O que colocamos na boca de nossos filhos?

Quem for pai, mãe… comente. Adoraria.

Daniel Pinheiro

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Pesquisa revela má qualidade da dieta dos bebês brasileiros

PATRÍCIA CERQUEIRA

colaboração para a Folha de S.Paulo

Uma das grandes certezas da vida é a de que os pais desejam dar aos filhos tudo do bom e do melhor. Poderiam, então, começar pelo básico: oferecer comida de boa qualidade quando os herdeiros ainda são bebês, algo que não ocorre de acordo com um estudo inédito da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

O documento, que será publicado no “Jornal de Pediatria”, mostra que a família brasileira está oferecendo alimentos cheios de gordura, açúcar, sal, corante e outros aditivos alimentares para bebês com quatro meses de idade.

Participaram do estudo 179 crianças, entre quatro e 12 meses, de famílias das classes A, B e C de São Paulo, Curitiba e Recife. O objetivo era saber o que elas comiam durante sete dias. As mães foram orientadas a anotar tudo em uma planilha.

No meio da papelada, apareceram lasanha pré-pronta congelada, macarrão instantâneo, refrigerante, salgadinho tipo batata chips, chocolate, suco artificial e muita bolacha recheada. Os bebês também bebem muito leite de vaca.

Nenhum dos alimentos citados acima deve entrar na alimentação dos bebês de até um ano de idade por terem baixo valor nutricional (engordam, mas não nutrem), serem ricos em gordura (inclusive trans), açúcar e sal. No caso do leite de vaca, por ser inadequado.

Maus hábitos

Outra constatação do estudo: os maus hábitos alimentares são generalizados. “Bebês dos três extratos socioeconômicos das cidades pesquisadas comem muito mal”, diz Roseli Sarni, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP e uma das autoras.

“A alimentação da criança é reflexo da alimentação da família. Se a família tem hábitos não saudáveis, como o alto consumo de sódio (do macarrão instantâneo), de carboidratos simples (balas, doces) e de gorduras, a criança também terá.”

Sarni suspeita que os pais careçam de informações sobre alimentação saudável, tanto para o bebê quanto para a família. “A falta de educação alimentar e nutricional aliada às práticas de marketing faz com que os pais se percam na hora da escolha alimentar.”

A pediatra defende a adoção de políticas de educação nutricional e uma rigorosa legislação
sobre a produção de alimentos para a mudança do panorama.

Self-service

Além de falta de educação alimentar, de ler e não entender os rótulos, Sarni suspeita que outro fator contribui para a má qualidade da comida infantil: os pais não sabem cozinhar. Fernanda Oening, 30, é adepta assumida do self-service.

“Nem sei como será quando a Clara começar nas papinhas, pois não tenho a menor intimidade com fogão e panelas”, diz ela, que busca informações em sites ou com a mãe para não oferecer comida cheia de gorduras, sal ou açúcar à filha de cinco meses e meio.

Em breve, Clara entrará no mundo das papas de carne e legumes e é nessa etapa que moram todas as dúvidas de Fernanda. “Será que poderei usar sal, carne? Quantos legumes eu terei de colocar?”, questiona.

Especialistas entrevistados pela Folha responderam a essas questões. E também às dúvidas sobre as mudanças que vêm sendo recomendadas desde 2008 pela SBP sobre as primeiras papinhas infantis, como a liberação do peixe e do ovo já aos seis meses de vida.

O peixe e o ovo só entravam no cardápio infantil entre oito e dez meses, pois contêm proteínas alergênicas. “Analisando trabalhos científicos, verificamos que não haveria limitação na introdução desses alimentos na dieta das crianças a partir dessa idade”, explica Sarni.

Para Mauro Toporovski, pediatra da Santa Casa de São Paulo, as mães não precisam restringir a oferta por medo de uma reação alérgica.

Como toda mudança, essa também vem sendo adotada com cautela pelos pediatras. “Eles ainda têm muitas dúvidas sobre se podem, para quem pode e a partir de quando podem indicar”, diz Sarni.

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2 opiniões sobre “O que colocamos na boca de nossos filhos?”

  1. Tenho uma filha de 5 anos chamada Ana Carolina. E a Carol,para os mais intímos,segundo o seu médico,era pra ser amamentada até os 6 primeiros meses de vida. Só que por insistencia dela,o prazo se estendeu até aos dois anos ininterruptamente. E aos tres anos ainda dava umas mamadinhas esporadicamente. Hoje,a Carol é uma criança saudável,com dentiçao perfeita,fala com todos os “erres” desde os 3 anos, e , às vezes, pega algum resfriado. Se eu disser que ela nao come “besteiras” estarei mentindo. Mas nao minto quando digo que ela adora tomate,alface,pepino,mamão,manga e nao faz cara feia. Tem uma grande predileçao por morangos,que aqui em terras nordestinas, sao bem mais caros porque nao são produzidos por estas bandas. Ah! Ela gosta também de tomar leite com aveia. Creio que nós pais somos os grandes responsáveis pela saúde de nossos filhos. Não é porque comemos mal que vamos ensinar isso para nosso filhos. E aí vem aquele ditado: Faça o que eu digo,mas nao faça o que eu faço. Em se tratando de crianças nem sempre dá certo,mas o importante é tentar.

  2. Como está difícil educar as crianças para uma alimentação saudável. Até os dois anos minha filha não frequentava escolinha e comia de tudo, nunca tinha colocado um refrigerante na boca. Algum tempo atrás ela viu uma garrafa pet no lixo e sem o rótulo e me disse: “mamãe quem tomou essa coca?” Eu fiquei perplexa, como ela sabe o que é isso se nunca levei uma dessas para casa. Por mais que a escola tenha um cardápio natural, na sexta-feira do piquenique as crianças levam o que querem e dai ela acaba comendo de tudo. Então ela acaba restringindo o quer comer, pois já teve o primeiro contato com outros alimentos. É uma luta diária, eu digo “salada” e ela “chocolate”.

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