Nossa História, Nossa Vida

Recebi este e-mail do meu amigo Fernando Cunha, a quem cultivo saudades das cervejinhas de sábado e papos jogados fora, porém extremamente etílicos e produtivos, no Mestrado. Sendo assim, fui ler, calma e curiosamente o e-mail, e lembrei-me de nossas profissões de professor. Se alguém quer entrar nesta profissão, recomendo amor ao que faz, paciência e muita, mas muita dedicação. Pelo jeito, até a história muda.

(ah que vontade de dizer que o Brasil não foi descoberto onde e como está nos livros… mas, essa nossa historiografia oficial nos poda, nos enclausura, nos engana e nos mata)

Daniel Pinheiro

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E AGORA,PROFESSORES?

Tiradentes, o bode expiatório?

Novos estudos históricos apresentam uma Inconfidência Mineira diferente daquela que narram-nos os livros didáticos.

Embora a historiografia oficial considere a Inconfidência Mineira (1789) como uma grande luta para a libertação do Brasil, o historiador inglês Kenneth Maxwell, autor de “A devassa da devassa” (Rio de Janeiro, Terra e Paz, 2ª ed.1978), que esteve recentemente no Brasil, diz que “a conspiração dos mineiros era, basicamente, um movimento de oligarquias, no interesse da oligarquia, sendo o nome do povo invocado apenas como justificativa”, e que objetivava, não a independência do Brasil, mas a de Minas Gerais.

Esses novos estudos apresentam um Tiradentes bem mudado: sem barba, sem liderança e sem glória. Segundo Maxwell, Joaquim José da Silva Xavier não foi senão o “bode expiatório” da conspiração (op.cit., p.222). “Na verdade, o alferes provavelmente nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos mais amplos do movimento.” (p.216). O que é natural acreditar. Como um simples alferes (o equivalente a tenente, hoje) lideraria Coronéis, Brigadeiros, Padres e Desembargadores?

A Folha de S. Paulo publicou um artigo (21-4-1998) no qual comenta os estudos do historiador carioca Marcos Antônio Corrêa. Corrêa defende que Tiradentes não morreu enforcado em 21 de abril de 1792. Ele começou a suspeitar disso quando viu uma lista de presença da Assembléia Nacional francesa de 1793, onde constava a assinatura de um tal Joaquim José da Silva Xavier, cujo estudo grafotécnico permitiu concluir que tratava-se da assinatura de Tiradentes. Segundo Corrêa, um ladrão condenado morreu no lugar de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida pela maçonaria. Testemunhas da morte de Tiradentes diziam-se surpresas, porque o executado aparentava ter menos de 45 anos. Sustenta Corrêa que Tiradentes teria sido salvo pelo poeta Cruz e Silva (maçom, amigo dos inconfidentes e um dos Juízes  da Devassa) e embarcado incógnito para Lisboa em Agosto de 1792. Isso confirma o que havia dito Martim Francisco (irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva): que não fora Tiradentes quem morrera enforcado, mas outra pessoa, e que, após o esquartejamento do cadáver, desapareceram com a cabeça, para que não se pudesse identificar o corpo.

“Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria pelo Brasil.” Como só tinha uma, talvez Tiradentes tenha preferido ficar com ela…

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2 opiniões sobre “Nossa História, Nossa Vida”

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