A Comédia dos Erros – Shakespeare (por Paulo Rink)

Baseado na Obra: “A comédia dos erros” de William Shakespeare.

Por: Paulo Rink

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ATO I

Cena I

DO Julgamento em Brasília

Personagens

SOLINO, Duque do Brasil. LULA

EGEU, mercador de São Luiz. Sarney

ANTÍFOLO DE SÃO LUIZ, filho de Sarney.

ANTÍFOLO DE BRASÍLIA, filho de Sarney.

DRÔMIO DE SÃO LUIZ, criado dos dois Antífolos: Agaciel Maia.

DRÔMIO DE BRASÍLIA, criado dos dois Antífolos: Agaciel Maia

RENAN CALHEIROS, mercador.

MARCOS VALÉRIO ourives.

WELLINGTON SALGADO Um mercador, amigo de SARNEY

 PAULO DUQUE Um segundo mercador, de quem SARNEY é devedor

MING, mestre-escola e exorcista.

EMÍLIA, esposa de Sarney, abadessa em São Luiz.

MARIZA, esposa do Duque.

LUCIANA, sua irmã.

LÚCIA, criada de Adriana.

UMA CORTESÃ. Amante do Renan

O carcereiro, oficiais de justiça e gente do séqüito.

 

Uma sala no palácio do duque. Entram o duque, Sarney, carcereiro, oficiais e séqüito.

 

Sarney – Vamos, LULA; apressa a minha queda; de mim, com a morte, este martírio arreda.

 

LULA – Cala-te, mercador do Maranhão; parcial não posso ser no que respeita à aplicação da lei. A inimizade e a luta decorrente dos ultrajes inomináveis que, de pouco, o vosso duque infligiu aos nossos compatriotas, honrados mercadores que, por falta de reais com que as vidas resgatassem, selaram seus decretos ominosos com o próprio sangue, excluem qualquer réstia de piedade de nosso olhar terrível.

 

Desde os mortais conflitos intestinos, surgidos entre os vossos companheiros sediciosos e nós, foi decretado em sínodos solenes, não só pelos maranhenses como por nós próprios, que não se admitiria nenhum tráfico entre as duas cidades inimigas. Mais, ainda: se alguém, nascido em São Luiz, em feiras ou mercados fosse visto de Brasília, ou, ainda, se um nativo brasiliense viesse ter ao porto de São Luiz, morreria e seus bens todos seriam confiscados pelo duque, ou seja, eu mesmo; a menos que quinhentos mil reais nos pagasse, para se resgatar e ficar livre da pena cominada. Ora, o mais alto cômputo de teus bens escassamente chega a cem mil reais. Desse modo te achas, por nossas leis, à morte condenada.

 

SARNEY – Consola-me saber, sapiente duque, que o teu decreto hoje põe fim ao meu viver inquieto.

 

LULA – Está bem. Ora quero que nos digas, maranhense, sem rodeio inútil, por que de tua pátria te afastaste e o motivo de estares ora em Brasília.

 

SARNEY – Mais pesada tarefa não podia ser-me imposta do que isso de contar-te minha dor indizível. No entretanto, porque dar testemunho possa o mundo de que meu triste fim não foi causado por falta vergonhosa, ou roubo no congresso, nem tão pouco pelos atos secretos, mas por puro sentimento paterno, vou dizer-te quanto me permitir minha tristeza. Nasci em São Luiz, onde uma esposa soube escolher, que em mim teria achado toda a felicidade, como eu nela, se não nos fosse adverso o duro fado. Vivíamos felizes; em aumento ia nossa fortuna, por freqüentes e frutuosas viagens que a Colômbia costumava eu fazer. Mas o trespasso do meu feitor, na obrigação premente me pôs de dirigir os bens dispersos, do Maranhão ao Rio Grande, dos braços carinhosos me arrancando de minha terna esposa. Minha ausência não durara seis meses, quando – quase desfalecida pela doce pena da herança feminina – ela já tinha tomado todas as medidas, para se me juntar, havendo sã e salva chegado onde eu me achava. Muito tempo não se passou sem que ela se tornasse mãe de dois belos filhos, Roseana e Fernando, de tal modo parecidos – oh fato extraordinário! – que só se distinguiam pelos nomes. Na mesma hora, na mesma hospedaria, uma mulher do povo de igual fardo se livrou, dando à luz dois filhos gêmeos também muito parecidos, que por serem de gente muito pobre eu comprei logo, para que a servir viessem meus dois filhos. Muito orgulhosa de seus dois pimpolhos, falava diariamente minha esposa em voltar para casa. A contragosto fiz-lhe à vontade, mas, ai! muito cedo nos embarcamos. Uma légua viajamos de São Luiz sem que o mar, sempre aos ventos obediente, qualquer trágico indício nos mostrasse de nossa má ventura. Muito tempo, contudo, não ficamos animados, porque o pouco de luz quase apagada que o céu nos enviava, só servia para levar a nossas almas tímidas mensagem certa de uma morte próxima. Eu, de mim, a aceitara alegremente; mas as lamentações de minha esposa, que, à só idéia do perigo imano, chorava sem cessar, e os lastimosos gritos dos dois meninos amoráveis, que por moda choravam, pois não tinham consciência do perigo, me forçaram a procurar adiar o fim de todos, pois outra expectativa era impossível. Ao barco os marinheiros se acolheram, deixando-nos o casco do navio prestes a se afundar. Minha consorte, mais cuidadosa do último nascido, o havia atado a um mastro de reserva de que os marujos sempre andam providos, para enfrentar os temporais desfeitos. A ele um dos outros gêmeos foi atado, enquanto dos demais eu me ocupava. Dispostos desse modo os nossos filhos, eu e minha

mulher, fixos os olhos em quem fixo o cuidado sempre tínhamos, nos atamos, também, nas duas pontas do alto mastro, e ao sabor, sempre, das ondas, na direção seguimos de São Luiz, conforme Imaginávamos. Por último, a dardejar os raios sobre a terra, desfez o sol a névoa causadora de todo o nosso mal, deixando calmas de novo as ondas, pela ação benéfica de sua luz por que tanto anelávamos o que nos permitiu ver dois navios que para nós, com pressa, velejavam:

 

FIM DA CENA I DO ATO I

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3 opiniões sobre “A Comédia dos Erros – Shakespeare (por Paulo Rink)”

  1. Olha to achando que o Sarney vai processar esse artigo… o motivo é que tem pouquíssimos Sarneys nesta peça e isso não esta certo rsrs

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