MUSEU DO AUTOMÓVEL, ULBRA, REITOR – NÃO NECESSARIAMENTE NESTA MESMA ORDEM

Por: Amarildo Esteves

Um dia desses recebi um e-mail do Raul Avelino com belas imagens e comentários sobre o Museu do Automóvel situado na cidade de Canoas/RS, região metropolitana de Porto Alegre/RS. Na oportunidade respondi que a história não era bem assim, e ele me sugeriu escrever algo sobre o assunto. Então, busquei acrescentar mais alguns subsídios sobre o trio Museu, Ulbra e o Reitor desta.

Este museu está localizado nas dependências da UlBra – Universidade Luterana do Brasil – entidade filantrópica (até um tempo atrás) mantida pela Comunidade Evangélica Luterana São Paulo (CELSP). A UlBra mantém 15 campi distribuídos entre o Rio Grande do Sul, Goiás, Tocantins, Pará, Rondônia e Amazonas, além de contar, também, com escolas de nível médio totalizando 150 mil alunos. A estrutura conta ainda, com emissoras de TV, rádio, times de voleibol e futebol profissional. Inclusive, o estádio de futebol tem capacidade para 10 mil pessoas.

Pois bem, voltando ao Museu, o qual era considerado o maior da America Latina, onde se podia ver entre tantas relíquias, um ônibus inglês de dois andares, passando por um carro fúnebre que transportava somente crianças e mulheres virgens até outro pilotado por Emerson Fittipaldi quando ganhou as 500 Milhas de Indianápolis. O Museu, também chamado de Museu da Tecnologia, que chegou a contar com 240 carros no seu interior, foi desativado por conta de inúmeras dívidas fiscais da Ulbra com o governo federal, além de inadimplências com fornecedores.

A Ulbra, atualmente, está se reestruturando após ter passado por uma grave crise, que, segundo a sua diretoria, deveu-se a créditos com instituições financeiras americanas que não aceitaram rolagem da dívida por conta da crise que se abateu sobre os Estados Unidos. E nessa bola de neve o Governo Federal cobrou dívidas fiscais e os bancos pegaram carona também nesse movimento e solicitaram a adimplência de seus créditos. Com tudo isso, a entidade mantenedora perdeu o status de filantrópica já que seu reitor era remunerado, a aplicação de 20% das receitas em bolsa de estudo não era cumprida, alem de aplicarem a receita integral da receita e resultados na própria instituição. A UlBra possuía ainda, times profissionais, editora de livros, planos de saúde, todos registrados como “Ltda.”, o que por si só já caracterizava a opção por fins lucrativos.

Mas, porem, contudo, todavia, entretanto, o comentário a boca nem tão pequena assim, é que o ex-reitor Ruben Becker é o grande responsável pela “quebra” da instituição, senão vejamos: o ex-reitor, segundo comentários, tem uma empresa, a qual era prestadora de serviços para a UlBra e para a qual foram repassados os veículos que estavam no Museu. Esta empresa, de fachada, segundo quem conhece a história dela e do seu proprietário, teve repassados todos os carros e outros patrimônios da entidade, beneficiando assim seu proprietário em detrimento da instituição denominada UlBra.  No entanto, o novo reitor que assumiu após a renuncia do Pastor Ruben Becker em abril deste ano, disse que este se intitulou dono do acervo do museu, ou seja, dono de todos os veículos ali expostos. O estranho é que no material usado para divulgar o museu sempre constava que este pertencia à UlBra e não a uma pessoa. É um dos mistérios que terá de ser descoberto para clarear a nebulosa gestão do pastor Becker.

Na UlBra existiam várias modalidades de acesso ao ensino superior. Desde pessoas com mais de 35 anos que tinham descontos entre 30 e 40% da mensalidade normal até cursos com pouca demanda os quais eram oferecidos a preços muito aquém daqueles praticados no mercado. A verdade é que em minha opinião, o grande prejuízo ficou na conta da área de educação, afinal de contas, muitos professores da universidade ou foram demitidos ou foram embora porque na época da crise houve atraso no pagamento de salários, bem como comprometimento do nível didático tanto nos laboratórios quanto no hospital universitário o qual servia de base para os futuros formandos nos diversos cursos da área da saúde.

