Máscaras…

Segue um texto que recebi e que é bem interessante. Foi-me enviado para que eu fizesse uma analogia com alguns acontecimentos e alguns comportamentos, mas que identifiquei não só uma, mas uma série delas.

Alison Endler

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MÁSCARA DO VÍCIO

Antônio Lopes de Sá

Como para tirar a vida ao peixe o pescador oferece a migalha da isca, há quem no intuito de subtrair o máximo das pessoas oferece vantagem atraente, apresentando justificativa honesta para encobrir propósitos perversos.

Parecendo estar de acordo conosco, apresentando algo que tem aspecto de maior vantagem, há quem se manifeste favorável a nós para, no entanto, depois reduzir ou anular a resistência que ao vício fazemos, agindo contra os nossos propósitos.

Sob pretextos e alardes honestos quase sempre podem esconder-se propósitos desonestos.

Não são poucas as manobras políticas urdidas a partir de “iscas”, ou seja, de oferta de algo como benevolência, mas, com o propósito de despojar ou apropriar-se maliciosamente de muito mais.

A máscara do vício, do mal, mostra a face da virtude, da benevolência.

A história tem registrado muitos exemplos dessas vilanias e ainda continuamos, sob várias formas a testemunhá-las.

Giordano Bruno (1548-1600), grande pensador, foi, dentre milhares de outros, um exemplo eloqüente de quem pode ser vítima de regimes perversos que se escondem em máscaras de virtudes.

O mencionado filósofo, perseguido na Itália, tinha-se abrigado na Alemanha.

Armaram, todavia, uma trama para atraí-lo de volta, oferecendo vantagens, mas, com o firme intento de eliminá-lo.

De boa fé, acreditando ser honesta a proposta, o eminente pensador voltou à terra natal.

Foi, todavia, vilmente traído e o encarceraram por oito anos em um calabouço insalubre em Veneza.

Nos primeiros dias do século XVII, em Roma, a Inquisição, esta que produziu uma das mais vergonhosas páginas da história da humanidade, escondida sob o nome de “Santo Ofício”, queimou vivo o filósofo Bruno.

Da prisão que se encontrava até o local da execução ele teve as mãos atadas e uma mordaça na boca para que nada pudesse falar.

Os clérigos inquisidores, depois de vil tortura, extinguiram perversamente a vida de mais um homem, mas, não conseguiram matar as suas idéias, essas que continuariam vivas.

Silenciar a verdade é a arma dos autocratas, mas, em realidade as palavras são coisas vivas que não se extinguem com atos de violência ou tramas.

A enorme fogueira que consumiu o corpo de Giordano não conseguiu carbonizar a avalanche de conflitos que se desencadeariam a seguir e que iriam ditar novos rumos à humanidade.

Em poucos instantes as chamas consumiram um corpo ao som das orações de hipócritas religiosos, mas, não as energias plantadas por um grande pensador, pois, essas, ao longo dos anos, foram competentes para estabelecer um confronto entre o absolutismo clerical vicioso e a razão.

Procurar silenciar pensadores, fugir ao diálogo, mentir, omitir a realidade, simular, são técnicas do autoritarismo, de muitos falsários e tiranos desumanos como Hitler, Stalin, Mao Tsé Tung e Ngo Dinh.

Não são e nem foram poucas as pessoas e os sistemas de poder que esconderam e ocultam ainda a face do vício em máscaras de virtude.

Mostram-se leais, fieis, honestos, para encobrirem a verdadeira intenção que possuem e que são as de fraudes, perversidades e traições.

O verdadeiramente virtuoso dispensa justificativas porque não precisa delas, praticando realmente a benevolência, esta que se evidencia em atos ostensivos.

Muitas explicações, alardes, noticiários insistentes, são geralmente engenharias do vício que se urde, que se apresenta sob a máscara de virtude.

Não são poucos os movimentos que se mostram como “abertos”, mas que realmente são “fechados”.

A simulação da “democracia” se opera algumas vezes através da máscara de votações, “audiências públicas” que na realidade são apenas “fachadas de realidades” de um interior rigorosamente maquinado e falso.

Falsários procuram dar idéia de lisura buscando justificar golpes que maquinam, e, lançando as suas “iscas” vão acumulando poderes para produzirem tramas perversas.

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