Vendas de Fim de Ano (Consumo)

Como será este Natal pós-crise. Será que é pós mesmo?
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Daniel Pinheiro

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Comércio reforça investimentos

Primeiro Natal após o fim da crise deve elevar vendas em até 15% em comparação com o ano passado

Publicado em 16/11/2009 | Cristina Rios

Fonte: Gazeta do Povo

O primeiro Natal depois do fim da crise deve ser de vendas aquecidas. Lojistas e redes de varejo estimam negócios até 15% superiores aos do ano passado e reforçam investimentos para fazer frente ao aumento do consumo. Passada a turbulência, as empresas do setor ampliam estoques e aceleram a abertura de novas lojas. Para os lojistas, o Natal deve consolidar a retomada e abrir caminho para o aumento ainda mais forte de vendas no próximo ano.

A combinação de dois fatores – renda e crédito – sustenta a es­tratégia das empresas. O décimo terceiro salário deve colocar cerca de R$ 4,47 bilhões em circulação somente no Paraná e o crédito em alta deve alavancar as vendas a prazo. Além disso, ao contrário do que ocorreu no Natal de 2009, o consumidor está mais confiante na manutenção do seu emprego. “No fim do ano passado, muita gente preferiu segurar gastos e economizar para uma eventual perda do emprego em 2009”, lembra Vamberto Santana, consultor econômico da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio).

A maior parte das empresas está aumentando investimentos para o Natal nesse ano. Uma pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) com os 72 maiores shoppings centers do país revela que o valor aplicado em decoração e campanhas para o Natal nesse ano será até 50% maior do que no ano passado. Cada centro vai investir, em média, R$ 1,5 milhão. A previsão é que as vendas cresçam 11%.

As grandes redes de varejo, por outro lado, reforçaram os estoques. Os pedidos de eletroeletrônicos aumentaram 25% em relação aos do ano passado. Os de eletrodomésticos de linha branca estão 15% maiores. O presidente da Associação Paranaense de Supermercados (APRAS), Pedro Joanir Zonta, estima um aumento de 13% a 15% nas vendas natalinas. O setor de supermercados deve encerrar o ano com um crescimento real – já descontada a inflação – de 6% em 2009. “Em 2010 esperamos um crescimento de 6% a 8%”, afirma. Para fazer frente a esse movimento, as redes estão acelerando a abertura de lojas. Zonta, que é presidente da rede Condor, conta que o grupo deve investir R$ 80 milhões no próximo ano na abertura de mais três lojas e na reforma de unidades já existentes.

O comércio de rua e de shopping center também segue a estratégia. Com previsão de um aumento de vendas de 15% a 20% nesse Natal, o grupo Omar Calçados, hoje com 21 lojas, se prepara para aumentar o ritmo de investimentos em 2010. A empresa deve abrir entre duas e quatro lojas no próximo ano, segundo Luiz Henrique Linhares, gerente do grupo. “Em 2009 não abrimos novas lojas. Em 2010 retomamos o nível de inaugurações que tínhamos em 2008”, diz.

Expansão

Com o aquecimento das vendas, a rede de lojas Marisa, que previa inaugurar seis novas unidades em 2009, revisou seus planos e deve encerrar o ano com 12 novos pontos no país. Em 2010 serão mais 28 lojas. A Lojas Americanas anunciou que planeja abrir 400 novas lojas no Brasil nos próximos quatro anos, com investimentos estimados em R$ 1 bilhão. A rede de livrarias Curitiba prevê inaugurar mais uma loja no fim de novembro em São José dos Pinhais, na região de Curitiba, outra em Joinville (SC) em abril de 2010 e negocia instalação de mais três unidades no Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

Segundo Vamberto Santana, da Fecomércio, o comércio chegou a adiar alguns projetos de ampliação em função da crise principalmente no primeiro trimestre de 2009, quando as vendas foram mais fracas. A retomada a partir dos meses seguintes fez com que a maior parte das empresas voltasse a pensar em investimentos a partir desse segundo semestre. “Fecharemos esse ano com um volume de investimentos menor do que no ano passado, que, apesar da crise, foi muito bom entre janeiro e setembro. Mas em 2010, o volume deve voltar a crescer”, diz.

De acordo com ele, além da renda e do crédito, a Copa do Mundo, as eleições e a intenção do governo de acelerar a conclusão de algumas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são fatores que devem ter impacto positivo nas vendas do setor.

Classes D e E são cortejadas

Beneficiadas pelo aumento do salário mínimo acima da inflação e pelos programas de distribuição de renda como o Bolsa Família, elas contam ainda com outra vantagem: como em geral não têm acesso a crédito, as classes D e E têm pouco comprometimento com dívidas de médio e longo prazo.

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Apesar da crise, setor continuou a crescer

Apesar de 2009 ter sido marcado por incertezas, principalmente no início do ano, o comércio conseguiu driblar a crise econômica. Enquanto a indústria entrou em recessão, o comércio acumula crescimento de 4,7% de janeiro a setembro na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Incentivos como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, eletrodomésticos de linha branca e material de construção fizeram o varejo ampliado registrar um avanço de 9,1% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado.

“Desde a eclosão da crise, em outubro do ano passado, o comércio praticamente não conheceu taxas negativas”, diz Fábio Silveira, analista da RC Consultores. Ele prevê que, depois de crescer cerca de 5% em 2009, o comércio varejista deve avançar 5,7% em 2010.

Dois fatores devem puxar esse resultado, segundo ele. Em primeiro lugar, a massa salarial deve fechar 2009 com crescimento real (já descontado a inflação) de 3,2%. Em 2010, esse avanço deve ser de 3,8%. Em segundo lugar, o crédito deve continuar em alta. Além de fechar o ano com crescimento de 10% a 11%, o saldo de operações de crédito para pessoas físicas no país deve crescer 14% em 2010.

A previsão dos analistas é que o crescimento do consumo retorne aos níveis de antes da crise em 2010. Um estudo da MB Associados projeta um crescimento de R$ 90 bilhões no próximo ano – contra um avanço de R$ 52,6 bilhões nesse e de R$ 85,2 bilhões no ano passado. Em uma conta simples, considerando-se a participação do Paraná na economia nacional, o consumo no estado poderá crescer R$ 4,5 bilhões em 2010, 70% mais do que os R$ 2,63 bilhões em 2009. “Além desses fatores, o emprego deve voltar a crescer, o que gera mais renda e consumo”, acrescenta Silveira. (CR)

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