Chega de Ser Bonzinho, Tá na Hora do Pau!!! (por Raul Avelino)

CHEGA DE SER BONZINHO, TÁ NA HORA DO PAU!

Meu velho pai o Sargento Raul, que Deus o tenha, dentre muitas lições que me ensinou, uma delas era bem simples, dizia ele: “Meu filho, o mundo não é justo, por isso pra se evitar sofrimento, seja prático e só goste de quem gosta de você.”

Eu me meti em política uma vez, é eu sei bela porcaria, não a política em si, mas a política tal qual se faz aqui por essas bandas. Mas, como eu sempre digo, antes de criticar é preciso conhecer, assim pra ter certeza de que a coisa é uma podridão só, caí pra dentro do esgoto e conheci as entranhas dessa imundice. Uma vez lá, em certa ocasião, discutíamos a coligação que seria feita para campanha que se aproximava e certo partido que tinha interesse no nosso apoio acenava com a promessa de reservar para o nosso grupo, em caso de vitória do seu candidato, duas secretarias de governo. Diante dessa possibilidade o que se discutia eram quais as pastas nos interessariam, quando a discussão chegou nesse ponto um senhor muito bem articulado e uma velha raposa política no sentido mais literal da expressão nos advertiu, “olha pessoal, de jeito nenhum queremos as secretarias de saúde, educação e segurança pública!” Na ótica dessa criatura pastas boas eram as rentáveis como administração, finanças, fazenda, etc, e não as politicamente críticas que num primeiro momento dão visibilidade, mas que dado o seu alto grau e complexidade na solução de seus problemas que se multiplicam a uma velocidade viral, culminam não raro, com o apedrejamento público de seus representantes.

Essa singela narrativa introdutória nos dá uma exata noção do tamanho do problema quando falamos, no caso em tela, de segurança pública. Um problema que quanto, mas se pensa em solução, mais ele parece insolúvel. Não quero cair no lugar comum do discurso de sempre de que é preciso investir em educação, isso é óbvio demais, e é notório que necessariamente a solução passa pela questão da educação, outro calo das políticas públicas. Não adianta discutirmos os caminhos para questão da educação frente os problemas de segurança em um momento tão delicado e que exige medidas imediatas, pois os efeitos de uma boa educação são sentidos em longo prazo o que nos remete à necessidade de implantação de medidas urgentes também nessa área, já que quanto antes se colocar o dedo nessa ferida, melhor.

Eu quero abordar a questão da segurança sem necessariamente considerar os longínquos efeitos de uma educação pública, digamos, irretocável, pois não nos é mais possível esperar por dias melhores, é preciso melhorar o hoje, o agora!

Pois bem, quando agora colocamos o dedo nessa outra ferida, a ferida do urgente, um sem numero de medidas vêm à baila, como a redução da maioridade penal, o aumento do efetivo e reaparelhamento das polícias, unificação das polícias, melhores salários e condições de trabalho para os policiais, pena de morte, prisão perpétua e por aí vai.

Eu como aluno de Direito do sétimo período humildemente lhes digo que no mundinho perfeito do dever ser do ambiente universitário, no campo da teoria do ordenamento jurídico, temos uma constituição perfeita e irretocável se fosse para nortear os rumos de uma sociedade como a sueca, por exemplo. Porém, na prática, a distância que separa o pretendido do obtido é imensa e quase intransponível. Nosso Código Penal precisa ser revisto em caráter de urgência e antes de qualquer coisa precisamos desesperadamente acabar com a total inversão de valores que tomou conta da nossa sociedade.

Dia desses através de uma chacina que vitimou “oficialmente” oito pessoas entre jovens, adultos, mulheres e crianças, a nossa Curitiba modelo foi apresentada a uma realidade nacional que há muito já faz parte do nosso cotidiano, mas que imprensa, autoridades e nós mesmos temos feito questão de não enxergar, achando que essas barbáries estão restritas às favelas e morros do Rio e de Janeiro e São Paulo.

Pois bem, não estão! Aqui o “o bicho ta pegando, o cerol ta passando fininho” como se diz no linguajar da malandragem. Por questões absurdamente estúpidas, meia dúzia de marginais resolveu, decidiu, que em determinado bairro pobre da nossa cidade modelo os moradores não poderiam transitar pelas ruas depois de determinado horário e quem desobedeceu ao tal toque de recolher, cuja ocorrência as autoridades negam, foi cruelmente fuzilado.

Isso já tem alguns dias, a polícia apresentou os acusados sob sua custódia, a cavalaria da PM levou no dia das crianças seus belos cavalos pra que as crianças pudessem montar e a elite da força policial da capital devolveu a paz e a harmonia à “pacata” Vila União que na opinião de nosso super secretário estadual de segurança pública, foi vítima de um fato isolado, praticamente uma fatalidade, afinal não existe esse negócio de crime organizado ordenando toque de recolher com carro de som e tudo e fuzilando os abusadinhos que desobedeceram o Nardão, dono da boca.

