Bigodelândia no JN (por Amarildo Esteves)

Pois é! O Daniel me pediu para contar alguma coisa sobre o município maranhense denominado Pinheiro. Mais especificadamente, sobre o Padre Risso. Confesso que pouco sei sobre o Pe. Risso, mas todos que moram ou conhecem Pinheiro, também tem sempre um pouco a contar da história desse que pode ser sim, em minha opinião, chamado de herói. Este padre, quando chegou à cidade, sentiu a necessidade de ajudar as crianças carentes e também aquelas que apresentavam algum grau de dificuldade seja ela motora, emocional, física, etc.

Na reportagem exibida pelo Jornal Nacional, nota-se que a única coisa boa de Pinheiro é a obra do Pe. Risso. Não é. Mas ao menos, as pessoas ficam sabendo que existe alguém que faz o papel do estado. Estado este que no Maranhão é muito assistencialista, corruptor e corrupto tanto nas
esfera municipal e estadual e ainda muito desinteressado em atender os anseios mais prementes do seu povo tais como, educação, saúde, segurança, água, esgoto e outros tantos benefícios que, muitas vezes, foram destinados recursos e estes nunca chegaram para atender seus fins.

O Padre Risso, cuja escola vive de doações de particulares e convênios com os governos, teve seu trabalho muito dificultado na gestão do prefeito Filuca Mendes, nos anos de 2004 a 2007, porque a prefeitura cortou alguns convênios que existiam e que ajudavam em muito a escola do Pe. Risso. Aliás, Filuca Mendes, atual Secretário das Cidades do estado do Maranhão, é afiliado político de José Sarney. Falando nele, estranhei o fato de a Globo não mencionar em sua reportagem que Sarney é filho de Pinheiro. Talvez não mencionasse, porque é difícil entender que alguém que já governou o estado, foi senador e também presidente da república, não se preocupou em atender ou atenuar as mazelas de um estado e principalmente da cidade onde nasceu. Outra curiosidade sobre Pinheiro que pouca gente sabe, é que no dia 24 de abril é feriado municipal na cidade. Feriado este implantado porque nesta data é o aniversário de seu filho mais ilustre. Ele mesmo, José Sarney.

No dia posterior à reportagem exibida pelo JN, o programa do PDT exibido no horário político, mostrou o Pe. Risso agradecendo ao candidato do partido citado, Jackson Lago, por este enquanto governador ter alocado recursos para a manutenção da escola. Ao mesmo tempo, o Pe. Risso também denunciou que o atual governo do estado, leia-se Roseana Sarney, apesar dos pedidos feitos, não teve a mesma generosidade (ou obrigação?) com a escola/creche.

Ah! Mostraram também o restaurante da Maria Santa onde se come uma deliciosa piaba (mais conhecida no Sul como lambari) frita. É um belo lugar de frente para o Rio Pericuma que banha a cidade e de onde grande parte de seus moradores tira seu sustento. Poderiam ter mostrado também o Parque do Babaçu, uma área muito linda principalmente à noite, onde está instalado um restaurante (do mesmo nome do parque) que servem variados e deliciosos pratos de peixe.

Pinheiro conta também com o melhor carnaval do Maranhão e disso sou testemunha porque tenho uma veia (pequena, porém veia) empreendedora e me valendo disso, com a ajuda de minha mulher, montamos na garagem de casa nos anos de 2008 e 2009 um barzinho ou mini-restaurante, onde vendíamos desde caldo de ovos, caldo de camarão, cervejas, refrigerantes e também churros que era o carro-chefe, pois não tínhamos concorrentes na cidade, principalmente nesta data.

Estou fazendo esse relato não pra contar um pouco da minha história, mas sim pra dizer que a cidade oferece oportunidades, poucas, mas que ajudam a quem se interessa em ter uma renda ou mesmo aumentar seus vencimentos mensais. Há pessoas que na época de carnaval se mudam para casa de parentes ou amigos e alugam sua residência para os turistas que participam das festas de momo.

Esses paradoxos são interessantes. De um lado se vê o Pe. Risso interessadíssimo em resolver a grande desigualdade social em solo maranhense, e por outro lado, o descaso dos políticos onde se vê brigas ferrenhas, casos de pistolagem e pouquíssima ou nenhuma vontade para resolver os graves problemas de seu povo.

A cidade conta com faculdades também. Inclusive interrompi pela metade o curso de Gestão Empresarial porque estou residindo em outra cidade há mais de ano e meio. Há cursos oferecidos pela UEMA – Universidade Estadual do Maranhão – e pela UVA – Universidade do Vale do Acarau – cuja sede é no Ceará que mantém convenio com um instituto em São Luis que repassa os cursos para alguns pólos, entre eles Pinheiro.

Não sei qual o critério usado pelos editores do JN para montar suas reportagens. No dia seguinte apareceu uma cidade, acho que é do Ceará, onde se viu a economia que fazia a cidade girar e nenhum tipo de comentário ou imagem, diríamos depreciativos. Não estou defendendo a
cidade de Pinheiro, até porque não sou maranhense e obviamente nem pinheirense, mas acho esse critério de um dia mostrar em sua maior
parte, o que só tem de ruim numa cidade e, no dia posterior, só elogios para outro município, muito injusto.

Enfim, Pinheiro é assim. Com a grande desvantagem de ser uma cidade maranhense encravada na região nordeste, mas que tem um povo com
sua cultura, suas desigualdades. São iguais aos outros do resto do país.
São brasileiros.

Amarildo Esteves

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