Capítulos VI e VII do Livro Coisas de Homem (por: Dr. Ariosvaldo)

Amigos Leitores,
Estou de volta e junto trouxe meu amigo o Dr. Ariosvaldo que nos brinda com mais dois capítulos do seu livro “Coisas de Homem – Dicas do Dr. Ariosvaldo”.
Espero que gostem e voltem a acessar o blog com muito entusiasmo, assim como a colaborar com a sua atualização.
Um excelente ano de 2010 a todos e vamos rumo aos 50 mil acessos!
Um grande abraço,
Raul Avelino.
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CAPÍTULO VI

O NOIVADO (E OS PARENTES) – ADMINISTRANDO O QUE SE PEGA

De tanto seguir nossos preciosos ensinamentos, você conseguiu, noites a fio, deixar a namorada cedo em casa, simular uma súbita sonolência e sob o pretexto de ir descansar, sair De lá bem na hora da balada. E foram tantas festas, tantas noitadas, tantas presas criteriosamente selecionadas que não teve jeito, por vezes você foi visto em plena contravenção e as más notícias fatalmente chegaram aos ouvidos da sua amada. Que problema hein? Discute daqui, desmente dali, esporro, tapa, grito, xingamento, berro, choro, porta bate, adeus, te odeio, cachorro, pra nunca mais, flores, desculpa, perdão, choro de novo, beijo, abraço, carinho, trepada, e que trepada, reconciliação, te amo.

Opa!!! Te amo!!! Xiii…Esse é o primeiro sintoma de a coisa realmente é séria.

O segundo sintoma novamente aparece por intermédio dos parentes, mais especificamente das tias gordas que agora cismaram de todo ano dar de presente de aniversário pra sua namorada, peças de enxoval, tais como jogos de pano de prato com “biquinho” de crochê, conjuntinho de vestidinho pra liquidificador e botijão de gás na mesma fazenda da cortina da janela da cozinha que é pra ornar. E a lista de barbaridades continua seguida de jogo de toalhas ELE / ELA (azulzinha pra ele e rosinha pra ela), colchas daqueles tecidos que imitam cetim em tons berrantes de vermelho e lilás e que fazem conjunto com cortinas da mesma cor e almofadas em forma de coração, e por aí vai.

Pra você, obviamente, sobram os comentários: “E daí quando é que vai deixar de enrolar a minha sobrinha, hein seu safado?” ou ainda os comentários dos tios mortos de fome que só pensam na festança do casório: “Pô, quando é que vamos matar o boi pra comemorar o enlace dos pombinhos, he, he, he…?”

Se lhe serve de consolo, essa pressão, não é sofrida só por vocês dois não, os seus pais e os dela, via de regra esses mais do que aqueles, também sofrem com a voracidade da parentada de modo que não demora muito e eles acabam aderindo ao movimento opressor casamento já.

O terceiro e definitivo sintoma é quando a sua namorada embala e também adere ao movimento encabeçado pela parentada e passa a comprar revista Manequim / Noivas, ver encarte de jornal com planta de apartamento, sair sábado de manhã com a mãe e as irmãs pra pesquisar preço de mobília e a lhe dar indiretas sobre assuntos variados, como vestidos de noiva, apartamentos, mobília, par de alianças, etc.

Rapaz, se o seu namoro chegou a esse ponto é porque você já está ha muito tempo dormindo na casa da sogra e a intimidade com a família já é tanta que você já caga de porta aberta sem se importar com o cheiro, peida na frente da namorada e chama a sogra de mãe. Nesse caso é hora de parar e pensar, se é que isso ainda é possível.

