O Barulho do Trem (por Alison Endler)

Por Alison Endler

Trabalho em uma ferrovia, não é a ALL, e como muitos brasileiros acordei com a noticia de que na noite de quarta-feira (08/09), um trem partiu ao meio um ônibus no interior de São Paulo. Fui trabalhar e por incrível que pareça não ouvi muitos comentários sobre o incidente na empresa, comentários ouvi nos blogs e sites de noticias durante o dia.

Ouvi entrevistas de moradores dizendo que não é seguro o cruzamento, que precisava ter cancela, que o trem deveria andar devagar e, por incrível que pareça ouvi alguém no calor do momento dizer que deveriam proibir trens de trafegar. Me fez lembrar os tempos de Henry Ford onde sugeriam a mesma coisa em razão dos automóveis.

Mas vamos pensar um pouco, para quem não sabe, trens andam nas áreas urbanas  em média a 25 km por hora, é menos que uma ‘Biz’ e demoram muito para parar. Em razão disso são acionados sinais luminosos e sonoros para avisar que o trem está passando, sem contar que o trem por si só faz um barulho imenso.

Dito isso acho bem pouco provável que o motorista do ônibus não viu o sinal vermelho piscando no poste, que não viu o vigia local que estava dando sinal para ele e, por incrível que pareça, não ouvir o barulho do trem chegando.

Antes que alguém me venha dizer que estou sendo parcial, que não penso nas vitimas pois estou sendo corporativista, faço uma pergunta:  Quantos de nós não desejamos passar rapidinho o cruzamento com nossos carros ou até  mesmo de ônibus, porque sabemos que ‘perderemos’ alguns minutos esperando o trem passar.

Então não vou ‘crucificar’ o pobre motorista que  está no hospital,  deverá ser processado por homicídio culposo (sem intenção de matar) e passará o resto da vida sabendo que foi responsável pela morte de nove pessoas.

Posso afirmar sem medo de errar que todos os 28 passageiros que estavam voltando para suas casas, depois das 23h e após mais um dia de trabalho desejavam passar  o cruzamento antes do trem chegar para estarem logo em casa.

Então me faço uma pergunta: De quem mesmo foi a culpa?

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