Muita gente defendeu e defende o fechamento da TV e da rádio mantidos pela instituição em detrimento do Museu de Tecnologia, que segundo alguns, era um capricho do antigo reitor e a restauração dos carros era bancada pela entidade universitária em questão. O tempo dirá quem tem razão.

Abaixo seguem alguns números da UlBra

OS NÚMEROS DA CRISE:

Déficit mensal: R$ 10 milhões

Faturamento médio: R$ 60 milhões /mês

Dívidas tributária de R$ 350 milhões

e previdenciária: a R$ 1,2 bilhão

Divida bancária: R$ 400 milhões

A ULBRA:

— 150 mil alunos

— 10 mil empregados

— 9 campi no RS

— 6 campi em outros Estados

— 4 hospitais

Fontes: Clicrbs.com.br e G1.com.br

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6 comentários em “MUSEU DO AUTOMÓVEL, ULBRA, REITOR – NÃO NECESSARIAMENTE NESTA MESMA ORDEM”

  1. A nova Reitoria da ULBRA, que assumiu em abril, está trabalhando para a reestruturação da Universidade e vem recebendo o apoio da sociedade em seu objetivo. Nestes seis meses de gestão, os gestores vêm realizando um estudo completo dos temas ligados ao ensino e implantarão diversas mudanças já para 2010, com vistas a dar a volta por cima.
    O comentário de Carrasco parece induzir à compreensão de que a diminuição nos números históricos da Universidade ocorreu por má administração desta gestão. Porém, a comunidade acompanhou a crise vivida na Instituição desde o ano passado, bem como tem sido mantida informada pela atual Reitoria das medidas adotadas para reestruturar a ULBRA. A Reitoria, que assumiu uma Instituição em crise e totalmente sem recursos para manter-se em funcionamento, está pagando os salários de seus colaboradores em dia e vislumbra boas possibilidades de que 2010 seja um ano bastante promissor.

    1. Como cofundador do blog em parceria com o Daniel Pinheiro, que justiça seja feita, tem bem mais méritos do que eu neste feito, fico muito feliz em constatar que um dos nossos objetivos que é promover debates sobre questões da atualidade e trazer à luz esclarecimentos que nem sempre vêm à publico pela grande mídia, foi atingido neste espaço graças ao excelente trabalho do nosso colaborador Amarildo Esteves, gaúcho de nascimento e cidadão do mundo por opção, hoje nosso enviado especial à Sarneyland, vulgo Maranhão.
      Além de manifestar minha satisfação diante desse resultado, quero aproveitar e parabenizar pela coragem e diligência da ULBRA que através de sua assessoria de comunicação veio a este blog prestar seus eclarecimentos em nome da nova gestão desta. Este gesto por si só já nos dá a idéia bem clara de que realmente alguma coisa bastante consistente está sendo feita no sentido de recuperar a já tão sofrida instituição. Ficamos na torcida de que tais ações surtam efeito e que em breve a instituição volte a ser forte e útil à sociedade como em outros tempos. Parabéns a todos que participaram deste debate e continuem nos visitando e mandando seus textos, comentários, sugestões, críticas e por que não, elogios, destes nós também gostamos.
      Um grande anraço.

  2. Os números sao históricos,mas fazem parte de um passado bem recente e incontestável da UlBra. O que aconteceu na gestao que quase quebrou a universidade nos remete ao título de abertura deste blog. Parafraseando Pedro Simon …”de uns tempos pra cá o que aconteceu com o reitor da UnB deveria ir para o juizado de pequenas causas.

  3. Os veículos independents de percenterem ao reitor ou a ULBRA não deveriam ser leiloados, deveriam ser revertidos a população. A população deveria ter a oportunidade de ver as reliquias existentes no museu, em sintese deveria ter sido tombados.

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