Àqueles cujo namoro ainda não chegou nesse estágio, continuem chamando o sogro e a sogra de seu fulano e dona fulana, nada de pai e mãe, por mais tarde que seja, vá dormir em casa e somente quando for absolutamente impossível segurar vá ao banheiro na casa dela e mesmo assim na medida que for modelando a argila, vá dando descarga que é pra não deixar o cheiro se alastrar e quanto a peidar na frente da namorada, evite fazê-lo, quando não for possível faça e coloque a culpa no cachorro, no gato ou em qualquer ser vivo que esteja por perto, até nela que assim você já vai exercitando a sua cara de pau. Você pode culpar também o vaso de samambaia da velha que isso vai render uma bela discussão sobre a emissão de gases dos vegetais e assim você exercita não só a cara de pau, mas também a retórica e o poder de persuasão.

Agora, se esse não é o seu caso, se o seu namoro já ta mais sério do que cachorro em canoa, aí a hora realmente é de decisão. Assim como não se vai ao motel sem a intenção de trepar, ao bom cafajeste é vedado o direito de noivar sem a intenção de casar, que isso é coisa de canalha. Portanto, há que se avaliar se essa é realmente a mulher certa pra casar, se é isso que você realmente quer e se você está disposto a assumir os encargos que tamanha responsabilidade lhe trará.

Feitas as devidas ponderações, você agora só tem dois caminhos a seguir, ou faz um acordo com a sua namorada, no qual você entra com o pé e ela com a bunda e com isso volta à estaca zero e começa tudo de novo quando a próxima entre safra lhe derrubar, ou você decide casar e assim pra adiar ao máximo o fatídico dia lança mão do recurso do noivado. Bem administradinho, o noivado pode lhe render mais uns três anos de enrolação, mais do que isso é atraso de vida e menos do que isso é o que geralmente acontece. Os noivados duram em média de um ano e meio a dois no máximo, salvo as exceções.

O fato de vocês estarem noivos não significa que as coisas devem mudar radicalmente, caso essa palhaça comece a ter idéia não dê moleza, não pense duas vezes, meta o pé na bunda dela e cace o rumo e ela que faça das alianças um bom proveito. Agora se ela estiver se comportando direitinho, há que se ter alguma consideração com a pobrezinha. Vá reduzindo gradativamente as suas noitadas até um mínimo de uma por semana, mantenha a conversa fiada regada a cerveja e o futebol com os amigos, mas selecione ainda melhor as suas aventuras amorosas, qualquer deslize agora pode não significar o fim do relacionamento, mas com certeza irá render comentários desagradáveis pro resto de sua pobre vida, o que cá pra nós, é bem pior do que o fim do romance.

Comece a exercitar álibis que lhe serão de grande monta quando do casamento, tais como viagens, cursos, cerão, academia e afins. Como uma espécie de preparação para o casamento, passe mais tempo com a adversária que é pra ir acostumando e vá em tudo quanto é evento que lhe convidarem pra ir sem ela, até reunião de condomínio, com isso, ela é que vai se ambientando com a sua vida agitada e cheia de compromissos que o impede de passar mais tempo ao lado dela. Muito cuidado, o noivado serve também pra você controlar a medida das coisas, não exagere sob pena dela se emputecer e resolver matar as saudades daquele antigo namorado antes de casar.

Bom se isso acontecer agora, ou depois que você estiver casado, não se desespere. Ser um cafajeste é também dominar a arte de reverter situações hostis a seu favor. O melhor mesmo é não ficar pensando nisso, é desencanar, mas caso você descubra que é corno, não faça nada, não dê na vista, finja que não sabe de nada e deixe essa cadela cavar a própria cova, quando ela menos esperar você posa de vítima e a desmoraliza perante os parentes e amigos, no trabalho e em tudo quanto é canto, se for casado deixe a vadia sem nada, se tiver filhos fique com eles e não meça esforços pra que ela tenha o mínimo de direitos sobre eles, fode com a vida dela, faça com que ela só conjugue o verbo sofrer, extraia o melhor possível dessa situação adversa e saia por cima da carne seca e se vocês têm de lavar alguma fama nessa história, ela que leve a fama de puta e você a de um corno esperto e maduro que soube assimilar o duro golpe e que na verdade já não tava nem aí pra ela. Parece crueldade, mas não é não, isso não é nem sombra do que ela vai fazer caso descubra alguma cagada sua que você não consiga reverter, portanto, todo cuidado é pouco.

