Às vezes, só a poesia basta!

Amigos Leitores,

Depois de anos resistindo as constantes investidas dos fornecedores de eletroeletrônicos, resolvi aproveitar uma galinha morta e troquei meu notebook antigo e pesadão, mas muito bom e que me atendeu perfeitamente até hoje e continuaria cumprindo sua missão por muito mais tempo, por um equipamento mais moderno. Tal decisão foi motivada pelo fato de um amigo sortudo ter sido contemplado em um congresso de medicina com um moderníssino netbook, bem menor e mais eficiente que meu antigo parceiro que agora segue dignamente servindo a família. Como esse meu amigo médico  já é o feliz proprietário de uma dessas maravilhas tecnológicas, ofertou-me o bem que lhe fora sorteado, o preço honesto um pouco abaixo do valor de mercado e algumas vantagens e inovações da pequena maquina, acabaram me seduzindo e eu disse sim, cometi este pecadilho de consumo e agora estou em núpcias com minha nova aquisição.

Acontece que este pequeno intróito é tão somente um legitimo enchimento de lingüiça para que eu possa explicar aos diletos amigos que em função desta minha aquisição, estava eu fazendo uma faxina virtual em meus arquivos eletrônicos quando encontrei o texto que segue. Trata-se na verdade do conteúdo de um e-mail que eu recebei há muitos anos e que segundo dizia a mensagem da época é uma redação que foi apresentada por um candidato em um exame de seleção pra Volkswagen para responder a seguinte questão: Qual a sua experiência? Reza a lenda que pela genialidade da resposta e riqueza poética, o candidato foi contratado e a redação fez um enorme sucesso.

Se tais informações são verídicas, não sei e também pouco importa, já que o motivo que me fez guardar este texto foi mesmo a sua qualidade, a qual divido com os ilustres leitores do DEBATEPRONTO pra que cumpra tão somente a missão de dar-lhes um refresco antes do bombardeio que virá com o segundo turno das eleições. É, é melhor relaxarmos e aguardar as cenas dos próximos capítulos…

Um grande abraço a todos e boa leitura,

Raul Avelino.

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QUAL A SUA EXPERIENCIA?

(autor não sabido ou ignorado)

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar,
Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto,
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo. Já confundi Sentimentos.
Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro,
Já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas,
Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas,
Já escrevi no muro da escola,
Já chorei sentado no chão do banheiro,
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar,
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios,
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso,
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua,
Já gritei de felicidade,
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ‘Qual sua experiência?’.
Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência…experiência…Será que ser ‘plantador de sorrisos’ é uma boa experiência?
Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta:
Experiência? ‘Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?’.

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