Que Rio é Este? (por Jackson Jocelei Lucas)

De início, só vou me apresentar. Sou Filósofo, mas isso não é muito a minha área atualmente. Na verdade a filosofia me enriquece muito ao que presencio a cada instante. Sou bem apressado para as resolutivas e um tanto quanto, estas são por vezes, um pouco grotescas.Sem mais delongas, fui convidado a escrever sobre “qualquer coisa”. Na verdade este tema não existe para poucos, mas para a maioria o que vou tentar passar pode parecer irrisório.Gostaria de abrir com uma pergunta: Quem são os marginais da sociedade?

Vamos esclarecer… “marginal”… Isso é uma colocação na maioria das vezes para pensarmos em: ladrões, trombadinhas, pobres, desprovidos de roupas e alimentação, etc. Passamos nossas vidas inteiras falando dos marginalizados pela sociedade. Imaginemos um grande rio e com ele suas margens. Em um grande rio, que seja límpido e natural, o que vamos encontrar nas suas margens? Agora imaginemos que se esse rio seja poluído fétido e cheio de impurezas, o que encontramos na suas margens?Não quero aqui destratar ninguém sobre nenhum aspecto, nem da natureza e muito menos de quem for taxado nestes parâmetros impostos pela sociedade. Nesta minha comparação nem tudo é limpo e nem tudo é sujo.

Neste sentido quero trazer em vossas lembranças ou para que conheçam, uma metáfora contada a mais de 2500 anos, o Mito da Caverna.

Nela, seu narrador chamado Platão, apresenta uma hipótese de que uma pessoa em regime de aprisionamento desde sua primeira infância possa ver de dentro de uma caverna apenas sombras, projetadas numa parede diante de seus olhos, com muito pouca luminosidade. Ele vê sombras de objetos carregados por outros, que passam por de trás de um muro sem que as possam ver. A sua geografia limita-se ao espaço sombrio da caverna; Caracteriza-se pela escuridão, é um mundo de sombras, de lusco-fusco, de imagens imprecisas (ídolos); Nele o homem se encontra encadeado, constrangido a olhar só para a parede na sua frente, ficando com a mente embotada, preocupando-se apenas com as coisas mesquinhas do seu dia-a-dia; Em situação de desconhecimento e ignorância.

Porém, pondo este individuo a liberdade, tudo se inovará novos conceitos e imagens passarão a ser realidade, e ainda mais saindo da escuridão, em um primeiro instante, não conseguiria nem enxergar, pelo vasto brilho da luz, mas que aos poucos absorveria uma maravilhosa imensidão de novas coisas. É todo o universo fora da caverna, o espaço composto pelo ar e pela terra inteira; Dominado pela claridade exuberante de Hélio, o Sol que tudo ilumina com seus raios esplendorosos, permitindo a rápida identificação de tudo, alcançando-se assim a ciência (gnose) e o conhecimento (episteme); Plenitude do homem liberto da opressiva caverna, podendo investigar e inquirir tudo ao seu redor conhecendo enfim as formas perfeitas; Homem orientado pela inteligência (nous) e pela razão (logos); Em condições de cultivar a sabedoria e a busca pela verdade e pelo ideal da junção do bem com o belo.

Para concluir, após esta reflexão e libertos de seus pré-conceitos e medos, digo que marginais são aqueles que não querem aprender o que lhes foi ensinado. Causando aí sim, as impurezas com atitudes levianas e incabíveis dentro da sociedade, originando quase sempre prejuízo para quem mais precisa de ajuda. E muitas das vezes ou quase sempre, estes “impuros” não andam nas “margens” da sociedade, mas pelo meio ou por cima, deste grande “rio” da humanidade.

Saibamos viver o novo, o presente com muita intensidade, amadurecer a cada momento, aceitando nossas derrotas com a cabeça erguida e com olhos a diante e não com a tristeza de uma criança. Saibamos que devemos cultivar o nosso jardim em vez de esperar que alguém nos traga flores e o progresso poderia ser bem maior se não fosse o medo de tentar.

Por: Jackson Jocelei Lucas, filósofo

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