Mas, deixando a parte triste de lado e voltando ao assunto do noivado, salvo estas pequenas adaptações, relaxe e deixe a coisa fluir normalmente pois o noivado nada mais é que um namoro de alianças com data marcada pra acabar e virar casamento. Triste sina.

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CAPÍTULO VII

O CASAMENTO (E OS PARENTES) – ESCONDENDO O QUE SE PEGA

Não existe a menor possibilidade de se falar de casamento sem fazê-lo passo a passo, ou seja, não podemos começar a falar de casamento sem falar da festa e de seus preparativos.

E não adianta, festa boa mesmo é festa de pobre, que festa de rico é muito cheia de viadagem e pouca comilança, alem do mais se formos falar de todos os tipos de festas de casamento, vamos acabar tendo de escrever um livro só sobre esse assunto.

Após a realização de uma enquete onde foram colhidas as mais diversas opiniões a respeito de tão complexo assunto, pudemos apurar que a maioria esmagadora elegeu a festa em salão paroquial, aqueles anexos à igreja onde se realizou o casório, como sendo as mais animadas, pois no som mecânico toca-se de tudo e o povo dança sem culpa até cair, bebe até cair, come até cair e briga até cair, tudo regado a muita baixaria e tia gorda se espatifando no chão de taco após uma tentativa infeliz de um novo passo de dança.

Em segundo lugar disparado elegeu-se a festa de casamento em salão de clube, dessas, tipo festa de formatura, um pouco mais requintada, mas com os mesmos ingredientes tragicômicos da anterior, pois apesar do refinamento que custou os tubos ao infeliz do pai da noiva, após um vinhozinho aqui, um uísquinho ali, a baixaria rola solta, os homens esquecem o paletó e o senso do ridículo na cadeira, tiram a gravata, alguns a prendem na testa fazendo estilo Rambo outros a picam em pedaços e passam pelas mesas dizendo ser a gravata do noivo na esperança de levantar algum. Já devidamente desgravatados e perdidamente embriagados vão pro meio da pista de dança e ao som de Bee Gees, Village People e Roupa Nova com as infalíveis “Stayin’ Alive”, “Macho, macho man” e “Uísque a go go” esboçam uma performance a lá John Travolta com convulsão.

Já a mulherada a essas alturas também já perdeu a compostura e o salto do sapato e devidamente descalças, com a meia desfiada, o penteado de cento e vinte reais todo desgrenhado, maquiagem borrada e um peito que insiste em fugir pelo decote ousado, também vai pro meio da pista pensando que são a versão tupiniquim da Shaquira, cantam e saracoteiam e dá-lhe tia gorda pensando que é Ana Botafogo e ao ensaiar um “padedê” estatelam o bundão no chão de taco, pernas varizentas pro alto e calçolas à mostra e dá-lhe festa…

Ah, tem ainda a banda Show e Luzes de música ao vivo que também toca de tudo e geralmente com muita qualidade vai desde Ray Conniff e boleros clássicos como “Besame Mucho” até as mais saudosas marchinhas de carnaval. Ê festão!

Tirando a comilança que ao contrário da festa no salão paroquial, não é regada a churrascão com maionese no prato de papelão, cerveja, vinho de colônia e tubaína de framboesa, no mais a animação é a mesma só perde pra festa do salão paroquial porque a etiqueta impõe alguns limites e com isso raramente rola uma briga que sempre completa a animação.

Então todo mundo empanturrado, bêbado e com o saco cheio de tanta baixaria, como se não bastasse saem reclamando e falando mal da festa, da família do noivo se forem parentes da noiva e vice-verso, reclamam do padre que enrolou muito no sermão, reparam na roupa e no cabelo de todo mundo, enfim reclamam de tudo e as tias gordas seguem seu destino com seus pratinhos de papelão recheados de salgadinhos, docinhos e bolo que geladinho no dia seguinte fica mais gostoso, tudo é claro devidamente coberto com guardanapinho. E você que gastou os tubos pra agradar dando uma baita festança, não tem jeito, de qualquer maneira sai mal falado ou porque gastou demais e sai com fama de esnobe, ou porque gastou de menos e não passa de um tremendo mão de vaca, “Coitada da Fulana que casou com esse avarento e vai ter que viver na miséria”.