Ou seja, mais uma vez não se trata o assunto com a seriedade que ele merece e precisa, por não ser esta uma estratégia politicamente interessante e mais uma vez nos chamam, nas entrelinhas, ou nem tanto, de idiotas!

Passadas algumas semanas do evento narrado acima, não me consta que as famílias das vítimas de Nardão and the gang tenha recebido sequer um sucinto telegrama de condolências, quem dirá uma visita, de nenhuma entidade ligada à defesa dos direitos humanos o que certamente teria sido substancialmente diferente se a polícia em vez de prender tivesse executado essa caterva de marginais. Notem que eu não estou aqui defendendo o “justiçamento” de nenhum marginal, muito embora diante de algumas circunstâncias a idéia se me apresente bastante sedutora, estou apenas traçando um paralelo hipotético para ilustrar a tão perigosa inversão de valores a qual me referi parágrafos atrás.

Em resumo, o que eu quero trazer à discussão é justamente esse abismo que separa as condições de trabalho da polícia e a facilidade de atuação da bandidagem, sobretudo frente à defesa de direitos de quem não respeita nada nem ninguém! Pessoal, precisamos tratar bandido como bandido, a mesma “sociedade injusta” que transformou o Nardão em traficante e assassino também transformou uma de suas vítimas em servente de pedreiro que optou por trabalhar com o pai na construção civil em detrimento de uma vida dedicada à marginalidade! Chega desse papinho de que todo bandido seguiu por esse caminho por que não teve outra alternativa, isso é balela, é conversa fiada, seguiu por esse caminho porque achou mais fácil roubar, traficar e matar, do que madrugar todo dia e pegar no cabo da enxada, puxar o carrinho pra catar recicláveis, ou simplesmente estudar, ainda que naquele sistema chinfrim ao qual me referi no começo, e que o poder público nos oferece sob a alcunha de educação.

Precisamos de medidas urgentes pra inibir o avanço da violência e se as medidas ideais são inexeqüíveis dentro da nossa realidade, que medidas mais eficazes, ainda que nem tão politicamente corretas assim, sejam adotadas já, sob pena de todos nós, inclusive os defensores dos direitos humanos de quem se comporta como animal, estarmos dentro de muito pouco tempo reféns de um bando de marginais entorpecidos com a sensação de que podem tudo.

Agora mais do que nunca a lição do meu velho pai parece ter muito sentido, gostemos de quem gosta de nós, ou seja, tratemos bem e com respeito, quem tem por nós e pelos nossos a mesma consideração e os bandidos que sofram com os efeitos colaterais da “profissão” que escolheram. Ossos do ofício!

Leiam a seguir o texto que eu recebi por e-mail e que peço a licença dos senhores para apresentar aqui. Leiam, reflitam e discutam com seus familiares e amigos, chamem para si a responsabilidade dessa discussão, a sociedade precisa encarar a realidade com a devida seriedade e reagir na mesma proporção. A polícia quer e precisa trabalhar, mas cada vez mais vem sendo impedida seja pela precariedade material, seja pela ineficácia burocrática.

Um grande abraço a todos,

Raul Avelino.

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*Nota: As fontes e envio estão preservadas como recebidas por e-mail, que circula livremente pela internet, não tendo sido diretamente enviadas a este blog.

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CARTA DE UM POLICIAL A UM BANDIDO

por Wilson  Ronaldo Monteiro – Delegado da Polícia Civil do Pará

enviado por Abelardo Gomes da Silva Júnior – Diretor Presidente

da Associação dos Militares Bachareis em Direito

Senhor Bandido.

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto à preservação de seus direitos, pois os cidadãos, e especialmente nós policiais, estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas vítimas.

Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois me ensinaram que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos a arma dele é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependências dignas para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado.

Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará.

Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.

CARTA DE UM POLICIAL PARA UM BANDIDO
Senhor Bandido.

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado suas “conquistas” quanto à preservação de seus direitos, pois os cidadãos, e especialmente nós policiais, estamos atrelados às suas vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas vítimas.

Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois me ensinaram que o Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou pelo menos a arma dele é a primeira a ser suspeita.

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não possuímos dependências dignas para você se ressocializar. Porém, quero que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam qualquer grevista envergonhado.

Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes, até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa obrigação também aumentará.

Precisamos nos proteger. Ter nossos direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor:

Wilson  Ronaldo Monteiro

Delegado da Polícia Civil do Pará

Enviado por:

Abelardo Gomes da Silva Júnior

Assoc. dos Militares Bachareis em Direito

Diretor Presidente

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