Condições Precárias no Trabalho?

Problemas respiratórios afetam trabalhadores da indústria de cal
Carlos Kiatkoski

A pele rapidamente muda de cor, as roupas são cobertas por uma densa
camada de poeira branca. Os olhos e a boca ressecam. O calor produzido
pelos fornos que tomam conta do ambiente é intenso. Transforma as
grandes salas em saunas. O suor que escorre do rosto vira uma pasta
branca. Pequenas lesões por queimadura são comuns em todos que ali
trabalham.

O ambiente insalubre, tomado por uma névoa tóxica é o local de
trabalho de milhares de pessoas. Um exército formado por indivíduos
mais simples, que se dispõe a um dos trabalhos mais degradantes e
condições inaceitáveis.

O equipamento de segurança fornecido pelas empresas responsáveis pelos
fornos não é o mais adequado, tão pouco o mais seguro. As normas do
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) são descumpridas em todos os
quesitos. Apesar de representantes do setor alegarem que mudanças
estão a vista a realidade é outra.

Durante 12 horas o trabalhador responsável por alimentar os gigantes
insaciáveis aspira quantidades absurdas de pó. A longo prazo, quemfica
exposto neste ambiente pode ser afetado por doenças pulmonares, entre
elas efisema pulmonar.

As mucosas do nariz e da boca são as primeiras barreiras a sofrerem
retrações pela cal. É comum os trabalhadores terem problemas
respiratórios como rinite, reversível para aqueles que param de
trabalhar diretamente com os fornos e a poeira. A poeira da cal é
altamente corrosiva, ainda mais quando em contato com a umidade.

As roupas de proteção não as mais adequadas, muitos usam camisas de
flanela e calças jeans, além dos sapatos mais velhos e surrados para a
labuta diária. O equipamento de proteção adequado não é a principal
preocupação dos proprietários. A mão de obra é considerada
descartável. Essa realidade para Elver Morante, médico do Ministério
Público do Trabalho (MPT), não é incomum neste ramo. Os investimentos
por parte das empresas não condiz com a realidade encontrada nestes
fornos. “Se este fosse um País sério, todas estas empresas deveriam
ser fechadas”, completa o médico.

Mas isto está longe de ocorrer. Além dos problemas de saúde dos
trabalhadores, o meio-ambiente também sofre, muito do que é produzido
fica em suspensão no ar. Levada pelo vento, a poeira pode atingir
casas e pessoas distantes quilômetros das fábricas brancas. No
entanto, este problema tem sido contornado, ao menos é o que defende a
Associação dos Produtores de Derivados do Calcário (APDC).

Segundo representantes da categoria, há dez anos medidas de prevenção
têm sido tomadas no intuito de minimizar os efeitos nocivos ao meio
ambiente. Mas as medidas de proteção coletivas não são realizadas.

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