Festa feita, o próximo passo é a lua de mel. Sobre isso não temos nada a declarar porque tirando as fotos e fitas de vídeo insuportáveis que ninguém consegue assistir, tudo o mais numa lua de mel é mistério, talvez até por razões óbvias, afinal uma broxada em plena noite de núpcias não é exatamente um feito a ser alardeado.

De volta ao lar doce lar, tudo é lindo e maravilhoso até começarem os primeiros contratempos.

Não pretendo aqui abordar todos os contratempos que assolam a vida conjugal de cada um dos casais (o que farei quando escrever meu próximo livro o qual será dedicado somente ao tema “casamento”), mas sim fazer um apanhado geral sobre os percalços mais comuns como por exemplo, os parentes (sogra megera, sogro pinguço, sobrinhos mimados, cunhado folgado, prima puta, cunhadinha gostosa…etc.) e as particularidades da sua parte como a famosa toalha molhada em cima da cama, sapatos e meias fétidas pela sala, cueca borrada no chão do quarto, ronco ao dormir no sofá, futebol com os amigos, cerveja com os amigos, putaria com os amigos e por aí vai… E da parte dela as perguntas e comentários irritantes como “Vou pra casa da minha mãe”, “Você me ama?” “Estou gorda?” “De qual time é esse jogador todo de preto que corre pra lá e pra cá com esse apitinho na mão e nunca chuta a bola???” ou ainda “QUEM É ESSA TAL DE CLAUDINHA!?!?!?”.

Como já vimos anteriormente, se casar é uma cagada, separar são duas. Logo, se estes pequenos impasses não forem habilmente administrados, isso pode significar o fim do relacionamento e o início de uma baita encheção de saco. Para se evitar contratempos com os parentes, via de regra, alguns procedimentos básicos são bastantes e suficientes, principalmente se enquanto namorado, você já soube manter cada macaco no seu galho, resumindo, não dá mole, não dá confiança pra ninguém, mantenha a política de boa vizinhança, trate bem quem lhe trata bem, despreze quem lhe trata mal e só se preocupe em gostar de quem gosta de você. Não dê lado pra fofocas e falatórios, não se meta na vida deles e não permita que se metam na sua, não empreste dinheiro, tampouco peça emprestado, em casos de necessidade extrema, recorra a amigos, instituições financeiras ou agiotas, mas em hipótese alguma empreste nada dos parentes, nem dos seus nem dos dela e se mesmo com todos esses cuidados eles insistirem em infernizar a sua vida, bom, nesse caso não tem outro jeito, espatife as fuças dos desgraçados com um belo cruzado de direita, ou contrate alguém que o faça.

Ah, quanto a prima puta e a cunhadinha gostosa, nem pense em pegar!!! Pelo menos não agora, espere o momento mais oportuno em que elas também tenham algo a perder caso o affair seja descoberto, dessa forma fica todo mundo com o rabo preso e conseqüentemente todo mundo se preocupa com a discrição e o sigilo.

Tendo esses pequenos detalhes sob controle, você agora precisa se preocupar com aquela que é a principal razão da falência conjugal. “AS SUAS PISADAS NA BOLA”!

É, elas mesmas, as famosas CAGADAS estão de volta e são inevitáveis, porém administráveis e como contorná-las é o que veremos a seguir.

Primeiro trataremos os pequenos impasses domésticos, para então partirmos para os casos mais delicados como as suas relações extraconjugais, assunto do qual tratarei baseado tão somente no estudo das experiências alheias, posto que não disponho de vivência prática neste campo, uma vez que a fidelidade é um dogma que respeito incondicionalmente. Colou? Bem, isso não vem ao caso, vamos ao que interessa.

