Preconceito, Piada ou Polêmica?

Um dia desses recebi um e-mail bem humorado do meu amigo Raul Avelino no qual havia uma montagem onde milhares de gaúchos se dirigiam para a Argentina, já que  neste país foi aprovado o casamento entre gays. Brincadeiras à parte,hoje lendo um blog do clicrbs (www.clic.rbs.com.br) onde o jornalista Paulo Sant”Ana – cronista de mão cheia e o maior gremistão da face da terra – discorre sobre as questões do preconceito, prós e contras,etc. A leitura é boa. A polêmica também.

Amarildo Esteves

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Um século de luz

11 de agosto de 2010

Fonte: Portal ClicRBS

Estávamos no aceso da discussão sobre a adoção de crianças por casais gays, quando do alto de sua sabedoria e experiência o amigo Fernando Ernesto Corrêa sentenciou, com silêncio respeitoso da roda:

– Acho que uma criança tem muito mais chance de ser feliz e realizada se for adotada por um casal gay. As relações entre casais gays são muito mais estáveis e harmoniosas do que entre casais héteros. Além disso, nunca vi a separação entre um casal gay. Enquanto as separações entre casais  héteros somam-se aos milhares. Também é de se notar que, quando ocorrem as separações entre casais héteros, o mundo  em abaixo, dá-se a separação debaixo de conflitos e atritos profundos, dificilmente cicatrizáveis. E, quando por acaso se dá a separação entre casais gays, ela se caracteriza por condutas recíprocas civilizadas, não  restando maiores sequelas emocionais e rancores. Por tudo isso, é que julgo serem muito mais provavelmente felizes as adoções de crianças por gays do que por héteros.

Não pensem que a opinião racional e arrazoada do meu amigo foi recebida com aplausos unânimes.

Foi recebida com respeito e acatamento. Eu, em particular, aplaudi intimamente a manifestação de Fernando  Ernesto.

É que custei muito a perceber, mas percebi, que o homossexualismo não é uma opção de vida escolhida pelos gays: é, outrossim, uma destinação genética, um genoma inafastável, uma imposição natural a que são submetidos os gays, igual em tudo à situação dos héteros. É que custei a perceber, na minha burrice esférica tradicional, que homossexualismo não é uma doença.

E como custei a perceber, incrivelmente, que existiam duas inclinações sexuais, a hétero e a gay.

Levei muito tempo para discernir que as perseguições sociais a que foram submetidos – e ainda o são – os gays eram fruto de um odioso preconceito.

Perseguiram-se e desprezaram-se os gays como foram perseguidos e desprezados – e agredidos – os negros, os judeus, os velhos, os ex-detentos etc.

Desde que percebi que os gays eram humanos, essencialmente humanos, capazes de todos os defeitos e virtudes intrínsecos à natureza dos homens, aceitei-os plenamente. Ou melhor, não os aceitei, porque sendo assim parece que fiz uma concessão. Nada disso, considerei-os normais à luz da natureza humana e me propus, onde quer que eu fosse e me dessem a oportunidade, inclusive nesta coluna, a defender a condição dos gays como integrante comezinha da sociabilidade.

Aí me surge lá por trás do biombo da discussão uma opinião atrevida:

“E se porventura tivesses, Sant’Ana, um filho gay? Como procederias?”. Eu procederia como se ele fosse um filho hétero, com a diferença de que me aliaria a ele com todas as forças do meu entusiasmo para lutar contra o preconceito e a cegueira sociais. E daria as mãos para ele e iríamos seguindo pelas mesmas ruas, com a coragem e a lucidez dos justos, para tentarmos vencer toda a escuridão que durante séculos assolou os gays e penetrarmos confiantes na dimensão de luz que começa a iluminar a humanidade, a ponto de nestes dias, só um exemplo, a Argentina ter legalizado o casamento gay.

À vitória!

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