Desobediência Civil (por Paulo Rink)

DESOBEDIÊNCIA CIVIL

“Aceito com entusiasmo o lema ‘O melhor governo é o que menos governa’; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas conseqüências, este lema significa o seguinte, no que também creio: ‘O melhor governo é o que não governa de modo algum’; e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.”

Embora o título acima pareça, aos mais acirrados, um incentivo á anarquia e possa despertar instintos perigosos, na verdade, é somente uma passagem do livro desobediência civil, de Henry David Thoreau. Nele, o autor questiona a utilidade e a necessidade de homens se submeterem aos governos.

Teremos em 2010, dois eventos de relevada importância aos brasileiros. Em junho a copa, em outubro as eleições, para presidente, governador, senador e deputado federal. Serão meses de extrema excitação e paixões florescidas. O nacionalismo brasileiro aflorado, a Bandeira brasileira desfraldada, o Hino Nacional, quase, um rit de sucesso, tocado, cantado, resmungado, murmurado… a lamentação é que isso ocorra somente de quatro em quatro anos.

Os rapazes de Dunga serão alçados a condição, imortal, de heróis da pátria. Vingadores do povo sofrido de pele morena e da Nação humilhada. Se perderem a copa, comoção nacional, olhos lagrimejados e uma sensação de velório coletivo. Depressão! Mas se ganharem a taça, alegria, carnaval, desfiles em carros de bombeiros, encontro com o presidente, se estiver no país, é claro. Os heróis, na alfândega, entram por uma porta, a muamba, por outra. Falar o que? São Heróis.

Se o samba não atravessar e não entrar água no chopp do povão, teremos o nosso, panem et circenses. Assim, o enredo acima pode tornar-se-á combustão para o segundo evento do ano. As eleições. Aqui residem dois perigos. A embriagues coletiva por uma, possível, vitória e o marketing político. O pior entre todo os tipos de marketing.

Ficaremos nesse espaço somente com a corrida presidencial. Pelo jeito dos acontecimentos a eleição, toma o caminho da polarização entre o PT, de Dilma Rousseff e o PSDB, de José Serra. Outros candidatos nanicos não devem fazer grande barulho. Analisemos a mãe do PAC.

Espera-se que a metamorfose, pela qual passou a candidata, não seja apenas no plano visual, mas sim de cunho ideológico. O que preocupa em Dilma Rousseff, não é o seu passado e sim o futuro a qual nos proporcionará. É de se perguntar se Dilma se desvencilhou do casulo da guerrilha, ou se em seus mais íntimos devaneios ainda pairam resquícios de uma ideologia moribunda, que só encontra terreno fértil no populismo dos coronéis latinos americanos e caribenhos e, pelo qual o seu tutor-mor flerta constantemente, já que ele é o cara.

Os debates, antes das eleições, serão ótimas oportunidades para conhecermos a verdadeira face de Dilma. É importante saber, por exemplo, quais são os planos que a candidata têm para a América Latina, qual caminho, com Dilma, tomará o país em relação ao coronel venezuelano, o índio cocaleiro boliviano, o bispo garanhão paraguaio, o terrorista iraniano, o galã equatoriano e os barbudos da ilha cubana, turminha esta que tem o péssimo hábito de invadir refinarias, fechar jornal e televisão e ainda sobra um tempinho pra fuzilar, no paredon militantes contrários a eles. Já que ultimamente o palácio do Itamaraty tem proporcionado certas dúvidas e bom esclarecer logo. Honduras não deixa mentir.

No plano interno discutir-se-á qual dos dois Brasis temos. O Brasil da fantasiosa imaginação de seu, andarilho, presidente; como o empréstimo ao FMI, ajuda econômica aos irmãos miseráveis do sul, o país da Copa de 2014, das inacreditáveis Olimpíadas em 2016, dos dólares nas cuecas, ou meias, depende do escândalo de plantão, do medonho plano de direitos humanos.

Ou discutir-se-á o Brasil da saúde sucateada, da enfadonha taxa de impostos, das rodovias caindo, literalmente, aos pedaços, do genocídio patrocinado pelo tráfico, dos esquemas de corrupção, das instalações precárias das escolas públicas e dos miseráveis que esperam que seu governo venha a seu socorro e não de uma instituição financeira.

O marketing político de Dilma tentara transformar a candidata numa santa, coisa que efetivamente ela não é, Dilma tem seus pecados, o cuidado somente é que não volte a comete-los no futuro.

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