Se você sempre viveu na barra da saia da mamãe, terá problemas porque a sua esposa evidentemente não é a sua mãe e conseqüentemente irá suportar muito menos desaforo que a sua santa mãezinha, além do que não irá fritar seu bifinho na manteiga com uma pitadinha de açúcar que aí já é viadagem demais, bem como, não vai conseguir jamais o mesmo tempero do feijão da mamãe. Portanto, pelo bem do seu convívio conjugal, esqueça toda e qualquer comparação entre a sua mãe e a sua esposa. Essa é uma regra básica de bom relacionamento.

Muito bem, cada macaco no seu galho, cada um com seu cada um e deixe o cada um dos outros. Agora o negócio é entre você e a patroa, portanto há que se deixar claro quem é que manda no barraco em determinadas ocasiões. Via de regra quem manda é ela, deixe-a crer nisso do contrário nada mais funciona e a sua vida vira um inferno. No entanto, como toda regra tem exceção, em determinados momentos você terá de se impor e primar pela sua individualidade respeitando evidentemente a dela. Aliás, esse lance de respeito sempre soa muito bem numa discussão desde que você toque no assunto primeiro.

Deixe esse subterfúgio para aqueles momentos da discussão em que você estiver numa sinuca e precisar de tempo pra pensar numa resposta. Por exemplo, a dona patroa ataca: – Que mancha de batom é essa na sua cueca Valdionor? Aí você contra-ataca: – Olha Jucicleide, eu não suporto mais a falta de respeito com que você vem me tratando ultimamente…

Evidentemente o seu comentário não tem nada a ver com a pergunta dela, mas ao mesmo tempo em que você o faz, pensa em alguma resposta plausível, duvido que você encontre alguma, mas ao menos ganha tempo antes de tombar desfalecido com um golpe de frigideira na idéia. Como mulher não suporta que seus princípios éticos, mesmo que eles não existam, sejam questionados, ela antes de continuar com interrogatório descabido a respeito do batom na zorba, vai querer discutir sobre quem desrespeita quem primeiro e com que intensidade. Desta forma, até que ela lembre de retomar o assunto do singelo cosmético labial na sua roupa íntima, já é outro dia e as coisas devidamente mais calmas acabam se resolvendo por si. Ou isso ou o fim do relacionamento, porque francamente, batom na cueca não tem explicação.

Essa artimanha pode ser aplicada em qualquer situação, porém para aqueles casos menos complicados você não precisa lançar mão de tão preciosa matéria, mas sim do recurso tão somente. Ou seja, ao invés de aplicar o conto do desrespeito ou outro que o valha, simplesmente devolva a resposta com outra pergunta e até que ela reordene as idéias novamente, você já teve tempo de pensar. Por exemplo, se ela enfurecida lhe pergunta: – Quem essa tal de Claudinha? Você com cara de sonso também pergunta: – Claudinha? Que Claudinha? Bom ela vai ficar prostituta da cara e antes de refazer a pergunta irá precede-la de uma série de impropérios, todos injustos é claro, com relação à sua pessoa e com isso você agora recuperado do baque, poderá responder não com cara de sonso, mas com cara de pau, serenamente: – Ah claro você ta falando da DONA Claudinha, aquela senhora baixinha, gorda e banguela que manca de uma perna e não tem um olho, a nova zeladora lá da repartição. Ela me procurou, foi? Com certeza pra pedir algum ajutório, é que ela nem bem começou no emprego já foi mandada embora, coitada… Gente preconceituosa, só porque sofria de lepra não quiseram que a pobre continuasse no serviço, quanta maldade…

Viu? É mole, a essa altura dos acontecimentos a dona da pensão já ta até arrumando uma cesta básica para você levar para pobrezinha da Da. Claudinha. Ah, dona Claudinha, Uh tererê…

Outro problema bastante comum na vida a dois, costuma ser o sacro hábito do futebol seguido de churrasco, cerveja gelada e samba de primeira com os amigos. É preciso esclarecer que o futebol também conhecido como bate bola ou pelada, no bom sentido, não diz respeito tão somente ao querido esporte bretão. Também chamamos de futebol ou bate bola, outros hábitos coletivos como o jogo de cartas, o tênis, o golfe, o palitinho, a bocha e até mesmo o simples bate papo de botequim. A isso tudo chamamos bate bola.

