Fast Food Orgânico (Meio Ambiente, Consumo)

Considerando o nosso atual nível de consumo e destruição do planeta e da nossa própria saúde, levando uma vida nada saudável, a alimentação orgânica é uma saída espetacular ou pode ser, no mínimo, um bom começo.

Daniel Pinheiro

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Fast-food orgânico

Em ano de regulamentação da produção orgânica, fábrica de hambúrgueres de soja de Campo Largo explora novo mercado

Publicado em 15/12/2009 | José Rocher

Fonte: Gazeta do Povo

Campo Largo – Quem consome orgânico sabe que não se encontra esse tipo de alimento em qualquer lugar. Restaurantes que só usam ingredientes livres de agrotóxicos são raros. A solução, muitas vezes, é ir à feira e comer em casa. Nessa hora, outro grande problema. Como arranjar tempo para cozinhar? Para esses consumidores, o ideal são pratos rápidos, que agora podem ser feitos com hambúrguer, tofu, patê e espetinho. Porém, tudo à base de soja orgânica. Esse filão de mercado é o alvo da agroindústria Samurai Organic Foods, de Campo Largo, que resolveu combinar o fast-food urbano com o slow-food dos consumidores mais exigentes.

Se as estatísticas que mostram que o consumo de orgânicos aumenta 25% ao ano no Brasil estiverem certas, os alimentos industrializados chegam tarde às prateleiras. “Temos um vasto mercado a explorar”, afirma o administrador da fábrica, Frantiesco Pessoa, que ainda não cogita exportação.

Com 15 funcionários, a empresa opera em instalações provisórias. Foi transferida de Florianópolis (SC) – onde funcionava como uma fábrica artesanal – para Campo Largo, a 30 quilômetros de Curitiba, um ano e meio atrás. Recebe 4 toneladas de soja por mês e planeja dobrar esse volume em dois ou três anos.

Cresce de acordo com o mercado interno. Os alimentos da Samurai estão em 23 das 27 capitais do país. “Só não vendemos para Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO)”, afirma Roberto Perin, ex-produtor de soja orgânica que dirige a indústria.

Para vender hambúrguer até no Acre, a empresa fez parceria com grandes redes de supermercados. Como nessas redes os orgânicos são direcionados ao público de maior poder aquisitivo, é necessário popularizar o consumo – ou seja, ganhar escala, reduzir custos e baixar preços – para ampliar significativamente a produção.

Otimismo é o que não falta. “Indústrias na Europa que tinham o nosso tamanho 15 anos atrás cresceram 40 vezes desde então, ampliando o processamento de 50 para 2 mil toneladas de soja ao ano”, cita Perin.

Resistência

Vizinho da indústria de comida orgânica rápida, o curitibano intriga a empresa. Os investidores esperavam boa receptividade do mercado a curto prazo. No entanto, a Samurai vende mais para os consumidores de capitais menos populosas, como Florianópolis e Belém do Pará, do que para os de Curitiba. As razões possíveis vão do preço estipulado nos supermercados à disponibilidade de verduras e frutas nas seis feiras livres semanais.

A estratégia da Samurai tem sido, num primeiro momento, ampliar a lista de distribuidores. Se o plano não funcionar, a saída será investigar por que o consumidor de orgânicos resiste aos alimentos industrializados. Vilões da obesidade quando produzidos com carne e gordura, hambúrgueres e espetinhos de soja estão sendo vítimas de discriminação, diz Perin.

Produção

Inspiração caseira

Indústrias de alimentos como o tofu precisam mais do que monitorar a produção da matéria-prima e repetir receitas. “A produção tradiconalmente caseira é delicada. O desafio é manter aqui a qualidade do produto artesanal”, afirma o gerente de produção da Samurai Organic Foods, Marcos Velloso.

A soja fica de molho, é moída e depois cozida para que, então, o leite seja separado das fibras. O líquido segue para coagulação, sempre com a temperatura controlada. O processo, que leva até 24 horas na produção de queijo de leite bovino, resume-se a 40 minutos no caso do tofu. Prensado, o tofu serve de matéria-prima para produção de hambúrgueres e espetinhos, que podem ser feitos também só de fibras. Sabores como tomate seco, legumes e azeitona são adicionados na hora da produção da massa.

Para quem está chegando à indústria, como Renata Fieker, resta aprender na prática. “É meu primeiro dia, não parece difícil.” O roteiro é dado durante o trabalho. “Não existem cursos. Vamos aprendendo uns com os outros”, conta Valquíria Santos, há sete meses empregada.

A responsabilidade é agradar tanto o consumidor já habituado aos orgânicos como aquele que compra pela primeira vez. Uma das metas do setor é atender demandas como a da merenda escolar, que depende da aprovação das crianças e do governo. Segundo a Samurai Organic Foods, já existe escala para isso. (JR)

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