Quanto vale o show? (por Adamastor Euclides)

Passei algum tempo meditando sobre a real necessidade das coisas. Cheguei a conclusão de que se continuasse dessa forma enlouqueceria completamente. Resolvi então ligar o rádio. Foi ai que minha indignação com a política teve seu ápice!

Caríssimos, estou cansado de debater política com o espelho. Está na hora de tomarmos atitudes mais contundentes. Reativemos a Boca Maldita, local amplamente usado para protestar contra o governo militar e para pedir eleições para presidente. Nosso passado político está sendo relegado ao esquecimento. Não sei se a culpa é da TV que fez o favor de substituir a leitura no país ou é nossa mesmo que não incentivamos mais os jovens a ler, e porque não, escrever.

Recentemente estava voltando do trabalho e ouvi na hora do Brasil (recomendo, piadas prontas sempre!) quando me deparei com o áudio de
um certo senador da República, o excelentíssimo senhor João Bosco Papaléo Paes  (PSDB/AP), ou como é conhecido Papaléo Paes. Devo dizer que de excelentíssimo ele não tem nada, como podem chamar uma pessoa de excelente ao extremo se a mesma não o é? Fica a pergunta. Bom,
voltemos ao assunto. No áudio, em entrevista para a rádio senado, o senador estava rebatendo a colocação de um dos dirigentes do PSTU sobre a ação que o partido pretende entrar para proibir o aumento abusivo dos salários do Legislativo. Nada de novo até então.

O que mais me deixou indignado foi a resposta para isso, segue a transcrição disponível no site da rádio senado: “O Congresso Nacional deveria ter atualizado o salário dos parlamentares, equiparado com os outros dois poderes logo que foi votada a lei de equiparação, ou seja, de teto. O que eles querem? Que parlamentar vá exercer uma função dessa sendo mal remunerado?”

Caro senador (nesse caso caro no sentido de preço mesmo), o senhor tem a mínima ideia de quanto ganha um professor? Um policial? Esses sim são extremamente mal remunerados, sem falar em todas as pessoas que sobrevivem com o salário mínimo! Eles ainda se dão ao direito de  reclamar do quanto ganham, isso sem contar as verbas de gabinete, auxílio paletó, verbas indenizatórias entre tantas outras que oneram o  erário. As vezes preferia ter nascido surdo para não ter que ouvir tamanha besteira sendo dita por um “representante” público. Meu ao menos não é, pois votei NULO e continuarei com minha campanha do voto nulo até que surta algum efeito.

Adamastor Euclides

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