Portanto queridas esposas, quando ouvirem seus maridos ao telefone com algum amigo combinando um “bate bola”, saibam que não necessariamente eles estão combinando um jogo de futebol propriamente dito, mas um simples e inocente encontro entre amigos. Alguns gostam tanto dos seus passa tempos e os levam tão a sério a ponto de batizar seus equipamentos com nomes próprios geralmente de mulheres, logo se no meio do diálogo as senhoras ouvirem um perguntar ao outro se ao bate bola também irão a Claudinha, a Gabi e a Tati, lembrem-se que com certeza eles estarão se referindo às suas bolas de boliche preferidas, raquetes de Tênis, tacos de sinuca e coisas do gênero.

Tem um amigo meu que é tão maluco por sinuca que a cada bola do jogo ele deu um nome de mulher. Em certa ocasião enquanto ele ao telefone descrevia uma seqüência de jogada a um companheiro de boteco (- Rapaz!!! O bate bola de ontem tava bom demais, você não sabe o que perdeu, teve uma hora em que eu fui louco pra cima da Gabi, daí o taco espirrou e eu acabei encaçapando a Tati. Foi uma loucura!!!), ele nem bem concluiu a narrativa e teve o cocuruto colhido por uma panela de pressão desgovernada que veio da cozinha. Coitado, a Esmeralda patroa dele, pensando tratar-se de uma suruba homérica não titubeou em golpeá-lo à distância com o pesado artefato doméstico. E pensar que se tratava tão somente de um inocente jogo de sinuca. Não sei se ele ficou com alguma lesão no cérebro, mas o pessoal comenta que depois disso o taco dele espirra com muito mais freqüência do que outrora, coitado.

Vejam bem minhas senhoras, que este triste episódio sirva de alerta contra possíveis incompreensões e injustas reações.

Bem, aos caríssimos leitores me resta recomendar que desde o início do relacionamento deixem tudo muito claro, que mesmo depois do casamento o bate bola vai continuar rolando, no máximo o que pode acontecer é uma negociação de horários, isso nós até achamos justo e as esposas, quando não são loucas, geralmente aceitam bem essa condição.

Se entrar num acordo quanto ao horário, normalmente não requer maiores habilidades, cumpri-lo é impossível e ludibriar a dona da pensão quanto aos atrasos é uma arte que poucos dominam, ou pensam que dominam. Aqui, algumas dicas que disponibilizo aos leitores amigos.

Lembro que cada um sabe onde seu calo aperta, portanto o que apresentaremos a seguir serão apenas sugestões flexíveis que podem ser moldadas á necessidade de cada um.

Muito bem, você saiu pra um bate bola legal com os amigos e o combinado com a patroa, além de levá-la na casa da sogra no sábado á tarde ou coisa do gênero, era de voltar até no máximo a meia noite. Geralmente pequenos atrasos são toleráveis, uma vez que meia noite e cinqüenta e nove, ainda é meia noite e você então só se atrasou alguns (59) minutinhos, nada que uma boa explicação não resolva.

