Fim do Engarrafamento???

O transporte coletivo de Curitiba já foi eficiente e moderno, em tempos passados. Cheguei há 9 anos na cidade, e ainda funcionava, mas já demonstrava sinais de cansaço.

Hoje, vejo a bicicleta como alternativa para o trânsito e transporte. A geografia da cidade, em si, é um dificultador para a bicicleta. Mas, suponha que isto possa ser o mínimo dos problemas. Será que eu tenho coragem de sair do Pilarzinho, de bicicleta, e voltar? Vou precisar de umas 30 bicicletas por mês, pois certamente se eu não for assaltado no caminho, terei problemas em qualquer lugar que eu vá para estacionar a bicicleta com segurança. Ora, quanto ao metrô, quando deixar de ser ferramenta de barganha política, poderá ser o início de um alívio. Mas, esperar até quando? Até a população não conseguir mais abrir mão de seus carros? Depois desse tempo na cidade, até percebo o esforço das autoridades de trânsito para melhorar o fluxo em alguns locais, mas alguns problemas chegam a ser ingênuos, como a falta de sincronização e “inteligência” no controle de semáforos (cuja tecnologia está mundialmente disponível há anos), ou até mesmo, a permissividade em alguns locais em conversões onde os carros param no meio da pista, enquanto um semáforo três tempos resolveria. E isto é só o começo. Lamentável.

Porém, ficar noticiando, noticiando, noticiando, e não fazer nada? Bons tempos em que o povo sabia protestas.

Daniel Pinheiro (enviado também para a Gazeta do Povo, sem o último parágrafo)

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Pondo fim no engarrafamento

Especialistas apontam soluções para o trânsito lento de Curitiba. O mais importante é que o poder público dê opções ao usuário

Publicado em 13/10/2009 | Vinicius Boreki

Fonte: Gazeta do Povo

É inegável que boa parte da população de Curitiba e do Brasil resiste em abandonar o conforto de seu automóvel. E é justamente a dependência do carro que torna o trânsito um dos principais problemas das grandes cidades – questão ainda mais profunda para Curitiba, município com maior índice de motorização do país. Para constatar a afirmação, não é preciso muito trabalho: no Dia sem Carro, realizado no último dia 22, houve congestionamentos constantes; em datas normais, o engarrafamento é realidade diária nas vias curitibanas em horários de pico. A solução para esses problemas foi debatida no 17.º Congres­so de Transporte e Trânsito, ocorrido entre 28 de setembro e 2 de outubro, em Curitiba.

As soluções são até óbvias para especialistas, mas são de difícil implantação. É preciso oferecer subsídios para que a população deixe o carro na garagem. Não se pode, simplesmente, jogar o problema nas costas da população. Há necessidade de que o poder público invista no transporte coletivo, oferecendo variadas opções para o usuário. Precisa haver um somatório de ônibus, metrô, bondes, trens e, obviamente, a bicicleta.

“É preciso oferecer multimodalidade ao usuário, realizando a integração entre todos os sistemas, inclusive a bicicleta. Hoje se fala sobre o metrô, um avanço importante, mas as melhorias no transporte devem ser constantes”, afirma Luiz Cláudio Mehl, membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP). Exemplos espalhados pelo mundo não faltam (veja algumas sugestões para Curitiba no infográfico).

Na capital, os passageiros enfrentam certas dificuldades para usar o ônibus, sobretudo longe dos eixos ocupados pelo biarticulado. Apesar dos elogios a Curitiba – ainda considerada modelo –, o sistema não apresenta aspecto fundamental: pesquisa que mostre a origem e o destino dos passageiros. E o metrô, por não ampliar a carta de opções, não seria a solução para todos os problemas do transporte público curitibano. “A administração ainda insiste em dizer que o sistema de Curitiba é bom. Ele foi bom na década de 1970. O metrô, transporte de maior capacidade, já era necessário há algum tempo”, opina Eduardo Ratton, professor titular de Transportes da Universidade Federal do Para­ná (UFPR).

E a demora para a construção do metrô ilustra apenas um dos erros corriqueiros do Brasil: a falta de planejamento. “Sempre que se apresenta uma solução, como o metrô em Curitiba, é para resolver um problema já existente. Não se pensa em como evitar o surgimento do problema”, avalia Mehl. Esse planejamento prévio será fundamental para os próximos anos. Até 2040, ano em que a população da capital deve se estabilizar, o número de curitibanos deve dobrar. “Só que os problemas se multiplicam por muito mais do que o dobro”, diz Orlando Pinto Ribeiro, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Positivo (UP). Sem visão de longo prazo, o caos encontrado em São Paulo, por exemplo, pode passar a afetar também os curitibanos.

A organização, porém, não pode dar às costas aos imbróglios atuais. A falta de integração com a região metropolitana se tornou hoje uma das principais dificuldades. Alguns dos municípios vizinhos, como São José dos Pinhais, Colombo e Pinhais, crescem em ritmo frenético. “Muitos veículos da região metropolitana vêm direto para o centro de Curitiba, porque a Rede Integrada de Transporte não atende às necessidades. Resolvendo essa questão, evita-se a circulação de muitos automóveis pelas ruas da capital”, aponta o arquiteto João Guilherme Dunin.

Bicicletas

Coordenador do mestrado e do doutorado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), o professor Fábio Duarte argumenta que a bicicleta pode ser uma das alternativas para o transporte coletivo. Além do investimento em ciclovias e ciclofaixas, entretanto, é preciso haver integração com terminais de ônibus ou, no mínimo, estacionamentos no centro da cidade. “Nos bairros mais pobres de Curitiba, muitas pessoas já usam a bicicleta por necessidade. Só que não encontram estrutura. É preciso, pelo menos, criar espaços para que elas tenham onde deixá-las”, diz Duarte.

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