poucas que deveria ter sido feita. Muito me estranha alguém privatizar uma Embraer, antes de conceder aeroportos. Nosso modelo de transporte deveria ou ser todo privado, ou ser todo público (pra quebrar de vez). Nem por terra, nem por ar e nem por mar conseguimos dar eficiência, porque a roubalheira de todos os lados é grande. Então, no ponto de vista da eficiência, deveriam privatizar todos e abrir o capital para companhias estrangeiras explorarem, sim, o transporte aéreo, maritimo e a p… toda! (saiu…). O problema, é que privatizar teles e elétricas, e as grande companhias que poderiam dar dinheiro rápido para os amigos do rei foi conveniente. Inclusive para os DOIS lados. Os vermelhos gritaram, à época, pra fazer teatro, tanto que não apenas ganharam muito, como aparentemente isso que manteve o barbudo em várias eleições até entrar. Então, em resumo: farinha do mesmo saco que só dá pão podre, dos dois lados.
    Certo, talvez, estivesse o outro barbudo: “a solução é alugar o Brasil”.

  4. Sim também concordo que deveriam ter privatizado os aeroportos. Questiono apenas o modus operandi, dos púrpuros. Antes usaram da violência, agora um silêncio sepulcral.

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