O problema é quando você chega a partir da uma da manhã, porque aí no entender das esposas, já é de madrugada. Sendo assim, já que a encheção de saco vai rolar solta de qualquer jeito, estique a festa até as três da matina que dá no mesmo, no entanto se vai chegar depois das três, aí fodeu nem chegue, por que nesse caso já é de manhã. Se você cometer uma sandice dessas melhor desaparecer no mínimo até o meio dia, porque até as sete da manhã, você ainda é vagabundo, mas depois das sete ela já começa a se preocupar e ligar só pra duas pessoas, Deus e o mundo, ou seja, necrotério, hospital, departamento de trânsito, parente, delegacia, IML e o cacete a quatro. Se você tiver alguma herança pra deixar, lá pelas onze você já é tido como morto pela maioria dos parentes, agora se for um duro como eu, melhor esperar mesmo até o meio dia, meio dia e meia, mais ou menos, pra se assegurar de que o desespero tomou conta do pedaço. Não que gostem de você, o desespero na verdade será dos seus credores porque sendo você um duro, com certeza vai estar devendo só pra duas pessoas, Deus e o mundo…

Bem, voltando ao assunto, depois é só rasgar a camisa, o bolso da calça, esconder o relógio dentro do sapato (pra justificar o porque de não terem levado o seu cebolão), jogar sua carteira de documentos numa caixa de correios qualquer (que depois você recupera no achados e perdidos daquela instituição, que aliás é muito séria e funciona bem) e se apresentar com aquela cara que é um misto de coitado, herói e vítima dizendo que foi seqüestro relâmpago. Desse jeito você além de se livrar das ripadas ainda justifica o rombo que as extravagâncias da noitada deixaram na sua conta e de quebra ainda tem desculpa pra dormir sossegado a tarde toda e repor as energias perdidas durante o “seqüestro”.

Contudo aconselho que o melhor seja evitar tamanho transtorno, chegando mesmo até as três da manhã. Como já vimos, até a meia noite dá pra chegar tranqüilo sem maiores contratempos. Portanto se você se atrasar e quiser dar o “migué” de estar chegando mais cedo, é muito simples.

Todo casal moderno que se preza tem um criado mudo na cabeceira da cama e sobre este um rádio relógio digital que nos inferniza a vida de manhã e que nos delata quando chegamos em casa de madrugada. O que poucos sabem é que esta pequena maravilha tecnológica dos infernos tem uma grande utilidade para os cafajestes, pois se é por ele que a Da. Patroa controla o horário da nossa chegada, é através dele que nunca mais iremos nos atrasar. Você quer saber como?

Ë muito simples, se depois do bate bola você esta voltando pra casa as duas da matina e no caminho veio pensando numa desculpa que não lhe ocorreu, não se desespere. Ao chegar em casa vá até o relógio do contador de luz e desligue e ligue novamente a chave geral. Isso causará uma interrupção momentânea no fornecimento de energia elétrica de sua residência, o que fará com o que o rádio relógio delator volte a marcar meia noite. Desta forma quando a adversária acordar com a sua chegada, vai estar ainda meio zureta de sono, vai ver que no rádio relógio ainda é meia noite e vai voltar a dormir tranqüila e serena sem lhe encher o saco.

Esqueça os métodos ultrapassados de ludibriar a esposa que estes depõem não só contra a sua credibilidade como também contra a sua inteligência, afinal convenhamos, ninguém demora mais do que meia hora pra trocar um pneu furado, portanto não há como justificar um atraso de cinco horas com uma desculpa dessas. Defeito mecânico talvez, dependendo das circunstâncias até passe, mas é muito manjada e nesse ramo de negócio o segredo é a criatividade.

Um artifício bastante antigo, simples e eficiente, mas que não pode ser usado sempre, é o de chegar em casa prostituto da vida, você viu que se atrasou e que a patroa vai lhe encher os pacovas então já chegue batendo o portão dando bico no cachorro e metendo o pé na porta vociferando que teve um dia horrível, não dê conversa pra ninguém, vá direto pro banho e dali pra cama. Esse método em geral funciona bem. Bater as panelas reclamando da janta também impressiona, mas é pecado e traz má sorte, pelo menos é o que dizem os antigos, além do mais você pode perder a medida e a patroa se emputecer com tamanha esculhambação e aí o tiro sai pela culatra.

