Por Uma Vida Menos Ordinária (por Daniel Pinheiro)

O filme homônimo tem em sua curta sinopse os seguintes dizeres: “Jovem zelador é demitido e resolve seqüestrar a bela filha do patrão. Os dois, porém, acabam se apaixonando e são ajudados por dois anjos” (Fonte: WIKIPEDIA). Outros comentários sobre o filme pode, no entanto, serem encontrados no Google, ou em sites sobre cinema, filmes e coisas do gênero.

Porém, o meu intuito de resgatar este título, aliás, de um bom filme (apenas bom, em minha humilde opinião), é para comentar alguns dos belíssimos acontecimentos do fantástico mundo em que vivemos. Sim, vivemos em um mundo fantástico, o que aliás, me remete aos significados desta palavra: 1 Que só existe na fantasia; imaginário. 2 Que apenas existe na imaginação. 3 Incrível. 4 Caprichoso. sm O que só existe na imaginação. (Fonte: MICHAELIS). Ouso provocar chamando o mundo de fantástico, jamais por suas belezas ou pela sua magnitude. Acredite-se em criador ou em explosões, o fato é que é algo grandioso. E ponto. Mas o chamo de fantástico pela espetacular ignorância que presencio no dia-a-dia.

Na imaginação dos mais perversos seres que já passaram por este planeta (ou, que infelizmente, ainda estejam por aqui), não creio que haveria tamanha ignorância e selvageria como existe agora. Não sem um propósito, ou sem o mínimo propósito. Antigamente, soldados se matavam. Hoje, são nossas crianças. Pedia-se, em tempos idos, esmolas por condições miseráveis. Hoje, profissionaliza-se tal fato. Enquanto tomávamos café com o vizinho e conversávamos do cotidiano, agora tememos que ele chega e nem ao menos sabemos direito o seu nome. E a lista de exemplos é interminável.

Por algumas vezes quis estar longe deste fantástico mundo. Sei que escrever, tocar, me matar de trabalhar, viajar muito por lugar nenhum, e outras coisas mais, foram caminhos que encontrei para tentar procurar possibilidades de fuga. De uma maneira brilhante, orgulho-me de ter utilizado como fuga na maior parte das vezes tudo aquilo que poderia me ajudar a crescer. Porém, tenho medo que a fuga dos outros atrapalhe tudo o que consegui construir até hoje.

Invariavelmente, saio e chego de casa com um medo que nunca tive. É sim, “a insegurança causada pela violência”, pela criminalidade, pelos distúrbios sociais, grande parte da preocupação. Mais o maior dos meus medos ainda está nos sociopatas. Quando falamos deles, aqui mesmo no blog, discutimos sobre suas características, falamols de suas atitudes, e até recebemos depoimentos. Isto me marcou. Tanto que passei a me preocupar ainda mais. Explico: o temor é para que não aconteça a entrega pela aceitação. Ou seja, temo por não ser possível achar uma maneira de acordar as pessoas para um problema real, e que acabe aceitando sua existência, e passe a ser refém do próprio medo.

Nossos políticos assim o fizeram conosco (sim, a história conta isso muito bem para quem quiser ler). Desarticularam a sociedade de tal sorte que hoje nem mesmo uma passeata que reivindique a mudança do pirulito de esférico para retangular (estilo Zorro, para os saudosistas) faria eco algum. Só provocaria revoltas (como as que me provocam infinitamente na Av. Cândido de Abreu, em Curitiba). As associações perderam o sentido, o povo perdeu a identidade de coletivo e passou a ser um bando de indivíduos, individualmente em dívida eterna com o seu próprio medo. O egoísmo e a ambição tornaram-se valores máximos no mercado de trabalho, o consumismo, uma regra absurda dentro de nossos lares. Nossos filhos correr grande risco de não saberem subir em árvores, o que, aliás, vários não sabem. Conhecer de perto uma galinha, então…

Uma pena, mesmo, que caminhemos para um mundo que o cinema, aquele que me inspirou a começar, já refletiu, onde um cenário de Mad Max ou Waterworld sejam, no mínimo, cruéis retratos de uma fantasia real muito próxima.

Faça sua parte: abrace um amigo. Experimente dar bom dia ao porteiro, ao guarda de trânsito, ao varredor de rua. Convide o seu vizinho para ir na sua casa conversar e tomar um café. Brinque com seu filho, muito. E aproveite a vida.

Desculpem o desabafo, mas o que eu vi nos últimos dias, de acidente, loucuras no trânsito e falta de respeito, me fizeram lembrar o quanto é bom chegar próximo a um fim de semana e desejar a todo mundo que a gente gosta que ele seja maravilhoso. Aproveite MUITO o fim de semana. E faça como na escola. Venha na segunda-feira contar: COMO FOI SEU FIM DE SEMANA?

Daniel Pinheiro – por uma vida menos ordinária.

3 opiniões sobre “Por Uma Vida Menos Ordinária (por Daniel Pinheiro)”

  1. Daniel,
    Parabéns novamente, ja nem sei mais quantos parabéns eu te dei..é que vc merece…

    Mais um texto ótimo, imagine que eu estava pensando nesse tema por estes dias.
    Atualmente morando no Rio Grande do Sul, tenho estas dificuldades: falar com o vizinho, conversar mais com os amigos, etc…
    A culpa é minha por isso, porque eu não vou lá e falo com o vizinho, porque eu não convido meus amigos para tomar um chopp ? Não sei, as vezes arrumo desculpas “verdadeiras”.
    Pensei comigo, preciso voltar a ser aquele “cara” que conversa com todo mundo, que da bom dia ao cobrador do onibus, que conversa com os vizinhos, que faz sinal com a cabeça cumprimentando um desconhecido, que faz a gentileza no transito, etc..

    Opa, era só um comentario, ja estava virando texto.rsrsrs

    Abraços
    Jefferson Anibal

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