Desafio DebatePronto (por Raul Avelino)

Não ouso comentar o texto do meu amigo Raul. Essa coisa de Desafio está ficando cada vez melhor. Tire suas próprias conclusões. Como ele mesmo declarou, ao enviar o e-mail: abriu a caixa de ferramentas!!!

Lembrando que, para participar, basta enviar para daniel.m.pinheiro@gmail.com um texto respondendo a uma das seguintes perguntas: Por que você acha que o mundo vai acabar em 2012? (ou) Por que você acha o mundo não vai acabar em 2012?

Daniel Pinheiro

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FIM DO MUNDO EM 2012? É O FIM DO MUNDO!

Pois é, eu como cofundador do blog nunca me senti muito a vontade em participar dos desafios propostos pelo Daniel aqui no debatepronto, é que por extensão, a mim fica a impressão de que de alguma forma também fui eu quem os propôs e daí fica aquela coisa de funcionário do supermercado participando do sorteio do carro no fim do ano, manja? Então, é por isso que não participei dos desafios anteriores, mas esse negócio de fim do mundo não dá pra deixar passar em brancas nuvens.

Pra não cair no lugar comum não quero me prender às previsões nostradâmicas nem aos apocalípticos temas ambientais, tampouco desdobrar o latim discorrendo sobre nosso comportamento consumista ou consumeirista, mesmo porque a esse respeito muitos já falaram e o fizeram tão bem que previdente que sou não me arrisco a fazer-lhes concorrência.

A expressão o FIM DO MUNDO, passou a assumir uma conotação mais especial em meu modesto vocabulário quando, ainda acadêmico de administração, conheci o Professor Sady Pezzi, um tremendo sujeito que quando pra ele alguém contava alguma barbaridade, narrava um acontecimento surpreendente, ou noticiava algo estarrecedor ele simplesmente balançava a cabeça e dizia “É O FIM DO MUNDO”! Gostei da associação e daí pra frente passei a classificar algumas coisas, fatos e acontecimentos na categoria FIM DO MUNDO.

E se o infeliz do Lula pode se arvorar conhecedor de alguma coisa a ponto de estranhamente citar Freud ou arriscar uma constatação “geográfica”, acho que posso chamar assim, pra fazer um discurso ufanista a cerca da diminuição do desmatamento na Amazônia, eu também posso e devo, com a minha autoridade de Doutor em coisa nenhuma, apresentar uma explicação científica para adoção da expressão FIM DO MUNDO enquanto adjetivo de etecéteras e tais, ao meu bel prazer.

Pois vejam os senhores, sempre que estamos diante de uma previsão apocalíptica observamos que estas vêm precedidas de alguma desgraça ou acontecimento catastrófico que a prenuncia, tais como pragas, epidemias, moléstias de toda sorte. Portanto é bastante apropriado imaginarmos que o FIM DO MUNDO também virá precedido de tais acontecimentos e é aí que eu quero dar assento às minhas ponderações.

Quero, pois, chamar a atenção para uma das tantas coisas que na Terra de Vera Cruz têm andado tão mal que pra mim, de tão escandalosas, assustadoras e estarrecedoras, são realmente o FIM DO MUNDO!

Quero falar de educação, afinal se o consumismo desregrado, o descaso com o meio ambiente e o uso inconseqüente dos recursos naturais estão nos conduzindo ao final dos tempos, estes são efeitos de uma causa que em resumo é a falta de educação! É, assim genérica mesmo, como a minha avó a Preta Velha Don’ana de Ogum, analfabeta funcional tal qual nosso Presidente, mas de longe muito mais sábia, dizia ao me aplicar suas pequenas reprimendas: “Fio, faz isso não que isso é coisa de gente malinducada!”

Pois é, é coisa de gente “malinducada” ser egoísta e só pensar no seu bem estar sem se preocupar se tal satisfação vai trazer algum reflexo ao meio ambiente que é de todos! É coisa de gente “malinducada” jogar lixo no chão, pela janela do carro, no riozinho que passa atrás do barraco e depois incendiar pneu na rua em protesto ao alagamento da favela por causa do rio que transbordou com a última tempestade. É coisa de gente “malinducada” não respeitar professor, trapacear um terceiro numa negociação, não devolver o troco errado recebido a mais, ultrapassar pelo acostamento ou usar o acesso do CIETEP pra bancar o espertão e avançar alguns metros no engarrafamento da Avenida das Torres. Não dar a vez no trânsito, fingir que esta dormindo no ônibus pra não ceder o assento a um idoso, deficiente ou mulher grávida, furar fila, não respeitar pai e mãe, e burlar as regras de convívio em sociedade, não ser patriota e negociar o voto assim como ser eleito e não honrar esse voto de confiança, tudo isso é coisa de gente “malinducada”.

Minha esposa é professora das séries iniciais e dia desses queixava-se que hoje, em nome de se manter os altos índices de desenvolvimento humano, interesse meramente político, a educação dos nossos pequenos, futuro da nossa nação, virou instrumento de produção de falsos resultados, pois a reprovação compromete o bom desempenho do IDH, então maquia-se o desempenho dos alunos não reprovando ninguém. Hoje pra se reprovar um aluno o professor tem de estar muitíssimo bem embasado e sua decisão deve ser aprovada por uma junta de professores e em seguida submetida ao crivo da secretaria de educação cujas cadeiras são cargos políticos a quem interessam os bons resultados dos índices, daí pra frente pode-se imaginar que temos ano após ano cada vez mais alunos rumando para série seguinte sem a menor condição de fazê-lo! E pior do que isso é que os pais que tendo plena consciência de que seus filhos não tem mérito tão pouco condição de galgar a próxima série, em vez de exigir que seu filho repita o ano e seja adequadamente preparado para o que vem pela frente, ao contrário, brigam pra que ele não seja reprovado sem se preocupar com o enorme prejuízo que essa “esperteza” irá lhe causar!

Como resultado disso temos as pérolas que são produzidas anualmente nas redações dos vestibulares da vida Brasil a fora. E como se não bastasse, com o atual mercantilismo do ensino superior, a bucéfala criatura produtora de pérolas encontra seu lugar ao sol numa “uniesquina” qualquer pagando meia dúzia de trocados ao mês e da noite pro dia se transforma num universitário, muito, mais pra universiotário, e assim vamos caminhando rumo ao caos. Um amigo meu professor universitário, dizia-me, por ocasião de discutirmos esse mesmo tema, que tem alunos dele que desenham, isso mesmo, desenham o próprio nome! È possível imaginar futuro mais nebuloso?

Agora me respondam os senhores, isso tudo é ou não é coisa de gente “malinducada”? E assim sendo, é ou não é O FIM DO MUNDO?

Portanto, amigos leitores, na minha humilde opinião, o mundo não acaba em 2012, ele vem acabando pouco a pouco, dia após dia, e nessa triste agonia seguirá e passará por 2012 apenas, a julgar pelos acontecimentos e pelo nosso próprio comportamento, um pouco pior do que passará por 2009. E pobre dos ursos polares que nada ;êm a ver com isso e daqui partirão muito antes de nós.

E olha que quando minha avó me chamava a atenção, na maioria das vezes eu só tava cutucando o nariz…

Raul Avelino.

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