Algumas lorotas clássicas ainda andam muito em moda, como por exemplo: O que dizer se você está chegando em casa altas horas da madrugada com uma série de chupões e manchas roxas pelo corpo? Nesse caso não tem jeito, você tem de atacar com a clássica história da abdução. “É isso mesmo Dorinha, eu tava vindo pra casa quando de repente meu carro pifou e uma luz forte (evite dizer de que cor era a luz, esses detalhes sempre traem a nossa memória, aliás o melhor mesmo é reduzir ao máximo a riqueza de detalhes, uma história com poucos detalhes pode não ser tão convincente, mas seguramente pode ser contada mais de uma vez do mesmo jeito) envolveu o carro e eu me senti sendo puxado para cima, depois disso desmaiei e quando acordei estava de novo no carro com dores e manchas por todo o corpo e não me lembro de mais nada, sinto só uma forte dor de cabeça e uma sensação estranha. Nesse momento arregale bem os olhos, fixe um ponto no horizonte e comece a dizer coisas indecifráveis do tipo “karazinpuoemeut combule zauntxhgaretanio” igual aqueles loucos que apareceram outro dia no Fantástico dizendo que eram paranormais só porque inventaram de falar umas línguas que ninguém entendia. Porra como tem neguinho cara de pau nesse mundo, logo em seguida passe a agir normalmente como se nada tivesse acontecido e sempre que ela retomar esse assunto haja da mesma forma, como se a lembrança desse momento o remetesse a uma espécie de transe.

Ah, mas o que você quer saber mesmo é como vai fazer pra administrar aquela amante que você arranjou e não sabe como se livrar dela não é mesmo? Bom se você não sabe nem eu, se vira mané. Eu já falei antes e repito, amante é coisa de canalha, cafajeste que é cafajeste não tem amante, tem amiga, que enche menos o saco e custa mais barato.

Mas se mesmo assim você resolveu arrumar uma namoradinha e ela agora não sai do seu pé, penso que a melhor maneira de se livrar da criatura é ir esfriando o relacionamento, deixe a preocupação com a sua reputação de lado e comece a dar “umas meia foda”, não há mulher que suporte um cara meia bomba direto, comece a tratá-la com indiferença e distancia forçando-a a lhe chamar pra um bate papo do tipo “precisamos discutir nossa relação”. Aí então é chegado o momento em que você tem de dizer pra ela que a sua relação é com a sua mulher e ela que vá catar coquinho. Parece cruel, mas tem de ser assim, pois já que você começou canalha termine canalha e livre-se dessa encrenca antes que a sua mulher se livre de você.

Claro que tal atitude implica o risco dela resolver se vingar de você botando a boca no trombone, portanto vai da sua sensibilidade e habilidade em fazer com que o fim seja natural e sem muitas mágoas, senão você ta fudido meu amigo. A melhor maneira de fazer com que ela desencane de você é jogando-a no colo de um amigo disposto a quebrar esse seu galho, bancando o confidente, amigão, etc,  se ele fizer o serviço com propriedade você já era e então o problema passa a ser dele.

Pra evitar esse tipo de transtorno, o melhor a fazer e ter sempre em mente o seguinte lema: “Em se tratando de petecas, uma foda todas merecem, duas muito poucas e três raríssimas e com essas, geralmente você se casa”.

Porém, se você é um sujeito esperto e inteligente e tem apenas algumas amigas com quem troca algumas experiências íntimas de vez em quando, o segredo é fazê-lo sempre com muita discrição e em horários e locais acima de qualquer suspeita. Normalmente só se chega em casa de madrugada porque se estava no botequim com os amigos. E as patroas insistem em imaginar o contrário, logo você já deve estar pensando qual o melhor horário para tais encontros de forma que não preciso lhe dizer, pois cada um sabe onde seu calo aperta. O segredo nesses casos é fugir do comum, pois o comum é previsível e facilmente descoberto.  Alguns preferem pela manhã, outros á tarde, na verdade não existe uma regra para se fazer o que está fora da regra. Existe sim a conveniência de cada caso e cuidados a serem observados.

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