O papel da imprensa

Uma boa época para se discutir o assunto. Qual é mesmo o papel da imprensa?

Paulo Rink

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O Novo Modismo

Cláudio Lembo

De São Paulo

Fonte: Terra Magazine (http://terramagazine.terra.com.br)

Um conflito é secular. Sempre presente. De um lado, o poder. A outra parte, a imprensa. Um se acha detentor de toda a sabedoria. A outra, por formação histórica, sempre se opondo.

Os surtos de violência verbal – e por vezes física – surgem no decorrer do tempo. É inevitável e repetitivo acontecimento. Todo governante, em determinado instante, volta-se contra a imprensa.

O costumeiro é se estabelecer um conflito entre oposição e situação e, no centro, a imprensa. Algumas vezes esta suporta a oposição e em outras os próprios governantes.

O raro é governo e oposição, a um só tempo, reagirem, em falas distintas, mas com o mesmo teor, contra jornais. Este raro episódio está se verificando, entre nós, neste momento. Uma nova moda.

Os dirigentes federais e estaduais acusam os jornais de não registrarem suas obras. Apontam apenas os descaminhos governamentais e os equívocos administrativos.

É situação estranha – críticas da oposição e da situação do mesmo teor – e indica um grave defeito de percepção dos dois segmentos. Os jornais não foram concebidos como agentes publicitários.

Devem ser – como tradicionalmente – veículos de informação e crítica, particularmente após o surgimento do rádio, da televisão e da internet. Estes se caracterizam pela imediatidade.

Os jornais impressos, ao contrário, devem se dedicar à análise crítica dos acontecimentos. Possuem espaço físico em suas páginas para recolher opiniões qualificadas e concedem aos leitores oportunidade para refletir.

O político, especialmente em período pré-eleitoral, não pensa. Apenas deseja ser agraciado com notícias favoráveis. Qualquer crítica é posicionamento negativo.

Alteraram-se, e muito, os costumes jornalísticos. Hoje, cada jornal é produto de uma empresa e, como tal, deve oferecer a seus leitores produto isento de partidarismo.

Já não é como no passado, quando cada veículo se encontrava ligado umbilicalmente a um partido. Defendia as posições doutrinárias da agremiação e seus candidatos.

Agora, os jornais desejam se mostrar como espaços democráticos e isentos, o que os leva a serem críticos às administrações públicas, apesar dos apoios subliminares presentes, aqui e ali.

Boa prática, no início das campanhas eleitorais, seria os veículos impressos apontarem suas preferências eleitorais claramente. Um editorial com a expressa indicação do candidato escolhido.

Os leitores leriam as notícias e informações, no decorrer da campanha eleitoral, com o claro conhecimento da tendência do jornal. Entrelinhas a favor deste ou daquele candidato levam a desorientação.

O jornal – repita-se – não se apresenta como os demais veículos. Ele é instrumento próprio para meditação. Só o jornal permite a longa reflexão sobre os acontecimentos.

O rádio e a televisão mostram-se instantâneos. Ouvem-se notícias e podem estas ser captadas com a rapidez de um raio. Tudo passa e pouco resta, apesar do dito chinês (uma imagem vale mais do que mil palavras).

Pode ser. Mas a imagem não permite pensar com profundidade sobre pessoas e acontecimentos. É fugaz, particularmente na contemporânea forma eletrônica.

Os governantes, ao se queixarem uníssonos, sem se aperceberem, fizeram um elogio à imprensa. Mostram-se preocupados com as críticas escritas. Estas permanecem.

A imprensa, por seu turno, ao receber um elogio, no interior de críticas, precisa tomar consciência de sua importância no cenário da democracia de massa.

Os jornais, apesar da queda das tiragens, continuam apontados como veículos merecedores de confiança da sociedade. Deu no jornal é p’ra valer.

Quem conta com tão grande responsabilidade precisa, ser veraz em suas informações. Estas devem sempre possuir duas mãos: a notícia e as etapas de sua evolução na sociedade.

Noticiar e não acompanhar os atos subseqüentes, por vezes, leva a desinformação com suas conseqüências nefastas na democracia. Os governantes, neste caso, têm porque se queixarem.

Os jornais contam com muitos elementos para a própria reflexão.

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