Bullying (Desafio Debatepronto) por Paulo Rink

AS CONSEQUENCIAS DO BULIM EM MINHA VIDA.

A narrativa a seguir é um fato verídico vivenciado por este escriba lá pelos meados dos anos 70.

Já que a moda do momento é o tal de BULIM (acompanho o Raul na escrita e na indignação), nas escolas públicas e privadas têm algumas que são mais privadas do que escolas. Resolvi, para o bem geral da nação, abrir a disco rígido da mente. Embora tenha dado um CTRL- ALT- DEL, neste assunto há muitos anos. Sim sofri o tal BULIM.

Corria o garboso ano de 1978. Brasília, o carro, era a febre do momento. O Bee Gees com a música, Jhon Travolta e Olívia Newton Jhon, com o filme e a globo com a novela Dancin’ Days, sacudiam as discotecas, com seus embalos de sábado à noite, quando papai resolve que é chegada à hora de pendurar as enxadas.

Deixamos à lavoura de terra vermelha, no oeste paranaense e buscamos trabalho em outros rincões. O lugar escolhido? Uma cidade de porte médio, no interior de um estado brasileiro* na região Sudeste. Lugar próspero, muitas indústrias, gente bonita e uma disfarçável (sic) xenofobia contra os migrantes brasileiros. Vivi na pele! Acontece ainda hoje com os migrantes brasileiros?

Já na chegada fomos taxados de “pés vermelhos” e “esfomeados”. Simples e direto. As perguntas mais freqüentes eram se nossas casas eram como as ocas dos índios. Além do choque cultural a bendita…

Começo do ano de 1979, mamãe queria que o seu garoto, no caso eu mesmo, – em homenagem ao personagem “nerso da capitinga” – estudasse. Andou durante um dia todo atrás das benditas papeladas de transferência. Da colônia, Oh! Saudades, para a cidade grande. Embora nem tão grande assim.

Primeiro dia de aula. Expectativa. Já no “recreio” de cara um apelido. Nanico Zambola. Antes é preciso explicar que, agora aos quarenta e seis anos, o escriba não tem lá, digamos, um físico de Gianecchini, ou Schwarzenegger, imaginem aos quatorze ou catorze anos, como queiram.

Mais que ralhos é Nanico Zambola? O que é Zambola? E porque Zambola? Não podia ser “só” nanico?  Sei lá! Até hoje procuro resposta. Quem souber, por favor, deixem nos comentários neste post. Quanto mais brabo mais chamavam. Que droga! O que poderia fazer eu com um físico de jogador de peteca? Nada!

Para minha desgraça um infeliz, em Brasilia – a cidade – resolveu dividir, o então estado de Mato Grosso. O do Norte e o do Sul. Sempre fui dado a leitura. De tudo. Aula de geografia, sala cheia e uma pergunta do professor. “Qual a capital do Mato Grosso do Sul?” Opa! Essa era fácil. Imediatamente, levantei-me ergui a mão e pronunciei-me. “Campo Grande, professor”. A sala veio abaixo. Ouvi de nanico zambola, caipira, pé vermelho aos montes e… risadas. Ah! As malditas risadas.

Embora o professor tenha repreendido a turma e dado os parabéns ao “caipira”, o que, evidentemente, aumentou a raiva dos “colegas”, me senti triste, humilhado e voltei para casa. Confesso que chorei.

Fiquei três dias sem ir á escola. Na volta novo transtorno. No recreio, dois garotos deixaram as torneiras dos banheiros abertas, o que causou uma grande inundação, não somente nos banheiros, como no pátio da escola. Chamados pela direção quem foi apontado como o responsavel?  Isto mesmo. Acertou quem respondeu o escriba. E não adiantou negar. Nunca entrei naqueles malditos banheiros. Advertência!

Sob a alegação de que “precisava trabalhar”, sim naquela época, com catroze anos, era permitido trabalhar, abandonei a escola. Somente muitos anos após contei os verdadeiroa motivos aos meus pais.

Tinha horror aos estudos, as escolas e aos alunos que ali lecionavam. Somente oito anos após retomei os estudos, encorajados por um amigo e já morando em Curitiba.

Hoje, tenho a real noção do mal que causou o tal de BULIM na minha vida. Por muitos anos fui um adolescente triste, tímido e preso ao passado. Somente com a maioridade consegui me libertar desse pesadelo.


* O autor omitiu, de propósito, o nome do estado em respeito aos seus habitantes.

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