Para não dizer que não falei de… Kit Anti-Homofobia? (por Amarildo Esteves)

E não é que depois do post do Raul Avelino a Dilma mandou cancelar o tal kit anti-homofobia? Pois bem, creio que de vem em quando o pessoal do Palácio do Planalto tem arroubos de sensatez. Ou não? Claro que não.

Essa foi mais uma daquelas jogadas para a torcida (da bancada evangélica, CNBB e similares), uma vez que, principalmente os primeiros, prometeram levar adiante a comprovação das denuncias contra o ministro da Casa Civil Antonio Palocci.

E aí, como já é de praxe em solo Brasiliense, acharam o famoso jeitinho para amenizar a situação do ministro que estava ficando feia e, ao mesmo tempo, se livrar de uma bomba que o MEC colocou no colo da Presidente.

O tal kit com certeza está longe de ser a redenção para que os gays fossem tratados como iguais na sociedade brasileira. Longe disso.  Creio que aquele professor que tem uma boa formação pedagógica não precisa de kit para ensinar a seus alunos o tratamento de desiguais como iguais. Pra que serve a Constituição Federal (CF) que no seu capítulo V afirma que todos são iguais perante a lei? Porque criam mais leis (?) se todo mundo sabe que não vai funcionar e que a nossa Carta Magna abrange tudo o que aí está? Se não conseguem cumprir os artigos da CF para que criam leis esdrúxulas? Todo mundo sabe a resposta. Cada vez que se cria uma lei, portaria ou algo similar para direcionar a sociedade, esta lei, esta portaria, ou o nome que se dê a esses penduricalhos nada mais são do que oportunidades para que se locuplete à custa do governo – ou seja, às nossas custas que vamos pagar pela confecção e uso de tais “armadilhas políticas”.

Uma coisa é se discutir de forma saudável a união estável, a introdução do gay nas várias esferas da sociedade enquanto agente transformador como qualquer cidadão. Outra coisa é querer incutir de cima para baixos pensamentos ou ideologias em cabeças de alunos que muitas vezes vão à escola só para matar a sua fome através da merenda que é fornecida na escola.

E aí vem a CNBB e ala evangélica se manifestarem contrários ao tal kit. Tudo bem. Qualquer entidade organizada tem todo o direito de opinar e formar opinião entre seus pares. O que se vê por parte dos evangélicos que possuem uma forte (e rica) bancada no Congresso Nacional são verdadeiros discursos e ameaças que cheiram a atitudes infantis, ou seja, eu quero isso ou não faço aquilo. E aí os crentes se deram bem. Espernearam contra o Palocci e levaram o veto da Presidente para o kit anti-homofóbico.

E a CNBB nem se fala. Não consegue cuidar dos seus. Todo dia tem denuncia de padre pedófilo e eles negando e apoiando. O pessoal do Vaticano é pródigo em querer resolver tudo à sua maneira. Quando eram Estado mandavam matar em nome de Deus todos aqueles que discordavam de sua ideologia. O Vaticano apoiou a escravidão. Inclusive, antes de os escravos partirem da África para o Brasil, eram eles batizados e recebiam um novo nome e eram abençoados na hora da partida pelos padres de então. Na igreja que disse ter feito a opinião pelos pobres duvido que alguém já tenha visto um maltrapilho dentro do templo católico, o que é comum nas igrejas evangélicas. Tá na hora da CNBB procurar o seu lugar como entidade e não como quem um dia foi Estado.

Até o deputado Jair Bolsonaro elogiou a Presidente pela atitude. Deputado este que é um anti-petista ferrenho, e se esforçou muito para acabar com o famoso kit dos companheiros. E conseguiu. Aliás, diga-se de passagem, falastrão e preconceituoso (no mínimo) em suas incursões quando do discurso contra gays e também negros. Bolsonaro,segundo dizem,passou 28 anos de sua vida sem falar com o seu pai porque este era alcoólatra. Certa vez rompeu o casamento porque sua esposa, a quem ajudou eleger vereadora, estava fazendo discurso diferente daquilo que ele Bolsonaro pensava. É a tal história. Façam o que digo, mas não façam o que eu faço.

A união estável está aí. Foi aprovada. Há muitos prós e contras na sociedade. Mas entendo que nada se fez a não ser transformar em ato o que era fato há muito tempo. Muitas vezes julgamos as pessoas por suas escolhas principalmente quando se tratam de homossexuais. Nossa sociedade é preconceituosa, discriminatória e cega porque não quer ver uma realidade que está tão próxima de nós. Temos o direito de não gostar de alguém homossexual, mas temos o dever de respeitá-lo enquanto cidadão que paga os seus impostos, estuda, trabalha, enfim, é um cidadão como qualquer outro que teve uma opção de vida (e nem quero entrar no mérito entre geneticismo ou preferência) diferente daquela que se chama de normal.

Amarildo Esteves

 

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Uma opinião sobre “Para não dizer que não falei de… Kit Anti-Homofobia? (por Amarildo Esteves)”

  1. Bela critica do companheiro Amarildo. A questão é que estamos em uma sociedade que infelizmente não discute a diferença e insiste em homogeneizar. Quer essa sociedade eivada de hipocrisia, que sigamos o modelo de organização social que vai sendo superado pelos movimentos de uma ordem que aos poucos transforma corações e mentes. A educação é elemento fundamental para isso e, tratar de temas polemicos como racismo, preconceito, discriminação em sala de aula é ampliar o espaço do debate e ajudar a iluminar as consciencias.

    Abraços e parabéns pelo blog.

    Paulo Sérgio da Silva

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